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Escândalo levou Obama a prestar depoimento antes mesmo
de tomar posse
da Folha Online
Nas três últimas décadas, todo presidente americano foi obrigado a falar com
procuradores federais em algum momento. O presidente eleito Barack Obama, porém,
pode ter alcançado mais um recorde ao fazê-lo antes mesmo de tomar posse,
observa o diário "The New York Times" nesta quinta-feira.
Conforme o jornal, na semana passada, Obama teve uma reunião com dois
procuradores e dois agentes do FBI (a polícia federal americana) sobre a
denúncia de que o governador de Illinois, Rod Blagojevich, tentava vender a vaga
dele no Senado. Obama compareceu com o advogado pessoal, Robert F. Bauer, e um
sócio dele.
O encontro durou duas horas e não foi gravado nem realizado sob juramento. De
acordo com o "NYT", entretanto, um dos agentes do FBI e o sócio do advogado de
Obama fizeram muitas anotações, "e é sempre ilegal mentir a investigadores
federais". "Mais como testemunha que como alvo, Obama teve uma entrevista mais
calma do que as dos seus predecessores. Mas, certamente, não era assim que ele
queria iniciar sua Presidência", afirma o "NYT".
"O cara nem escolheu o smoking para o baile e já há um procurador querendo falar
com ele", disse o advogado Robert S. Bennett, que trabalhou com diversos
congressistas, secretários e com o ex-presidente Bill Clinton (1993-2001).
Outra mudança em relação aos predecessores foi a forma como Obama não relutou em
dar explicações. "No passado, alguns presidente só colaboraram com procuradores
ou tribunais de forma relutante, atrasando ou tentando manobras para limitar seu
envolvimento com base em preocupações sobre suas prerrogativas como chefes do
Executivo."
Desta vez, porém, nunca houve dúvida de que Obama estaria disposto a responder
questões. Se, por um lado, isso ocorreu porque ele não estava necessariamente
envolvido no caso, por outro, seria mais difícil um presidente eleito que a um
presidente empossado alegar sigilo de algum aspecto de uma conversa.
Os depoimentos de presidentes americanos tornaram-se comuns depois do início da
década de 70, com o caso Watergate. Na época foi descoberto um sistema de
escutas para vigiar os integrantes do Partido Democrata, que fazia oposição ao
então presidente, Richard Nixon. O caso levou Nixon a renunciar, em 1974.
Depois disso, Gerald Ford depôs, por meio de uma gravação, no júri de uma mulher
que tinha tentado mata-lo; Jimmy Carter depôs em várias ações contra terceiros;
Ronald Reagan, após deixar a Casa Branca, depôs, também por meio de uma
gravação, no júri de um assessor; e George H. W. Bush depôs quando ainda era
vice-presidente.
Bill Clinton depôs ao menos dez vezes, principalmente no caso envolvendo a
estagiária Monica Lewinsky; e o atual presidente, George W. Bush, depôs sobre o
vazamento da identidade de uma agente da CIA (a agência de inteligência
americana).
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