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Putin acusa EUA de orquestrar guerra na
Geórgia
O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, acusou os Estados Unidos de
orquestrar o conflito na Geórgia para beneficiar um dos candidatos à Presidência
dos Estados Unidos --o republicano John McCain e o democrata Barack Obama
disputam a sucessão de George W. Bush-- em uma entrevista dada à rede de TV CNN.
Primeiro-ministro russo acusa EUA de "orquestrar" a guerra na Geórgia
Na entrevista exclusiva, Putin disse que os EUA encorajaram a Geórgia a atacar a
região da Ossétia do Sul. Ele disse ainda que as autoridades de Defesa russas
disseram a ele que isso foi feito em benefício de um dos candidatos à
Presidência, embora ele não tenha nenhuma evidência que respalde a afirmação.
O vice-porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Robert Wood, classificou as
afirmações de Putin de "absurdas". "A Rússia é responsável pela crise", disse
Wood. "Os russos dizerem que eles não são responsáveis pelo que aconteceu na
Geórgia é absurdo... A Rússia é culpada pela crise e o mundo está respondendo
pelo que ela fez."
Quando disseram a Putin que muitos diplomatas nos EUA e na Europa culpam a
Rússia por provocar o conflito e por invadir a Geórgia, Putin disse que a Rússia
não teve opção a não ser invadir a Geórgia após dezenas de membros das tropas de
paz russas na Ossétia do Sul terem sido mortos. Ele disse que aquilo foi feito
para evitar uma calamidade humana.
O ex-presidente russo, ainda considerado o homem mais importante do país, disse
que estava desapontado com os EUA por não terem feito mais para impedir o ataque
à Geórgia. Putin disse também que falou com o presidente dos EUA em Pequim,
durante os Jogos Olímpicos. Segundo Putin, Bush disse que não queria guerra.
A região vive sob forte tensão desde o início do mês, quando a Geórgia, que é
aliada dos EUA, enviou tropas para retomar o controle sobre a Ossétia do Sul,
região separatista que declarou independência no começo dos anos 90. Moscou
reagiu à ofensiva porque apóia o pequeno território e mantêm forças de paz na
região. O conflito se estendeu, então, para a Akbházia.
Sanções
Nesta quinta-feira, a Rússia enfrenta um isolamento diplomático: seus aliados
asiáticos falharam em oferecer apoio claro ao governo e a França disse que os
líderes da União Européia estão considerando impor sanções contra o país.
A França, que atualmente ocupa a presidência da União Européia, convocou um
encontro dos líderes de governo da UE na próxima segunda-feira para discutir a
crise.
"Estão sendo consideradas sanções assim como outros meios", disse o ministro das
Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, respondendo a uma questão
durante uma entrevista coletiva.
"Estamos tentando elaborar um texto forte que irá mostrar nossa determinação em
não aceitar [o que está acontecendo na Geórgia]", disse. "Claro, há também
algumas sanções."
Também nesta quinta-feira, Medvedev não conseguiu garantir o apoio claro em um
encontro da Organização de Cooperação de Xangai (SCO, na sigla em inglês), um
grupo que reúne China, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e
Uzbequistão.
Em um texto divulgado após o encontro, os países afirmaram que "apóiam o papel
ativo da Rússia em sua contribuição para a paz e a cooperação na região", mas
ressaltaram sua "profunda preocupação" sobre a questão e que esperam que as
partes envolvidas se empenhem em um "diálogo pacífico" para resolver o conflito.
"Os Estados-membros da SCO expressam sua profunda preocupação com as tensões
surgidas recentemente sobre a questão da Ossétia do Sul e pedem que as partes
resolvam os problemas existentes através do diálogo pacífico e se empenhem em
esforços para a reconciliação e a retomada das conversas", afirma um documento
divulgado após a reunião.
Com agências internacionais
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