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Mudanças climáticas ameaçam sobrevivência de
aves
Madeline Chambers
Uma de cada oito aves do mundo está ameaçada de
extinção devido ao aquecimento global, afirmou
um importante grupo ambientalista na
segunda-feira.
As populações de aves raras como o rouxinol
floreana, das ilhas Galápagos, ou o maçarico de
bico de colher, que se reproduz no norte da
Rússia e passa os invernos no sul da Ásia,
diminuíram acentuadamente e esses animais podem
extinguir-se, afirmou em um relatório a União
Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
O documento Lista Vermelha das Aves, de 2008,
publicado no primeiro dia de uma conferência da
Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a
biodiversidade que ocorre entre os dias 19 e 30
de maio, em Bonn (Alemanha), disse que 1.226
espécies de ave encontram-se ameaçadas.
O relatório anual, que possui grande respaldo
entre os ambientalistas, acrescentou oito das 10
mil espécies de ave do mundo à categoria de
criticamente ameaçada, o maior grau de risco.
"A versão mais recente da Lista Vermelha da IUCN
mostra que as aves enfrentam uma pressão enorme
devido às mudanças climáticas," disse Jane Smart,
chefe do Programa de Espécies da IUCN. A
entidade reúne governos, grupos ambientalistas e
cientistas.
Períodos prolongados de seca e alterações
climáticas bruscas fragilizam cada vez mais
habitats dos quais as aves dependem, afirmou o
documento, observando que os casos de extinção
estão ocorrendo em áreas continentais, e não em
ilhas, onde esse tipo de fenômeno costumava ser
mais comum.
Maçaricos, felosas
Entre as espécies incluídas na lista de aves
ameaçadas estão o maçarico da Eurásia e a felosa
de Dartford, que vivem na Europa e no noroeste
da África.
Ambos encontravam-se antes na categoria Menos
Ameaçados. "Conclamamos os governos a levar a
sério a informação contida no relatório e a
fazer o máximo para protegerem as aves do
mundo", afirmou Smart.
O Painel Internacional sobre as Mudanças
Climáticas (IPCC), um órgão ligado à ONU, disse
que a queima de combustíveis fósseis vem
alimentando o aquecimento global.
O relatório da IUCN afirmou que o Brasil e a
Indonésia possuem os maiores números de espécies
ameaçadas, com 141 e 133 respectivamente. O
grupo citou várias outras espécies cuja
população diminui rapidamente.
Entre essas está o maluro de Mallee. O habitat
dessa ave tornou-se tão fragmentado que um único
incêndio florestal pode ter consequências
catastróficas, afirmou o relatório.
Nas ilhas Galápagos, a população do rouxinol
floreana caiu para menos de 60 indivíduos ¿em
1996, estimava-se que essa cifra fosse de 150. E
hoje o animal consta da lista dos criticamente
ameaçados porque é extremamente vulnerável a
fenômenos meteorológicos extremos.
O documento citou também algumas espécies cuja
situação melhorou devido a esforços de
conservação, entre as quais o pombo imperial
marquesano e o kiwi pintado.
Cerca de 4 mil delegados participam da Convenção
sobre a Biodiversidade, onde pretendem discutir
formas de garantir a sobrevivência de uma série
de espécies e de tentar diminuir a velocidade de
extinção de várias plantas e animais.
Reuters
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