|
Bolívia denuncia tentativa de assassinato de
Morales
da Folha Online
O governo boliviano denunciou nesta sexta-feira uma "tentativa de magnicídio"
contra o presidente Evo Morales, que supostamente seria realizada no aeroporto
de Santa Cruz, à pedido da oposição.
A polícia prendeu nesta quinta-feira (19) dois homens que portavam armas nas
imediações do aeroporto, mas poucas horas depois eles foram soltos pela Justiça
de Santa Cruz.
"Na quinta-feira... foram detidas duas pessoas que portavam uma arma de guerra,
um fuzil mauser, com mira telescópica, e 30 cartuchos, 30 projéteis de guerra,
com efeito letal poderosíssimo em mãos de duas pessoas que estavam muito perto
do eixo de deslocamento do presidente", informou o ministro da Justiça, Juan
Ramón de la Quintana.
"Denunciamos ao país e ao mundo que por trás dessas ações de tentativa de
magnicídio há uma trama, um plano sinistro cujo verdadeiro alcance ainda
desconhecemos, embora conheçamos as motivações. Mas esse quebra-cabeças da
conspiração já está começando a ser montado", acrescentou.
O governo já havia denunciado outras tentantivas de ataques contra o presidente,
mas esta é a primeira vez em que são presos supostos envolvidos carregando
armamento perto do presidente.
"Estão indo longe, longe demais aqueles que deveriam responder a este projeto
político [do governo] no cenário do debate político e não no campo da
ilegalidade, da criminalidade", acrescentou o ministro em uma entrevista a uma
emissora estatal.
Ramón de la Quintana criticou também a libertação dos suspeitos envolvidos no
atentado, ordenada pelo promotor William Torres.
O ministro qualificou a decisão como montagem de uma estrutura de encobrimento
em Santa Cruz, o rico departamento boliviano onde se concentra parte da oposição
direitista a Morales, que é de origem indígena.
Santa Cruz aprovou no início de maio autonomia em relação ao governo federal, em
um referendo visto como uma declaração de guerra da oposição aos planos do
governo de instaurar o socialismo no país.
|