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Após parto, golfinho assobia para que filhote a
reconheça
Anna-Marie Lever
Golfinhos-nariz-de-garrafa assobiam dez vezes
mais do que o normal depois de dar à luz para
ajudar o filhote a reconhecer a "mãe". A
descoberta de pesquisadores americanos foi
publicada na revista acadêmica Marine Mammal
Science.
AP

Arquivo: foto mostra golfinho filhote e sua mãe
Esses "assobios-assinatura" são únicos para cada
animal, por isso permitem que sejam usados como
identificação. Os golfinhos-nariz-de-garrafa são
altamente sociáveis. Nas suas primeiras semanas,
os filhotes encontram muitos animais adultos que
poderiam confundir com a mãe.
"A explicação mais óbvia para o aumento na
produção do assobio-assinatura pela mãe é a
necessidade de ela estar em contato com seu
filhote", disse a zoóloga Deborah Fripp, do
zoológico de Dallas.
Ela diz, no entanto, que o fato de a freqüência
do assobio cair depois de três semanas não
confirma essa teoria, já que os filhotes tendem
a passear para ainda mais longe da mãe à medida
que crescem.
Por isso, na opinião de Fripp, o objetivo do
assobio logo depois do parto é iniciar um
processo rápido de aprendizado chamado de
imprinting, que acontece muito cedo na vida dos
animais sociais e estabelece um padrão de
comportamento e, nesse caso, permite que os
golfinhos reconheçam suas mães.
Roubo
Em algumas espécies de aves, esse processo de
aprendizado acontece nas primeiras horas de vida
do filhote. Em alguns mamíferos, acontece nas
primeiras semanas.
O processo também ajuda a evitar que as fêmeas
roubem os recém-nascidos de suas mães, incidente
registrado entre os golpinhos-nariz-de-garrafa.
Fripp investigou o uso do assobio maternal em
quatro golfinhos em cativeiro no zoológico
Kolmardens Djurpark, em Kolmarden, na Suécia -
Nephele, Vicky, Delphi e Lotty.
Cada uma delas tinha o seu próprio filhote.
Assim que Lotus, filho de Lotty, nasceu, Vicky o
roubou e o levou para a superfície. Lotus ficou
com Vicky até o sexto dia quando foi retirado da
piscina para um dia de tratamento médico. Na
volta, ele foi recuperado pela mãe Lotty.
"Esses incidentes geralmente acontecem no
primeiro dia de vida do animal. Depois, esse
tipo de roubo é mais raro porque, então, o
processo de aprendizado já teve início", diz
Fripp.
Infelizmente, três golfinhos morreram dentro de
duas semanas de vida. Apenas Lotus sobreviveu.
"A taxa de mortalidade foi alta, mas não é
representativa", disse Fripp. "Infelizmente, com
apenas um golfinho sobrevivendo até a terceira
semana, e esse sendo um golfinho que teve uma
primeira semana atípica, a evidência para
mostrar como ocorre o retorno aos níveis normais
de produção do assobio-assinatura não é forte.
Será necessário realizar novas pesquisas",
concluiu Fripp.
BBC Brasil
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