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EUA analisam "contradições" de relatório
nuclear da Coréia do Norte
Os EUA afirmaram nesta sexta-feira que irão
analisar rigorosamente a declaração do programa nuclear da Coréia do Norte,
realizando com visitas surpresas a instalações nucleares.
Desde a divulgação do relatório sobre as atividades nucleares do país,
Washington propôs um sistema de verificação para resolver as contradições
encontradas no documento norte-coreano.
"Um regime completo de verificação deve compreender, entre outras coisas, o
acesso aos lugares declarados como nucleares ou suspeitos de estarem ligados ao
programa nuclear norte-coreano e aos materiais nucleares", afirmou o
departamento de Estado em um comunicado.
Os EUA afirmaram que esse mecanismo deve ser colocado em prática para que seja
efetuada a retirada definitiva da Coréia do Norte de Estados patrocinadores do
terrorismo por Washington.
"Este é um passo-chave para a desnuclearização da Coréia do Norte", disse Bush,
em entrevista coletiva no jardim da Casa Branca. "E encaminha esse país na
direção correta (...) Mas os EUA não têm ilusões sobre o regime [de Pyongyang]',
acrescentou. "Este é o primeiro passo. Esse não é o fim do processo, é o começo
dele", disse Bush.
Bush também afirmou que sua administração eliminará as sanções comerciais que
Washington impôs à Coréia do Norte e que em 45 dias notificará ao Congresso sua
intenção de eliminar o país da lista de nações que, segundo o Departamento de
Estado, patrocinam o terrorismo.
Relatório
O relatório entregue pela Coréia do Norte, de cerca de 60 páginas, não menciona
o número de armas nucleares que o regime norte-coreano possui, nem suas
atividades de enriquecimento de urânio e de proliferação. O documento foi
entregue na última quinta-feira (26) para a China, uma das seis partes
participantes da negociação para a desnuclearização.
AP

Imagem de TV mostra a destruição da torre de refrigeração na Coréia do Norte,
gesto simbólico do fim de seu programa nuclear
Os detalhes da declaração norte-coreana não foram
divulgados, mas segundo o Instituto para as Ciências e Segurança Internacional,
com sede em Washington, a Coréia do Norte possui entre 46 e 64 quilos de
plutônio, dos quais entre 28 e 50 quilos são armazenados separadamente,
quantidade suficiente para fabricar de cinco a 12 bombas.
Os EUA sugeriram que a análise sobre o enriquecimento de urânio e proliferação
seja feita pelos seis países já responsáveis pela desnuclearização da Coréia do
Norte: EUA, China Japão, Rússia e as duas Coréias.
O principal anseio de Washington é ter acesso ao reator de plutônio de Yongbyon
para confirmar informações contidas em cerca de 19 mil documentos enviados por
Pyongyang aos EUA no mês passado, segundo a secretária de Estado, Condoleezza
Rice.
"Para verificar o volume de plutônio que os norte-coreanos declararam,
enviaram-nos documentos. Mas esperamos também ter acesso ao corações do reator",
disse Rice a jornalistas.
Destruição
A Coréia do Norte destruiu nesta sexta-feira a torre de resfriamento da usina
nuclear de Pyongyang, o símbolo mais visível de seu programa nuclear. O gesto
foi um sinal de seu comprometimento em cessar a fabricação de bombas atômicas.
A demolição da torre de 20 metros no maior complexo de reatores nacional é uma
resposta às concessões dos Estados Unidos --que ocorreram em resposta à entrega
da declaração pelo governo norte-coreano de que encerraria seu programa nuclear.
Horas depois da destruição, o ministro de Relações Externas da Coréia do Norte
disse em comunicado que o governo "recebe bem" as medidas norte-americanas e
pediu que Washington encerrasse completamente sua "política hostil" em relação a
Pyongyang.
Japão
O primeiro-ministro japonês, Yasuo Fukuda, afirmou que a demolição da torre
nuclear é apenas um "primeiro passo" e acrescentou que o "problema é o que virá
depois".
Fukuda afirmou que o importante é verificar as medidas de desnuclearização que
serão tomadas pela Coréia do Norte a partir de agora.
O primeiro-ministro também abordou o assunto dos japoneses seqüestrados pelo
regime norte-coreano nas décadas de 70 e 80 para serem utilizados como
professores de idiomas em programas de espionagem e afirmou que a libertação
deles será feita em parceira com os EUA.
Condoleezza Rice afirmou que os seqüestros são um tema "sério" para seu país e
que o governo Bush "tem a determinação de ver esse assunto resolvido de forma
positiva".
Com Associated Press, Efe, France Presse
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