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Apesar de crescente pressão ocidental,
Rússia continua na Geórgia
da Reuters
A Rússia ficou nesta quarta-feira sob crescente pressão dos países ocidentais
para se retirar da Geórgia até sexta-feira, cumprindo assim o prazo de retirada
que Moscou se impôs. No entanto, havia poucos sinais de uma saída em grande
escala das tropas russas no pequeno país vizinho.
Os EUA afirmaram que a Rússia deve agir muito mais rápido e alertou que atrasos
irão prejudicar a posição russa na comunidade internacional.
A diplomacia no Conselho de Segurança da ONU para por um fim à crise chegou a um
novo impasse após a Rússia apresentar uma proposta de resolução que ratifica o
plano de seis pontos já assinado tanto por Moscou quanto por Tbilisi. No
entanto, os países ocidentais querem esclarecer certas partes desse documento
pois temem que ela possa permitir que a Rússia realize novas ações militares na
Geórgia.
Um correspondente da agência Reuters em Verkhny Zaramag, na fronteira entre a
Rússia e a Ossétia do Sul, região separatista da geórgia, disse que o único
armamento pesado que seguiu para a Rússia nesta quarta foi uma coluna de
equipamentos georgianos tomados pelas forças russas.
O jornalista afirmou ter visto oito blindados e três tanques. Mais cedo, Zaramag
viu cerca de 40 caminhões, aparentemente vazios, atravessando a fronteira.
A Casa Branca disse ter visto sinais de que a Rússia estaria começando a retirar
algumas de suas forças da Geórgia, mas que Moscou precisava agir mais rápido. A
Alemanha --dependente dos recursos energéticos russos-- descreveu a situação na
Geórgia como "muito insatisfatória".
"Tanto o tamanho quanto o ritmo da retirada precisa aumentar e precisa aumentar
logo (...) Eu não creio que eles precisem de mais tempo", afirmou Gordon
Johndroe, porta-voz da Casa Branca.
Repercussão negativa
A Rússia já sentiu parte da repercussão negativa de suas ações, acrescentou o
porta-voz, mencionando a decisão polonesa de abrigar parte do sistema
antimísseis americano, apesar da forte oposição de Moscou.
A Rússia vê o sistema como uma ameaça a sua segurança nacional, e o Ministério
das Relações Exteriores, em resposta à assinatura do acordo polonês com os EUA
nesta quarta em Varsóvia, afirmou que "a Rússia, nesse caso, terá de reagir, e
não apenas através de protestos diplomáticos".
Alguns políticos e generais russos disseram que a Polônia deve se preparar para
um ataque preventivo no local onde o sistema será instalado. Washington rechaçou
a ameaça dizendo que é retórica vazia.
Apesar da rixa diplomática, o enviado da Rússia na Otan afirmou que a cooperação
com a aliança continuava vital e que Moscou iria se comportar de maneira
pragmática. Na terça-feira, a Otan decidiu congelar os contatos regulares com a
Rússia em razão da crise na Geórgia.
"Definitivamente, não haverá uma Guerra Fria", disse Dmitry Rogozin à Reuters.
A crise começou no último dia 7, após a Geórgia tentar recuperar um dos dois
encraves separatistas --a Ossétia do Sul-- através de uma ação militar. A Rússia
respondeu rapidamente com grande força e invadiu o pequeno país vizinho.
A Rússia afirma que 64 dos seus militares morreram, e a Geórgia disse que 215
pessoas morreram, entre eles 69 civis. A Rússia havia dito anteriormente que
1.600 ossetianos haviam morrido após o ataque da Geórgia ao território
separatista.
No entanto, nenhum dos números foi verificado por fontes independentes.
A Rússia reivindica o direito de deixar tropas em uma zona tampão ao redor da
Ossétia do Sul, e os aliados da Geórgia temem que esse seja apenas um pretexto
de Moscou para prejudicar a economia e o governo da ex-república soviética.
Perto da vila de Igoeti, o posto de controle russo mais perto da capital
Tbilisi, tropas russas com capacetes azuis das forças de paz cavavam trincheiras
na beira da estrada.
O chanceler russo, Sergei Lavrov, afirmou que o mundo pode esquecer a
integridade territorial russa após o recente derramamento de sangue, apesar de o
presidente dos EUA, George W. Bush reafirmar seu comprometimento com a questão
nesta quarta.
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