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Primeiro-ministro tailandês diz que não
renuncia e promete punir manifestantes
O primeiro-ministro Somchai Wongsawat disse nesta quarta-feira, em discurso à
nação pela TV, que o seu mandato é legítimo e que não irá renunciar ao cargo,
como pedira, mais cedo, o chefe do Exército, o general Anupong Paochinda. Ele
disse também que o governo realizará uma reunião de emergência nesta
quinta-feira (27) para discutir as medidas a serem tomadas em relação a
manifestantes anti-governo que cometeram infrações.
Os protestos contra Somchai começaram seis meses atrás, porém se intensificaram
na madrugada desta quarta-feira com a tomada, por milhares de manifestantes, do
aeroporto internacional de Suvarnabhumi, onde estava previsto o pouso do avião
de Somchai --no final, para evitar confrontos, o vôo foi desviado.
Todos os vôos agendados no terminal nesta quarta-feira foram cancelados.
Milhares de turistas estrangeiros estão impedidos de deixar o país.
Os manifestantes são, em sua maioria, simpatizantes da Aliança do Povo para a
Democracia (APD). Para o grupo, Somchai é um mero aliado do ex-primeiro-ministro
Thaksin Shinawatra, derrubado por um golpe de Estado promovido pelo Exército em
2006. Thaksin está foragido da Justiça tailandesa, onde responde a acusações de
corrupção e abuso de poder. Para os anti-governo, Thaksin só foi eleito porque o
sistema eleitoral do país é suscetível à venda de votos entre a maioria da
população, rural.
O chefe do Exército, Paochinda, afirmou estar disposto a declarar estado de
emergência no país e aconselhou Somchai a pedir a dissolução do Parlamento e
convocar novas eleições.
Ele, no entanto, ressaltou que não planeja realizar um novo golpe de Estado
pois, na sua opinião, isso não solucionaria o abismo que existe entre elite de
Bancoc, que despreza o ex-primeiro-ministro, e as massas rurais, que o amam.
Prejuízos
Os protestos começaram há seis meses, mas intensificaram nesta madrugada com a
tomada, por milhares de manifestantes, do aeroporto internacional Suvarnabhumi.
Os dois principais episódios de violência desta quarta-feira foram a explosão de
duas bombas. Uma explodiu no aeroporto Suvarnabhumi às 5h (20h desta
terça-feira, no horário de Brasília) e deixou uma pessoa ferida; e outra
explodiu às 6h40 (21h40 desta terça-feira, no horário de Brasília) no aeroporto
internacional de Don Muang e feriu três pessoas.
Na cidade de Chiang Mai, no norte do país, um homem com aproximadamente 50 anos
que militava contra o governo foi arrancado do carro e morto a tiros --foi o
primeiro grave ato de violência ocorrido fora de Bancoc. Fontes policiais
disseram à agência Reuters que o filho do homem possui uma pequena estação de
rádio anti-governo.
Grupos pró-governo já acusam os manifestantes de cometer atos terroristas.
"Haverá guerra com certeza", disse um antigo integrante do principal partido
anti-APD, o Aliança Democrática contra a Ditadura (Daad, na sigla em inglês).
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