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Tropas da Geórgia recuam na Ossétia do Sul, mas Rússia intensifica ataques


Tropas da Rússia tomaram a maior parte da capital da Ossétia do Sul neste domingo (10), após três dias de batalha na região contra forças da Geórgia, que anunciaram sua retirada da região e pediram um cessar-fogo. Apesar disso, a Rússia intensificou os ataques e bombardeou a região de Tblisi, capital georgeana.

O chefe do Conselho de Segurança da Geórgia, Alexander Lomaia, afirmou esperar que o recuo de seu país seja o primeiro passo para uma trégua. "Nós enviamos essa mensagem antecipadamente para os russos por meio de Condoleezza Rice [secretária de Estado norte-americana]".

"Durante a noite, a Rússia transferiu [para a Ossétia do Sul] dezenas de carros de combate, artilharia e até foguetes táticos, e grande quantidade de infantaria", disse Lomaia. Enquanto isso, a aviação russa bombardeava as posições georgianas na capital.

Um tenente georgiano ferido em Tskhinvali disse à Agência Efe que "não resta nada em que se apoiar" na cidade, para fazer frente aos tanques russos. "Repetiram sua tática de Grozni (capital da Tchetchênia): se não podem tomar a cidade, a destroem", disse o tenente georgiano.

As tropas georgianas retornaram às posições que mantinham na quinta-feira passada, quando realizaram o cerco à cidade. A manobra ocorreu poucas horas depois do anúncio de que a Rússia preparava um ataque a partir da manhã da segunda-feira (11).

A Rússia intensificou neste domingo seu bombardeio contra as regiões separatistas e navios de guerra impuseram um bloqueio naval para impedir a entrada de armas e de outros meios militares na Geórgia durante o conflito.

Por isso, a Ucrânia ameaça proibir o retorno dos navios da frota russa mobilizados contra a Geórgia. Por terra, 6.000 militares russos marcham para a região.

Segundo o comando das forças separatistas da Ossétia do Sul, durante o combate noturno, que durou quase cinco horas, foram destruídos 12 carros de combate georgianos e um de seus aviões foi derrubado. O órgão também reconheceu a "destruição quase total de Tskhinvali", embora tenha responsabilizado a artilharia georgiana por isso.

Ao longo do dia, e mesmo com as pressões internacionais, continuaram os bombardeios russos em todo o território da Geórgia, desta vez incluindo a capital, Tbilisi, onde a pista de decolagem de uma fábrica de aviões foi atacada.

Segundo o comando russo, sua aviação só ataca alvos militares, entre os quais figuram também os "lugares de concentração de reservistas", normalmente localizados no centro dos povoados.

Causas

A Geórgia, aliado dos Estados Unidos no Cáucaso, iniciou o conflito na região na quarta-feira passada (6) em uma operação para retomar o território da Ossétia do Sul. Em resposta, o território georgiano tem sido alvo de ataques russos por terra e por ar.

Os oficiais russos dizem ter controle da maior parte de Tskhinvali, considerada a capital da Ossétia do Sul, que foi devastada pelos combates. A Casa Branca condenou a ação militar da Rússia, que incluiu ataques a bomba em ao menos três alvos da Geórgia fora da Ossétia do Sul.

Diplomacia

O assessor adjunto de segurança nacional dos EUA, James Jeffrey, disse em Pequim que essas ações podem levar a "impactos significativos de longo prazo" nas relações entre os países. "Nós lamentamos as ações perigosas e desproporcionais de forças russas e nós ficaríamos particularmente preocupados se esses ataques continuem agora, já que os georgeanos estão voltando atrás", disse.

Ressaltando seu papel de liderança no episódio, o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin encurtou sua visita a Pequim e foi no sábado até um centro médico na Ossétia do Norte, para visitar tropas e refugiados. Ele disse que os ataques da Geórgia eram "crimes contra seu próprio povo".

Mais tarde, a televisão da Rússia mostrou Putin conversando com o presidente do país, Dmitry Medvedev, no Kremlin. Medvedev, que assumiu um papel secundário na crise, falou pouco e pareceu desconfortável, na medida em que Putin assumiu o controle da situação, dizendo o que deveria ser feito.

Em uma mostra de alastro do conflito, o líder da Abkhazia, outra região separatista da Geórgia, disse neste domingo ter ordenado que mil soldados expulsassem forças georgeanas de seu território e convocou reservistas.

Para aproveitar a situação, as tropas da Abkházia, apoiadas por terra, céu e mar pelas forças russas, tentam conquistar o desfiladeiro de Kodori, uma área habitada por georgianos que ocupa 15% do território da região.

O governo da Geórgia rapidamente denunciou uma "nova agressão" preparada por Moscou na Abkhazia. Na outra fronteira comum, ao longo do rio Inguri, as tropas da Abkházia entraram na área de segurança, controlada pelos capacetes azuis russos.

ONU

Por falta de consenso, o Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas não conseguiu emitir uma declaração conjunta pelo cessar-fogo na Geórgia neste sábado e alertou sobre a extensão do conflito para fora da região separatista da Ossétia do Sul.

'Infelizmente, minha conclusão é que será muito difícil, se não impossível, encontrar pontos de coincidência suficientes para elaborar uma declaração conjunta', explicou após a reunião o embaixador belga Jan Grauls, que ocupa a Presidência rotativa do Conselho de Segurança.

Considerada uma importante rota de transporte de petróleo e gás natural na fronteira russa, a Ossétia do Sul autoproclamou independência da Geórgia em 1992, após a queda da União Soviética. O território conta com o apoio de Moscou para a separação --inclusive por abrigar muitos cidadãos russos--, mas a Geórgia não reconhece a independência.

Com Efe, Reuters, France Presse e Associated Press


 


 

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