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Protestos suspendem encontro de Chávez e
Cristina com Morales na Bolívia
da France Presse, em Buenos Aires
Cinco dias antes da realização de um referendo revogatório na Bolívia --que vai
decidir os mandatos do presidente Evo Morales, de seu vice e de oito
governadores--, os presidentes de Venezuela, Hugo Chávez, e da Argentina,
Cristina Kirchner, suspenderam a viagem que fariam ao departamento boliviano de
Tarija, onde se reuniriam com Morales, devido a protestos antigovernamentais no
local do encontro.
"Diante do que está acontecendo na Bolívia, avaliamos a situação com Evo, e eu
disse que não podemos pôr lenha na fogueira", afirmou Chávez, na conversa com
jornalistas em um hotel portenho, após liderar assinaturas de acordos bilaterais
com empresários e funcionários argentinos.
Jorge Silva /Reuters

Bolivianos fazem protestos contra o presidente Evo Morales; Chávez e Cristina
cancelaram visita que fariam à Bolívia
Nesta terça-feira, organizações protestaram nos
arredores do aeroporto de Tarija, sul da Bolívia, contra a chegada de Morales,
que se reuniria com Cristina e Chávez.
Em meio ao clima de instabilidade política, também nesta terça, confrontos entre
policiais e mineiros estatais, em uma comarca andina 200 km ao sudeste de La
Paz, já deixaram dois mortos e ao menos 32 feridos.
"Resolvemos suspender a viagem a Tarija porque houve agressões contra
jornalistas e protestos contra as delegações (antecipadas) de Argentina e
Venezuela --um fascismo que faz lembrar as piores épocas", disse Chávez,
acrescentando que tomou a decisão após conversar por telefone com Evo Morales.
Já uma fonte da chancelaria argentina informou que a viagem dos dois presidentes
foi suspensa a pedido de Evo Morales, por questões de segurança.
Estados Unidos
Chávez acusou os Estados Unidos de promoverem ações desestabilizadoras na
Bolívia antes do referendo de domingo (10). "Acusamos diretamente o império dos
Estados Unidos, que faz todo o possível para evitar nossa união", afirmou o
dirigente venezuelano, atribuindo as supostas ações desestabilizadoras "ao
desespero imperial de Mister Danger", como costuma chamar o presidente dos
Estados Unidos, George W. Bush.
"Isso nos mostra que o império americano não pode ser subestimado", insistiu,
acrescentando, em uma alusão ao referendo no país andino, que "os fatos de
violência indicam que (os opositores) não estão dispostos a aceitar resultados
democráticos".
"As ameaças contra a Bolívia são ameaças contra toda a região, mas em especial
para Argentina e Brasil, que recebem o gás boliviano", alertou Chávez.
Reynaldo Bayard, líder civil de Tarija, a região mais rica em gás da Bolívia,
rejeitou a visita de ambos os presidentes, acusando-os de "fazer campanha
proselitista" a favor de Morales, antes do referendo.
O chanceler argentino, Jorge Taiana, afirmou que a gestão de Cristina Kirchner
"apóia a institucionalidade da Bolívia e o governo constitucional de Evo
Morales", além do avanço no projeto de transformação da Bolívia, com o qual
disse se sentir "muito comprometido".
Hugo Chávez e Cristina Kirchner viajariam hoje para Tarija para participar da
inauguração de uma usina de produção de gás financiada parcialmente pelas
estatais Enarsa (Argentina) e PDVSA (Venezuela).
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