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Baixo comparecimento pode reverter favoritismo de Obama nas pesquisas


A campanha presidencial do democrata Barack Obama tem como um de seus maiores trunfos a mobilização de eleitores jovens e negros. Contudo, como nos Estados Unidos o voto não é obrigatório, a grande questão é se este entusiasmo vai efetivamente levar novos eleitores às urnas para confirmar o favoritismo democrata nas pesquisas.


Uma pesquisa divulgada recentemente pelo jornal "The Wall Street Journal" aponta que 69% dos eleitores novos ou que não votaram nas últimas eleições planejam votar por Obama, um aumento de oito pontos percentuais em apenas um mês. Apenas 27% apontaram preferência pelo republicano John McCain.

Democrata Barack Obama (esq.) enfrenta o republicano John McCain (dir.) nesta terça-feira em disputa que pode surpreender
Contudo, a enquete também aponta que 66% destes eleitores afirmam que vão definitivamente enfrentar as filas e as confusas cédulas de votação para declarar seu voto pelo senador por Illinois. O número sobe para 90% entre todos os eleitores registrados.

"Os jovens têm outras prioridades, muitas coisas acontecendo em suas vidas. A base conservadora é mais confiável, formada por aposentados e empresários que facilmente destinarão parte de seu dia para votar", avalia Richard Johnston, cientista político especialista em comparecimento às urnas.

Johnston explica que o eleitor tradicional americano é mais velho, da classe média ou alta, branco e não-hispânico. "Um perfil que claramente favorece os republicanos", afirmou, em entrevista por telefone à Folha Online, da Pensilvânia.

A pesquisa do "Wall Street", realizada em parceria com a rede NBC, mostra que os novos eleitores estão, contraditoriamente, menos interessados na disputa --o que pode resultar em um comparecimento menor no dia da eleição. Segundo a enquete, 59% estão "muito interessados" nas eleições de novembro. Entre todos os eleitores registrados, o número salta para 81%.

Assim, as apostas de McCain estão todas no dia 4 de novembro, quando, ele espera, os eleitores republicanos irão em peso às urnas para garantir a ele alguns Estados que, nas pesquisas, dão margem ao rival democrata. "A pesquisa que vale é a do dia 4 de novembro", repete o senador, em seus comícios, acrescentando sempre que a disputa ainda não acabou.

A história também aponta possíveis surpresas para a votação desta terça-feira. Os presidenciáveis democratas Al Gore e John Kerry também esperavam grande comparecimento dos jovens, empolgados com suas campanhas. Ambos se decepcionaram e perderam a Casa Branca para o republicano George W. Bush, em 2000 e 2004 respectivamente.

Raça

A compensação para a incerteza do comparecimento dos jovens está, apontam os analistas, em outro grupo de comparecimento tradicionalmente baixo, mas que deve surpreender neste ano: os eleitores negros. 
 

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