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Peru declara estado de emergência devido a
protestos indígenas
da Efe, em Lima
O governo peruano declarou nesta terça-feira estado de emergência por 30 dias em
quatro Províncias afetadas por protestos indígenas que já duram nove dias, com o
bloqueio de estradas e a tomada de instalações energéticas. Segundo fontes
policiais informaram à agência Efe, nove pessoas ficaram feridas nos confrontos
entre índios e policiais.
Sete policiais e dois índios teriam sido feridos em confrontos ocorridos neste
domingo em Aramango, na região amazônica. Dois dos agentes policiais estão em
estado grave e foram levados a um hospital próximo a Bagua, disseram as fontes,
que desconhecem o estado dos dois indígenas feridos.
Segundo as fontes, a situação piorou na região, já que os indígenas seguem
impedindo o trânsito pela estrada Fernando Belaúnde Terry, fundamental para a
ligação entre a floresta amazônica do norte do Peru e a costa pacífica.
Um decreto supremo da Presidência do Conselho de Ministros afirmou que a medida
de exceção se aplica, a partir de hoje, nas Províncias de Bagua e Utcubamba, no
departamento do Amazonas e na Província de Datem del Marañón, do Departamento de
Loreto. O estado de emergência também está em vigor no distrito de Echarate, na
Província de La Convención, no departamento de Cuzco.
De acordo com a norma publicada no diário oficial "El Peruano", durante o estado
de emergência ficam suspensos os direitos à liberdade e segurança, a
inviolabilidade de domicílio e a liberdade de reunião e trânsito no território.
Reivindicações
As 65 etnias amazônicas pedem ao governo a revogação de mais de 30 decretos que
acusam de ser um atentado contra suas vidas e de incentivar a venda
indiscriminada de terras da Amazônia.
O presidente da Aidesep --maior associação indígena do país--, Alberto Pizango,
afirmou hoje à rádio CPN que "os povos nativos disseram que não vão depor a
mobilização", mas que respeitarão "todos os direitos humanos" dos cidadãos.
O dirigente reclamou que os povos nativos não têm direito à vida porque suas
terras serão oferecidas a empresas transnacionais para a exploração de
hidrocarbonetos.
Antonio Brack, ministro peruano do Meio Ambiente e interlocutor oficial no
diálogo com os nativos, disse hoje aos jornalistas que está "esperando a decisão
dos líderes da Aidesep sobre se vão suspender o protesto ou não".
O presidente do Conselho de Ministros peruano, Jorge del Castillo, exigiu ontem
o fim do protesto dos indígenas amazônicos como requisito indispensável para
retomar o diálogo, que fracassou na última sexta-feira.
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