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Raras, serpentes do litoral
correm riscos
Um boa parte da biodiversidade das serpentes do
litoral paulista está ameaçada de extinção. O
risco ocorre porque essas espécies vivem em
ilhas sob pressão ambiental.

O primeiro inventário desses animais feito para
18 ilhas do Estado revelou a existência de 36
espécies de apenas quatro famílias. Deste total,
44% são consideradas "raras" e outras 25% "pouco
freqüentes".
"As serpentes estão entre os animais mais
perseguidos pelos humanos, pois elas podem
causar inúmeros acidentes. As ilhas do litoral
do Estado, em sua maioria, são habitadas por
populações humanas, o que pode extinguir essas
espécies sem que possamos conhecê-las", explica
à Folha o pesquisador Paulo Cicchi, da Unesp
(Universidade Estadual Paulista), em Botucatu.
Ele é um dos autores do inventário.
O biólogo, ao lado de outros colaboradores,
rastreou todas as coleções herpetológicas (de
serpentes) existentes no Sudeste do Brasil.
E, além disso, coletou espécies na natureza em
11 ilhas. Entre os locais estudados estão áreas
bastante conhecidas, como ilha Anchieta e ilha
de São Sebastião (do arquipélago de Ilhabela),
ambas no litoral norte; ilha de Santo Amaro
(onde está o Guarujá), além de Cananéia e ilha
do Cardoso, ambas situadas no litoral sul.
Em Bertioga, na ilha do Monte de Trigo, os
pesquisadores não conseguiram encontrar nenhuma
espécie. Dados levantados no local indicam que
elas foram exterminadas pela ação humana.
"Muitas dessas áreas são zonas privadas, o que
dificulta bastante a conservação", explica
Marcelo Duarte, do Instituto Butantan de São
Paulo, outro autor do inventário, que foi
publicado na revista "Biota Neotropica". Das 18
áreas de estudo, apenas três têm zonas sob
proteção ambiental.
No caso, por exemplo, das ilhas de Queimada
Grande e de Alcatrazes, apesar de as espécies
jararaca ilhoa e jararaca alcatrazes serem
exclusivas dessas regiões, além de abundantes,
elas não estão livres de desaparecer.
"Pela vulnerabilidade desses dois locais, as
serpentes que vivem nessas ilhas já estão sob
perigo de extinção", avisa Cicchi, pesquisador
da Unesp.
Cobras à vista
Apesar do quadro preocupante da biodiversidade
das serpentes paulistas que vivem em ilhas, os
pesquisadores conseguiram ampliar a ocorrência
de 13 espécies com esse novo estudo. "Neste
caso, os animais nunca haviam sido identificados
nas ilhas, apenas no continente", afirma Duarte.
A coral-verdadeira, pelo inventário, é a espécie
mais comum nas ilhas paulistas. Do total de
grupos catalogados pela pesquisa, 31% foram
classificados como freqüentes.
Segundo Cicchi, pesquisadores no mundo todo,
hoje, tentam entender por que as ilhas são
ambientes muito vulneráveis. E, a partir do
conhecimento sobre quais plantas e animais
existem nesses locais, será mais fácil preservar
a biodiversidade dessas regiões.
"Ninguém entende que a maioria das serpentes é
inofensiva e não causa riscos. E, além disso,
elas são importantes tanto do ponto de vista
biológico, quanto utilitário."
O pesquisador do Butantan lembra que hoje o
veneno de algumas cobras tem sido usado pela
medicina. "No caso da floresta, como grande
parte das serpentes se alimenta de anfíbios,
elas são fundamentais para a manutenção da
cadeia alimentar."
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