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Promotor descarta envolvimento de Obama em
esquema de corrupção em Ilinois
da Efe
O promotor federal Patrick J. Fitzgerald disse nesta terça-feira que o
presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, não tem relação ou
conhecimento da manipulação do governador de Illinois, Rod Blagojevich, de
"leiloar" seu assento no Senado.
Governador de Illinois, Rod Blagojevich, e assessor detidos por suspeita de
corrupção
Hoje, a Procuradoria de Illinois acusou Blagojevich, e seu chefe de gabinete,
John Harris, de conspirarem para obter benefícios pessoais em troca da indicação
para o substituto de Obama no Senado. De acordo com Fitzgerald, o governador
negociava o cargo com dois possíveis candidatos, que não são nomeados, dispostos
a pagar entre US$ 500 mil e US$ 1 milhão por uma vaga no Senado.
De acordo com o promotor, Blagojevich queria o dinheiro antecipadamente. Ele
destacou ainda que outros dos benefícios buscados pelo governador no futuro
governo de Obama era ser designado Secretário de Saúde e Serviços Humanos,
Secretário de Energia ou uma embaixada.
No entanto, esclareceu que o presidente eleito não foi mencionado na
investigação, que, por enquanto, se limita ao governador e a seu chefe de
gabinete.
O promotor do Distrito Norte de Illinois informou que Blagojevich e seu chefe de
gabinete, John Harris, foram detidos e são acusados de corrupção. "É um dia
muito triste para Illinois", afirmou o advogado, para quem "até (Abraham)
Lincoln se reviraria no túmulo" ao ser informado das práticas políticas em seu
Estado.
Fitzgerald disse que as acusações formuladas contra Blagojevich surgiram de
grampos telefônicos feitos com autorização de um juiz, a partir do momento em
que Obama renunciou a seu assento, após ter sido eleito nas eleições de 4 de
novembro.
Investigação
Microfones colocados no comitê de campanha do governador e em seu telefone
permitiram gravá-lo quando disse que a indicação do substituto de Obama era
"ouro", e que ele não estava disposto a formular a nomeação "em troca de nada".
A Promotoria afirma que o governador teria conspirado para "vender ou trocar" o
assento no Senado por "benefícios financeiros ou de outro tipo", para proveito
próprio ou de sua esposa Patty. O promotor ressaltou que, nas gravações, teria
ficado claro que o governador "não estava preocupado com a ilegalidade de seu
ato, mas com a possibilidade de que o enganassem".
Fitzgerald destacou que Blagojevich considerou nomear a si próprio para o cargo
de Senador, como forma de melhorar sua imagem com a intenção de ser candidato
presidencial em 2016. Além disso, outra idéia seria evitar um possível
julgamento político da Assembléia Legislativa de Illinois, pelas acusações e
suspeitas de corrupção em seu governo.
Blagojevich pretendia entrar em contato com grandes corporações que fossem úteis
quando deixasse o cargo público, e facilitar o emprego de sua esposa como
lobista. O agente especial Robert Grant, chefe do FBI (polícia federal
americana) em Chicago e encarregado da investigação, afirmou que a detenção de
Blagojevich deveria servir de advertência de "que não são toleradas em Illinois
as negociatas de sempre".
Para o agente, "vender o cargo para obter lucro pessoal é coisa do passado".
Grant admitiu que não podia afirmar que Illinois fosse um dos Estados mais
corruptos dos Estados Unidos, ao ser perguntado sobre isso aos jornalistas. "Não
posso afirmar, porque não tenho ponto de comparação com os outros 49 Estados,
mas seguramente é um grande concorrente ao título", disse.
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