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França revoga anulação de casamento por
falta de virgindade
Um tribunal de apelações da França revogou uma decisão que anulava o casamento
de um casal muçulmano depois que o marido descobriu que a noiva não era virgem.
A Justiça da cidade de Lille, no norte do país, que originalmente concedeu a
anulação do casamento, havia concluído que o homem foi enganado a respeito de
uma "qualidade essencial" de sua noiva.
Os dois estão efetivamente casados novamente agora, apesar de terem aceitado o
veredicto do julgamento original.
O caso, envolvendo um francês convertido ao islamismo e uma estudante
universitária originária do norte da África, causou grande polêmica na França
--o que obrigou a Justiça a rever a decisão.
Feministas afirmaram que a decisão de anular o casamento era uma fatwa, um
decreto religioso, contra a liberdade das mulheres.
Mas os advogados do noivo afirmavam que o caso não tinha nada a ver com
religião. Segundo eles, a esposa desrespeitou o contrato de casamento e enganou
o marido.
Segundo o código civil francês, um casamento pode ser anulado se um cônjuge
mentir a respeito de uma "qualidade essencial" do relacionamento.
Abuso de confiança
O engenheiro de cerca de 30 anos se casou com a enfermeira em treinamento em
2006. Ela teria dado garantias de que nunca teve um namorado.
A mulher admitiu depois que mentiu sobre sua virgindade e aceitou a decisão do
tribunal.
O advogado da mulher afirmou que ela não contestaria o veredicto e simplesmente
queria seguir com a própria vida.
Na época, a ministra da Justiça francesa, Rachida Dati, disse que a anulação era
legalmente válida, porque se tratava de um caso de abuso de confiança entre o
casal e não um caso relativo à virgindade em si.
Por fim, no entanto, a ministra ordenou a revisão do veredicto, que foi apontado
por setores da sociedade como "uma verdadeira fatwa contra a emancipação das
mulheres".
Feministas afirmaram que a decisão não era justa porque uma mulher não
conseguiria cancelar o casamento se avaliasse que o marido não era virgem.
Críticos também perguntaram se o juiz teria tomado a mesma decisão se o
casamento não fosse entre dois muçulmanos.
Segundo a correspondente em Paris, Emma Jane Kirby, parlamentares
alegaram que a decisão de anulação era incompatível com os princípios de
secularismo vigentes na França.
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