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Corpo de Madeleine foi congelado e
escondido, diz ex-investigador
da Efe, em Lisboa
O ex-inspetor da polícia portuguesa Gonçalo Amaral, que investigou o
desaparecimento da menina britânica Madeleine McCann, disse nesta quinta-feira
que acredita que o corpo da criança foi congelado e escondido, provavelmente
pelos seus próprios pais.
Em entrevista ao jornal "Correio da Manhã", o ex-inspetor --afastado do caso em
outubro do ano passado e aposentado antecipadamente-- descarta a tese de
seqüestro da menina e afirma que tudo foi "uma montagem" baseada, principalmente
nos testemunhos falsos da mãe, Kate McCann, e de uma amiga desta, Jane Tanner.
Antonio Cotrim/Efe

Capa do livro sobre o caso do desaparecimento; para ex-investigador, corpo de
Madeleine foi congelado e escondido
Amaral considera provado pela investigação que
Tanner mentiu ao contar que tinha visto um homem perto do apartamento com uma
menina nos braços na noite de 3 de maio de 2007, quando Madeleine desapareceu do
apartamento de um centro turístico do sul de Portugal.
A mãe também não disse a verdade, segundo o ex-policial, ao afirmar que, quando
chegou ao quarto onde Madeleine dormiu, a janela estava aberta, o que --segundo
outros testemunhos e os únicos vestígios achados no local, da própria Kate-- era
impossível.
Amaral apresenta seu livro sobre o caso, "Maddie --A Verdade da Mentira", no
qual diz que a menina morreu provavelmente por um acidente e que os pais, que na
segunda-feira (21) foram eximidos da condição de suspeitos pela Procuradoria de
Portugal, estiveram envolvidos e esconderam o corpo.
Em suas declarações, ele volta a indicar diversos comportamentos suspeitos dos
pais de Madeleine, em particular que Kate McCann, ao descobrir a ausência da
filha, teria deixado o apartamento com a janela aberta enquanto os outros dois
filhos, de 2 anos, dormiam no local, para voltar ao restaurante gritando que
tinham levado Madeleine.
"A teoria de rapto foi forçada pelos pais", ressalta, e lembra que uma família
irlandesa disse ter visto naquela noite Gerry McCann com uma menina nos braços
perto do apartamento, mas caminhando para a praia e não para a casa de Robert
Murat, como Tanner havia dito.
Suspeito
Amaral afirma que Murat, o terceiro suspeito oficial do caso, também eximido da
condição de culpado pela Procuradoria, foi identificado pela amiga dos McCann
com uma "certeza total".
Além disso, o testemunho da família irlandesa que envolve o pai de Madeleine não
foi ratificado, porque, segundo Amaral, as testemunhas se sentiram
"pressionadas" pela equipe de assessores dos McCann.
O ex-inspetor português revela que também os investigadores tiveram pressões de
vários diplomatas britânicos e até de um assessor do escritório do
primeiro-ministro do Reino Unido.
Em relação às suas investigações, ele admite que não conseguiu encontrar pistas
de onde poderia estar escondido o corpo de Madeleine, mas sustenta que este deve
ter sido congelado e transportado no porta-malas do automóvel alugado pelos
McCann quase um mês depois do desaparecimento da filha.
Com o calor, o cadáver congelado pode ter deixado resíduos, que depois foram
identificados no veículo por dois cães especialmente treinados da Polícia
britânica.
Segundo testemunhas citadas pelo ex-investigador, os McCann teriam aberto o
porta-malas para que ventilasse, alegando que tinham transportado lixo e carne
congelada no carro, mas no entanto, não conseguiriam confundir dois cães muito
especializados, de acordo com os treinadores ingleses.
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