|
Militares bolivianos rebatem Chávez; países
vivem crise com EUA
Os militares bolivianos afirmaram nesta sexta-feira que rejeitam qualquer
intervenção militar internacional no país, que passa por uma grave crise
política. O grupo faz referência à oferta de intervenção feita pelo presidente
venezuelano, Hugo Chávez, em caso de ameaça contra o presidente boliviano, Evo
Morales.
O boliviano Gustavo Guzmán e o venezuelano Bernardo Alvarez
Ontem (11), em mensagem transmitida pela TV estatal da Venezuela, Chávez afirmou
que, "se derrubarem ou matarem Evo", "os golpistas da Bolívia sabem que me
dariam luz verde para apoiar qualquer movimento armado" naquela país. Os
"golpistas" aos quais Chávez se refere são grupos anti-Morales que realizam
protestos freqüentes e violentos em cinco dos nove departamentos (Estados) do
país, nos últimos dias.
"Ao presidente da Venezuela, o senhor Hugo Chávez, e à comunidade internacional,
dizemos que as Forças Armadas rejeitam enfaticamente intervenções internacionais
de qualquer tipo, não importa de onde venham", disse comandante-em-chefe Luis
Trigo, também na TV. "Não permitiremos que nenhum soldado ou força armada
estrangeiros ponham pé em nosso solo."
O comunicado dos militares contra Chávez cria uma rusga entre os dois países,
que estão atualmente envolvidos em uma crise diplomática com os Estados Unidos.
Essa crise diplomática começou na quarta-feira (10), quando Morales acusou os
EUA de apoiar seus opositores, que têm aspirações separatistas. Ele,
conseqüentemente, expulsou do país o embaixador americano em La Paz, Philip
Goldberg. No dia seguinte, Washington fez o mesmo com o embaixador boliviano
Gustavo Guzman.
Os embaixadores americanos Philip Goldberg e Patrick Duddy
Ontem (11), Chávez se envolveu no embate entre Morales e os EUA ao também
expulsar de Caracas o embaixador americano Patrick Duddy --que, na realidade, já
estava nos EUA havia alguns dias, de acordo com a agência de notícias Efe. Nesta
sexta-feira, em nova reação, os EUA expulsaram o embaixador venezuelano,
Bernardo Alvarez Herrera.
"Lamentamos as ações tanto do presidente Hugo Chávez quando do presidente Evo
Morales de expulsar nossos embaixadores na Venezuela e na Bolívia,
respectivamente. Isso reflete a fraqueza e o desespero que desses líderes ao
enfrentar problemas internos", disse porta-voz do Departamento de Estado
americano, Sean McCormack.
O porta-voz ressaltou acreditar que as acusações feitas contra os embaixadores
sejam falsas. "E os líderes daqueles países sabem disso."
Nesta sexta, os EUA anunciaram ainda sanções a três venezuelanos do alto
escalação do governo daquele país --Hugo Armando Carvajal Barrios, Henry de
Jesus Rangel Silva, e o ex-ministro venezuelano, Ramon Emilio Rodriguez Chacin.
Os três são suspeitos de ligação com o tráfico de drogas. De acordo com o
Departamento de Estado, as sanções não estão ligadas à crise diplomática.
Bolívia
Os departamentos nos quais a atuação dos anti-Morales tem sido mais forte são
aqueles que têm governadores de oposição --Santa Cruz, Pando, Beni, Tarija e
Chuquisaca.
Desde o começo da semana, os enfrentamentos entre os opositores, as forças de
segurança e os grupos pró-Morales --como os camponeses-- tem sido freqüentes e
violentos. Ontem, no departamento de Pando, um confronto deixou oito camponeses
mortos. Antes, explosões já tinham prejudicado o envio de gás natural do país
para o Brasil.
Os anti-Morales reivindicam que o governo devolva aos seus departamentos a renda
oriunda do petróleo que, desde janeiro passado, é destinada a um programa
nacional de assistência aos idosos. Eles rejeitam o projeto da nova Constituição
e pedem autonomia.
Com France Presse e Reuters
|