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Cerca de 208 milhões usam drogas no mundo
todo, diz ONU
Cerca de 208 milhões de pessoas-- 4,9% da
população mundial-- usaram drogas ao menos uma vez nos últimos 12 meses, e 26
milhões --0,6% da população-- são dependentes de drogas.
As informações constam no Relatório Mundial sobre Drogas de 2008, lançado nesta
quinta-feira no Instituto Internacional da Paz em Nova York, pelo
diretor-executivo do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC),
Antonio Maria Costa.
Ali Imam/Reuters

Guarda observa pilha de drogas em chamas no Paquistão; 208 milhões usam drogas,
diz ONU
Segundo o relatório, os usuários de drogas
ilegais representam apenas uma pequena parcela se comparados ao álcool e ao
tabaco. Cerca de 2,5 milhões de pessoas morrem anualmente em razão do consumo de
álcool. Entre os fumantes, o número é de 5 milhões. As drogas ilícitas são
responsáveis pelas mortes de 200 mil usuários no mesmo período de tempo.
De acordo com o documento, os mecanismos de controle nacionais e internacionais
das drogas conseguiram reduzir a demanda, mas não a oferta dos narcóticos.
A produção foi impulsionada pelas plantações de ópio no Afeganistão e de cocaína
nos países andinos. O relatório aponta que o tráfico aumentou nas regiões
controladas por insurgentes.
Taleban e Ópio
O Afeganistão teve uma colheita recorde de ópio em 2007, o que fez com que a
produção mundial da droga quase duplicasse em dois anos. Cerca de 80% das
plantações do país está localizada em cinco Províncias do sul, onde insurgentes
talebans lucram com a droga. No restante do país, o cultivo está chegando ao fim
ou diminuindo significativamente.
Rahmat Gul/AP-17.mai.2007

Garoto afegão retira resina de papoula; país registrou colheita recorde de ópio
em 2007
"Mais estabilidade e mais apoio financeiro estão
ajudando a livrar muitas Províncias do Afeganistão do ópio", disse o
diretor-executivo Costa, citado em comunicado da UNODC.
O aumento de 17% na área cultivada de ópio em 2007 (235,7 mil hectares) reflete
a expansão do plantio no Afeganistão, que cresceu os mesmos 17%. O país,
sozinho, cultiva 193 mil hectares da droga, contribuindo com 82% da produção
mundial.
De acordo com o relatório, os países vizinhos ao Afeganistão sofrem com a
produção crescente de ópio no país, e vêem os usuários da droga aumentarem em
seu território.
Mianmar --governado por uma Junta Nilitar-é o segundo maior produtor de ópio. O
cultivo de papoula no país aumentou 29%, passando de 21,5 mil hectares em 2006
para 27,7 mil hectares em 2007.
Cocaína
"Na Colômbia, assim como no Afeganistão, as regiões onde a maioria da coca
cresce são controladas por insurgentes", acrescentou o diretor do UNODC.
William Fernando Martinez/AP

Membro da polícia antinarcótico cobre rosto durante queima de cocaína na
Colômbia
O cultivo da droga aumentou 27% em 2007, mas a
produção de cocaína cresceu apenas 1% devido aos rendimentos mais baixos do
plantio, causados pela exploração da coca em locais menores, menos concentrados
e remotos.
Os países andinos foram os principais responsáveis pelo crescimento no cultivo
da droga. Na Colômbia, ele aumentou 27%; na Bolívia, 5% e, no Peru, 4%. Somando
os três países, a área rural ocupada pela droga chega a 181,6 hectares. A
Colômbia possui em seu território 55% das plantações mundiais da droga.
Mas a área mundial de cultivo de coca tem diminuído e hoje é 18% menor do que a
registrada no ano 2000, quando a região possuía 221,3 hectares da droga.
Nos EUA, a proporção da força de trabalho cujos testes de uso de drogas deram
positivo para a cocaína diminuiu em 19% em comparação com 2007.
Maconha e estimulantes
A produção mundial de cannabis (maconha e haxixe) e de estimulantes (anfetaminas
e ecstasy) está estável. No caso do haxixe, retirado da resina que envolve a
cannabis, a produção diminuiu cerca de 20% entre 2004 e 2006.
A produção e o consumo de estimulantes, apesar de estável desde 2000, continua
um problema no leste e sudeste da Ásia. Uma peculiaridade desse tipo de droga é
o tráfico, predominantemente intra-regional. No entanto, os componentes químicos
para a produção de anfetaminas são comercializados inter-regionalmente, com
origem predominante do sul, leste e sudeste da África.
A maconha é a droga mais produzida no mundo, mas geralmente é utilizada para
finalidades locais. Mais de 41 mil toneladas foram cultivadas em 2006, o
equivalente à produção de 2000 e 8% menor que a produção de 2004. Apesar de a
América ser responsável por 55% da área mundial de cultivo de cannabis, os
principais exportadores da droga são a África e a Ásia.
Em 2006, 3,9% da população mundial --ou 166 milhões de pessoas-- afirmou ter
usado maconha ou haxixe.
Rotas
O documento da UNODC também demonstra uma mudança na rota das drogas,
principalmente da cocaína. Isso ocorreu devido à manutenção da demanda européia
e às interceptações da polícia nas rotas tradicionais. Os traficantes agora
passam pela África Ocidental, o que aumentaria os riscos para a saúde pública e
para a segurança da área.
Jaime Saldarriaga/Reuters

Submarino usado para esconder cocaína na Colômbia; cultivo aumentou 27% no país
Dados do relatório mostram que o contrabando da
região andina para a Europa, passando pela África, aumentou nos últimos anos,
com registros de 12% em 2006 contra 5% em 2004.
Segundo Costa, os países do Caribe, América Central e África Ocidental, além das
regiões fronteiriças do México, são as mais prejudicados por estarem no "fogo
cruzado entre os maiores produtores de coca --países andinos-- e os maiores
consumidores --América do Norte e Europa".
Os países em desenvolvimento, de acordo com o documento, sofrem por "não
conseguirem enfrentar os líderes do tráfico e a dependência química com seus
governos enfraquecidos".
Brasil
O Brasil é o segundo maior mercado de cocaína das Américas, com cerca de 870 mil
usuários, somente atrás dos EUA, que possuem cerca de 6 milhões de consumidores
da droga. O consumo anual da droga passou de 0,4% da população adulta em 2001
para 0,7 em 2005. O maior número de usuários se concentra nas regiões Sudeste e
Sul do país.
O Brasil também é responsável pelo maior volume de maconha apreendido na América
do Sul no último ano, com 167 toneladas. A maconha produzida no Brasil é
utilizada em sua maior parte para uso doméstico e não apresenta parcela
significativa entre os grandes produtores da droga na América do Sul.
No entanto, o consumo da maconha e do haxixe no país aumentou duas vezes e meia,
o que reflete a expansão da oferta de derivados de cannabis no vizinho Paraguai.
Em 2001, 1% dos brasileiros consumia a droga. Em 2005, o número chegou a 2,6%.
De acordo com pesquisas domiciliares (CEBRID 2005), o Brasil também é o maior
mercado de opiáceos na América do Sul, com cerca de 600 mil usuários -- 0,5% da
população adulta.
Combate
A UNODC aponta três frentes principais para o combate à produção e à demanda de
drogas: saúde pública, prevenção do crime e direitos humanos.
Arnulfo Franco/AP

Policial observa pacotes de cocaína apreendidos na Cidade do Panamá
Segundo a agência, a dependência das drogas
é prejudicada pela alocação dos recursos dos Estados, que prioriza a segurança e
a aplicação de leis. A saúde pública é ainda mais defasada nos países pobres ou
em desenvolvimento, que se tornam potenciais mercados consumidores de droga.
Como o crescimento da oferta de drogas não foi acompanhada pela demanda, esses
países se tornam os consumidores que os produtores estão procurando.
Costa lembra que, em alguns países, ainda há pena de morte para os usuários de
drogas.
"O abuso dessas substâncias pode matar, mas é inconcebível que se mate por causa
das drogas. Os direitos humanos devem ser parte do controle [dos narcóticos]".
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