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Aquecimento global emagrece
baleias-cinzentas
As baleias-cinzentas do Pacífico Norte, que
habitam as águas árticas entre a Baixa
Califórnia e o Estreito de Bering, estão
perdendo peso devido ao aquecimento global,
que provocou escassez do alimento de verão
destes mamíferos, alertaram cientistas.
Estas baleias, que estiveram ameaçadas de
extinção pela pesca, sofrem agora a ameaça
do aquecimento de suas águas, devido em
grande parte (e novamente) à atividade dos
seres humanos.
De acordo com Steven Swartz, chefe de uma
unidade de Pesquisa do Serviço Nacional
Americano da Pesca Marítima, "as
baleias-cinzentas migram mais tarde, já não
vão tão ao norte e têm menos crias".
Swartz, que estuda as baleias nesta região
do planeta desde 1977, lembrou que esta
espécie viu morrer até um terço de sua
comunidade em 1999, quando o fenômeno El
Niño afetou sua cadeia alimentar, por causa
do desaparecimento do plâncton, do qual
dependem os mariscos que estes cetáceos
comem.
Pouco antes deste fenômeno climático, as
baleias-cinzentas haviam sido retiradas da
lista de espécies em extinção, quando sua
comunidade voltou a crescer, após as medidas
contra a pesca com arpão.
Cientistas da Universidade Autônoma da Baixa
Califórnia do Sul (México) estudaram de
perto, desde 1996, as migrações e os ciclos
de reprodução das baleias e esperam com
preocupação as últimas estatísticas, que
estão sendo preparadas.
"Não encontramos provas de uma epidemia na
população" destas baleias, explicou Swartz.
"Quando vivem momentos difíceis (com o
clima) e há menos alimentos, as baleias não
se reproduzem. É possível que elas se
reproduzam em outros lugares, mas há muitas
pessoas observando-as e não descobriram isso
ainda", acrescentou.
A lagoa de San Ignacio, um dos lugares onde
elas se reproduzem na península da Baixa
Califórnia, pode ser vista como indicador da
taxa de reprodução da espécie, de acordo com
Swartz. No início dos anos 80, cerca de 350
baleias nasciam nestas águas a cada
fevereiro. Este ano, o número não chegou nem
perto de 100.
Cerca de 10.000 km mais ao norte, onde
termina a rota migratória que elas fazem
todos os anos, a enseada Chirikov, no mar de
Bering, entre Alasca e Rússia, é considerada
o ponto principal onde estes cetáceos se
alimentam.
O aumento das temperaturas no presente
diminuiu, porém, o crescimento das algas e o
plâncton do qual se nutrem os animais
marinhos dos quais as baleias se alimentam.
Os sinais de seu emagrecimento são bastante
claros, já que 10% de sua população está em
condições de debilidade, alertou Swartz.
Segundo o especialista, "as fotos mostram
seu dorso flácido, pode-se ver as costelas e
elas têm parte de sua cauda côncava".
De acordo com Susan Moore, colega de Swartz
em Seattle, as baleias-cinzentas são
"sentinelas do mar", porque são o produto de
um meio ambiente marinho particular, que vai
do México ao Alasca. Assim como as morsas e
os ursos polares, hoje, infelizmente,
representam os primeiros indicadores de uma
crise ecológica.
Swartz espera que estas baleias, que estão
nesses mares há 30 milhões de anos e já
sobreviveram a dois períodos glaciais,
consigam se adaptar novamente. "São animais
muito resistentes, mas hoje vivem momentos
muito difíceis", completou.
Aquecimento global não é provocado pelo Sol,
diz estudo
Atividade do astro diminuiu nos últimos 20
anos, embora temperatura aumentou
SÃO PAULO - Um novo estudo científico
concluiu que mudanças na atividade do
Sol não
podem estar causando mudanças climáticas no
mundo moderno. O estudo mostra que nos
últimos 20 anos a atividade do Sol diminuiu,
embora temperaturas na Terra tenham
aumentado.
Ele mostra ainda que as temperaturas
modernas não são determinadas pelo efeito do
Sol em raios cósmicos (um tipo de radiação
emitida por estrelas e galáxias), como foi
alegado. Por esta teoria, os raios cósmicos
ajudam a formação das nuvens ao fornecer
pequenas partículas em torno das quais o
vapor d´água pode se condensar.
De maneira geral, as nuvens resfriam a
Terra. Durante certos períodos de atividade
solar, raios cósmicos são bloqueados
parcialmente pela maior intensidade do campo
magnético do Sol. A formação de nuvens
diminui e a Terra se aquece.
Em artigo na revista científica da Sociedade
Real Proceedings A, os pesquisadores dizem
que raios cósmicos podem ter afetado o clima
no passado, mas não no presente. "Isto deve
resolver o debate", disse Mike Lockwood, do
Laboratório Rutherford-Appleton, no Reino
Unido, que realizou o novo estudo juntamente
com Claus Froehlich, do World Radiation
Center, na Suíça.
Lockwood iniciou o estudo em parte como
resposta ao documentário The Great Global
Warming Swindle (A Grande Enganação do
Aquecimento Global), exibido na televisão
britânica, que apresentou a hipótese dos
raios cósmicos.
"Todos os gráficos que eles mostraram
paravam por volta de 1980, e eu sei por que
- é porque as coisas mudaram depois
daquilo", disse Lockwood. "Não se pode
ignorar dados de que não se gosta", afirmou.
Tendência
A principal abordagem dos cientistas nesta
nova análise é simples: observar a atividade
do Sol e a intensidade dos raios cósmicos
nos últimos 30 ou 40 anos, e comparar estas
tendências com o gráfico para média global
das temperaturas da superfície, que aumentou
cerca de 0,4 graus nesse período.
O Sol varia em um ciclo de cerca de 11 anos
entre períodos de atividade intensa e baixa.
Mas este ciclo ocorre junto com outras
tendências de longo prazo e a maior parte do
século 20 viu um aumento leve, mas
persistente, da atividade solar.
Mas por volta de 1985, esta tendência parece
ter se revertido, com a atividade solar
diminuindo. Apesar disso, neste período
temperaturas subiram tão depressa, ou talvez
até mais depressa, do que qualquer época nos
cem anos anteriores.
"Este estudo reforça o fato de que o
aquecimento nos últimos 20 ou 40 anos não
pode ter sido causado por atividade solar",
disse Piers Forster, da Universidade de
Leeds, na Grã-Bretanha, um dos principais
cientistas que contribuíram para a avaliação
científica do clima feita pelo Painel
Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas
(IPCC, em inglês).
O relatório do IPCC apresentado em fevereiro
concluiu que gases do efeito estufa eram
cerca de 13 vezes mais responsáveis do que
as mudanças no Sol pelo aumento das
temperaturas na Terra.
Mas a organização foi criticada em algumas
áreas por não levar em conta a hipótese dos
raios cósmicos, desenvolvida por, entre
outros, Henrik Svensmark e Eigil
Friis-Christensen, do Centro Espacial
Nacional da Dinamarca.
A análise de Mike Lockwood parece ter
colocado um grande fim nesta hipótese
intrigante. "Eu acho que há um efeito dos
raios cósmicos sobre a cobertura oferecida
por nuvens. Funciona no ar marítimo limpo,
onde não há muito mais onde o vapor d´água
pode se condensar", afirmou.
"Pode até ter tido um efeito significativo
no clima pré-industrial. Mas não se pode
aplicar isto ao que estamos vendo agora,
porque estamos em uma situação completamente
diferente." Svensmark e Friis-Christensen
não foram encontrados para comentar o caso.
Leia sobre
escurecimento global
Camundongos promovem "chacina" de aves em
ilha
Uma infestação de camundongos na ilha
britânica de Gough vem promovendo uma
verdadeira chacina de aves, 300 vezes
maiores que seus atacantes, informa o jornal
científico online Biology Letters.
» Chat: tecle sobre a notícia
De acordo com o artigo, a presença de
camundongos na remota ilha localizada no
meio do Atlântico Sul parecia ser inofensiva
até agora. Uma gravação conduzida por
biólogos na ilha filmou o ataque de dezenas
de camundongos a ninhos de diversas espécies
de aves marinhas, incluindo albatrozes.
Com a morte freqüente de filhotes de aves
que não atingem a idade reprodutória, os
pesquisadores temem que algumas espécies já
ameaçadas cheguem à extinção.
Apesar de ter um território pequeno, a Ilha
de Gough abriga muitas espécies de aves
marítimas. De acordo com os autores da
pesquisa, desde o século XVII, 90% das
espécies de aves extintas viviam em ilhas.
Dessa cifra, a maioria foi ocasionada por
invasões de mamíferos, principalmente
roedores.
Segundo o levantamento, que começou em
setembro de 2004, até agora, dos 256
albatrozes monitorados pelos especialistas,
100 já foram mortos por camundongos.
Comunidades chinesas sofrem invasão de
bilhões de ratos
Estima-se que 2 bilhões de ratos estejam
destruindo as lavouras em 22 municípios ao
redor do Lago Dongting. Autoridades erguem
muros e escavam fossos
PEQUIM - Moradores de comunidades
localizadas ao redor de um lago chinês
tiveram suas lavouras tomadas por ratos,
depois que uma enchente forçou os roedores a
fugir de uma ilha, informa a mídia estatal
chinesa.
A invasão de ratos teve início em 23 de
junho, quando o Rio Yang tsé transbordou,
elevando o nível das águas no Lago Dongting
e submergindo tocas de ratos localizadas em
ilhas do lago, de acordo com a agência
Xinhua.
Agora, estima-se que 2 bilhões de ratos
estejam destruindo as lavouras em 22
municípios ao redor do Dongting. As
autoridades apressam-se para construir muros
e fossos para manter os ratos à distância.
Moradores da região já mataram um número
estimado em 2,3 milhões de ratos, ou 90
toneladas dos animais.
No Condado de Yiyang, um fosso escavado ao
longo da margem já está transbordando de
ratos. Moradores usam bastões e pás para
espancá-los até a morte.
A invasão de roedores deve piorar, à medida
que mais enchentes atingem as cabeceiras do
rio e o lago.
I sto é
apenas o inicio do que vem para a frente com
aquecimento global.
Problemas reprodutivos podem levar
rinocerontes a extinção
Problemas reprodutivos estão agindo como
"anticoncepcionais" entre rinocerontes
ameaçados de extinção na Malásia.
Especialistas dizem que a tendência pode
levar a espécie à extinção. Os rinocerontes
de Bornéu são "primos" dos de Sumatra,
filmados pela primeira vez neste ano.
Nesta semana, há um encontro de
especialistas em Bornéu para discutir a
questão. As maiores ameaças enfrentadas pela
espécie são a caça predatória e a
dificuldade em se reproduzir.
"Talvez porque eles vivam em partes
diferentes da floresta, eles raramente
tenham a ocasião de encontrar um parceiro",
disse o responsável pelo departamento de
vida selvagem no local, Laurentius Ambu, ao
jornal "New Straits Times".
No entanto, cientistas descobriram que
muitos machos sofrem de pouca produção de
esperma e muitas fêmeas têm cistos em seus
órgãos reprodutivos.
As tentativas do país em estimular a
reprodução em cativeiro não funcionaram, de
acordo com Ambu.
A organização não-governamental SOS Rhino
divulgou que muitas fêmeas mantidas em
cativeiro desenvolveram tumores no útero,
tendo dificuldade para engravidar.
"É mais uma doença psicológica originada a
desregulação de níveis hormonais e
estresse", disse a presidente da ONG, Nan
Schaffer.
Os chifres dos rinocerontes, feitos de
queratina, são usados na medicina
tradicional como afrodisíaco no país.
Com Reuters
IPCC: aquecimento pode elevar preços de
alimentos
O presidente
do Painel Intergovernamental sobre Mudanças
Climáticas da ONU (IPCC), Rajendra Pachauri,
destacou hoje que o aquecimento global
reduzirá as plantações nas regiões
tropicais, onde milhões de pessoas vivem da
agricultura, o que provocará um aumento dos
preços do setor.
"A mais afetada pela mudança climática será
a população mais pobre que depende
totalmente da agricultura", advertiu hoje
Pachauri durante uma entrevista coletiva. A
perda de áreas cultiváveis gerará a queda
das reservas agrícolas e, em conseqüência,
aumentará os preços de produtos do tipo,
advertiu.
Já na África, destacou Pachauri, ocorrerá um
declive da disponibilidade de água, o que,
junto com a redução de plantios, aumentará
os níveis de desnutrição. Ao mesmo tempo, os
países mais pobres, que provavelmente serão
os mais afetados pela nova situação
climática, não poderão importar produtos
agrícolas pelo alto preço que estes
alcançarão no mercado, alertou o responsável
pelo IPCC.
As áreas litorâneas também sofrerão grandes
danos com o aumento do nível do mar, que
subirá de 18 cm a 59 cm daqui até o final de
século, segundo o analista. Por tudo isso,
Pachauri pediu ao Conselho Econômico e
Social das Nações Unidas (ECOSOC), cuja
reunião anual acontece estes dias em
Genebra, que tenha um papel mais ativo nos
efeitos da mudança climática.
O responsável pelo IPCC também ressaltou que
"para se reduzir a poluição é preciso
estabelecer taxas para o comércio de
carbono". O último relatório do IPCC,
aprovado em maio, mostra que o
estabelecimento de uma taxa de US$ 50 por
tonelada de dióxido de carbono pode
contribuir para reduzir em entre 27% e 52%,
respectivamente, as emissões de gases. Caso
a taxa fosse de US$ 100 por tonelada, a
redução poderia ser de até 63%.
Atualmente, o nível de emissão é de 445
partículas de CO2 por milhão. Evitando o
aumento desse número, seria possível frear o
aumento da temperatura em 2°C, disse
Pachauri. Todas essas medidas para combater
o aquecimento global vão ser debatidas na
próxima Cúpula sobre a Mudança Climática,
que acontecerá na ilha indonésia de Bali no
começo de dezembro.
Mudança climática afetará mais cidadãos de
países pobres, diz OMS
da Efe, em Kuala Lumpur
A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou
hoje que a saúde dos cidadãos dos países
pobres pode sofrer em maior medida os
efeitos da mudança climática.
O coordenador do Departamento do Meio
Ambiente e Saúde Pública da OMS, Carlos
Corvalan, disse que na Ásia muitas das
regiões mais pobres têm uma localização
geográfica que será mais afetada pelas
mudanças do clima e que as infra-estruturas
destas nações no meio rural e urbano estão
menos preparadas.
"As inundações em cidades com uma
canalização deficiente podem gerar focos de
água estagnada, nos quais proliferam os
mosquitos transmissores de doenças como
dengue e malária", disse Corvalan.
O coordenador participa do segundo Seminário
sobre Mudança Climática e Saúde nos Países
do Sudeste e Leste Asiático, organizado pela
OMS na capital da Malásia, Kuala Lumpur,
entre 2 e 5 de julho.
O especialista afirmou que as secas podem
provocar uma migração em massa em direção às
cidades, o que saturaria o sistema de saúde,
e as ondas de calor poderiam estender o
habitat dos mosquitos transmissores do vírus
da malária, causando o aumento de infecções.
As ondas de calor provocam muitas mortes
diretas. Prova disso são as 70 mil mortes
causadas pelo fenômeno que castigou a Europa
em 2003, de acordo com Corvalan. Ele disse
que agora os países perceberam que o
aquecimento global não afeta apenas a
agricultura e a economia, mas principalmente
a saúde.
A OMS alertou para o transbordamento dos
lagos no Nepal devido ao degelo das geleiras
do Himalaia, para a proliferação da malária
no Butão e em Papua Nova Guiné e para o
aumento das inundações na Índia.
Participam do seminário, que termina na
quinta-feira, responsáveis de saúde de 17
países, como China, Camboja, Índia, Japão,
Malásia e Paquistão.
O objetivo do evento é discutir e apontar
estratégias para prevenir os efeitos da
mudança climática na saúde dos cidadãos
destas nações.
O diretor regional para a Ásia e região do
Pacífico da OMS, Shigeru Omi, disse que a
Malásia e os países do Sudeste Asiático
devem calcular o desenvolvimento econômico e
a conservação do meio ambiente.
Em sua opinião, os cidadãos têm consciência
dos assuntos ambientais, mas infelizmente
estão mais preocupados com o desenvolvimento
econômico. "Caso continuem focados
exclusivamente no lucro econômico, a terra
sofrerá", afirmou Omi.
Colônia de macacos em extinção é encontrada
no Vietnã
da France Presse, em Hanói
Uma colônia de langures-da-canela-cinza (Pygathrix
cinerea) foi localizada no Vietnã. A
descoberta é uma esperança para a
sobrevivência da espécie, ameaçada de
extinção.
Langures-da-canela-cinza estão entre os mais
ameaçados de extinção atualmente
Os cientistas do Fundo Mundial para a
Natureza (WWF) e da organização americana de
proteção do ambiente Conservation
International (CI) encontraram 116 desses
primatas no município de Que Phuoc, na
província central de Quang Nam.
Estima-se que essa localidade concentre mais
de 180 langures-da-canela-cinza. Como
somente apenas uma parte da região foi
monitorada, poderia haver mais deles em uma
região florestal próxima.
"É muito raro encontrar um grupo desse
tamanho em uma área pequena, em particular
quando se trata de uma espécie em extinção",
comentou Barney Long, do WWF. "Isso indica
que não foi afetado pela caça, como os
demais grupos conhecidos da espécie",
acrescentou.
Segundo os cientistas, esses macacos estão
entre os 25 primatas mais ameaçados do
planeta. A estimativa é que sua população
não chegue a mil exemplares atualmente.
Humanidade consome 24% da vegetação da
Terra, diz estudo
Nenhuma outra espécie tem um impacto tão
grande sobre a biosfera terrestre
Mapa mostra a fração da Produção Primária
Líquida, ou NPP, consumida pelo homem em
cada região da Terra, em 2000
SÃO PAULO - A espécie humana consome,
destrói ou impede que nasçam plantas
responsáveis por retirar quase 16 bilhões de
toneladas anuais de carbono da atmosfera.
Por meio da fotossíntese, as plantas fixam o
carbono como matéria vegetal. Esses 16
bilhões de toneladas representam quase 24%
de toda a produção vegetal potencial dos
continentes, de acordo com estudo publicado
nesta semana pelo periódico Proceedings of
the National Academy os Sciences (PNAS).
De acordo com os autores do trabalho,
nenhuma outra espécie consome tanto da
chamada Produção Primária Líquida (NPP, na
sigla em inglês) do planeta.
"Trata-se de um impacto notável na biosfera,
causado por apenas uma espécie", diz o
artigo, assinado por pesquisadores alemães e
austríacos, que se valeram de dados
estatísticos sobre produção agrícola,
pecuária e madeireira, além de mapas com
dados sobre o uso do solo e modelos
matemáticos, usados para estimar qual seria
o chamado NPP potencial, ou a cobertura
vegetal dos continentes caso a humanidade
não interferisse com os ecossistemas.
O trabalho destaca que áreas de cultivo e de
infra-estrutura são utilizadas de forma mais
intensiva, levando a uma média global de
apropriação humana do carbono que poderia
ser fixado pela vegetação da ordem de 83% e
73%, respectivamente. Essa apropriação é
menor em áreas de pasto (19%) e de
exploração extrativista de florestas (7%).
Em termos de divisão regional, o uso dos
recursos vegetais é maior no Extremo
Oriente, chegando a 63% de toda a produção
potencial, e menor na Ásia Central, com 12%.
Em algumas áreas isoladas, como em partes do
Oriente Médio, a apropriação humana dos
recursos vegetais chega a ser negativa.
Nessas áreas, o uso da tecnologia permite
que a matéria vegetal que sobra no ambiente,
após o consumo humano, seja ainda maior do
que o potencial natural estimado.
Dos 16 bilhões de toneladas de carbono
vegetal apropriados pela humanidade
anualmente, cerca de 8 bilhões assumem a
forma de colheitas agrícolas. Citando esse
dado, os autores do estudo sugerem que
"medidas para promover o uso de biomassa
para geração de energia" devem ser
"analisadas com cuidado", já que poderão
dobrar o nível atual de colheitas.
Mesmo reconhecendo que a adoção de técnicas
de agricultura intensiva podem aumentar a
produtividade sem aumentar a proporção da
vida vegetal apropriada pela humanidade, os
cientistas alertam para o impacto ecológico
negativo da intensificação da agricultura,
como o aumento no consumo de água e o risco
de contaminação por pesticidas.
Humanidade domesticou ecossistemas, afirma
estudo
da France Presse
Os seres humanos se espalharam tanto pelo
planeta que acabaram por "domesticar"
ecossistemas inteiros. Hoje, há poucas áreas
do globo sem algum tipo de presença ou
influência direta humana, dizem
ambientalistas.
"A natureza intacta não existe", afirma
Peter Kareiva, da ONG The Nature Conservancy.
"Encarar essa realidade demanda uma mudança
de foco na ciência ambiental", afirma, em
artigo na revista "Science".
Em 1995, por exemplo, apenas 17% da Terra
permanecia verdadeiramente selvagem --sem
assentamentos humanos, plantações, estradas
ou luzes noturnas detectadas por satélite.
Metade da superfície do globo é usada para a
agropecuária; mais da metade de todas as
florestas já desapareceu, e rotas marítimas
cruzam os oceanos em várias direções.
O número de represas é tão grande que hoje a
quantidade de água armazenada
artificialmente é quase seis vezes maior que
a que corre livremente, aponta Kareiva.
E cercar áreas naturais em forma de parques
--rodeados por lixo, poluição e espécies
exóticas- só ressalta a domesticação dos
ambientes.
"A vida selvagem é mais comumente uma
designação regulatória", diz o estudo.
Aquecimento global mata 77 mil por ano na
região da Ásia-Pacífico
da Efe, em Kuala Lumpur
Cerca de 77 mil pessoas morrem a cada ano na
região da Ásia-Pacífico por causas direta ou
indiretamente atribuídas à mudança
climática. A área concentra metade do total
registrado no mundo todo, informa a
Organização Mundial da Saúde (OMS).
"Já chegamos a um momento crítico no qual o
fenômeno do aquecimento global tem um grave
impacto sobre a vida e a saúde das pessoas",
diz em comunicado o diretor regional da OMS
para o Pacífico Ocidental, Shigeru Omi.
O problema "representará uma ameaça ainda
maior para a humanidade nas próximas
décadas, se não houver uma ação imediata",
acrescentou Omi.
Algumas possíveis conseqüências para a
região serão focos de mosquitos em áreas de
onde haviam sido erradicados, com o risco de
epidemias de malária e dengue, segundo a OMS.
A diminuição do nível de chuvas também
deverá aumentar os casos de doenças que têm
sua origem em águas estagnadas. Milhões de
pessoas podem ainda sofrer de desnutrição se
terrenos atualmente cultiváveis forem
arrasados por inundações, acrescentou o
representante do órgão.
Especialistas de 14 países estão na Malásia
para um fórum organizado pela OMS para
discutir os riscos para a saúde do
aquecimento global.
Morcegos que contraíram raiva são nocivos
por pouco tempo, diz estudo
da France Presse, em Paris
Um estudo a respeito da raiva entre os
morcegos conforta a decisão tomada pela
União Européia de proteger estes mamíferos,
afirma um estudo a ser publicado nesta
quarta-feira (27) pela revista americana "PloS
ONE". O vírus da raiva analisado não está
presente no Brasil.
O estudo, "o maior já realizado sobre
morcegos", ficou a cargo dos especialistas
Hervé Bourhy (Instituto Pasteur, Paris) e de
Jordi Serra-Cobo (Universidade de Barcelona,
Espanha).
Foram acompanhados mais de 800 morcegos
insetívoros da espécie Myotis myotis
(morcego rato-grande) nas ilhas Baleares, na
Espanha, por 12 anos.
Os pesquisadores calcularam o tempo durante
o qual um morcego infectado poderia
contaminar outro animal: cinco dias em
média.
Os estudiosos demonstraram que a infecção
pelo vírus responsável pela raiva não
provoca a morte dos morcegos e não modifica
seu comportamento, ao contrário do que
acontece entre os cachorros e as raposas,
por exemplo.
"Mesmo que nós tenhamos confirmado o risco
potencial de transmissão do vírus
responsável pela raiva dos morcegos ao
homem, nós também mostramos, pelo menos com
relação à espécie estudada, que este risco é
limitado no tempo", comenta Hervé Bourhy.
"A dinâmica da infecção entre os morcegos
põe em evidência a decisão tomada pela
Europa de proteger estes animais e de não
destruir as colônias nas quais há raiva",
disse ele.
"A única medida razoável hoje é, como o que
foi feito em Baleares, de proibir o acesso
às grutas que abrigam os morcegos
suscetíveis a serem infectados", afirma o
especialista.
A raiva, fatal e mais freqüentemente
transmitida por cães, causa cerca de 50 mil
mortes por ano no mundo. Não há tratamento
após a instalação da doença --a única
possibilidade de combatê-la é por meio de
tratamento preventivo, com vacina.
Os morcegos estão na origem de poucos casos
entre humanos. Na Europa, apenas quatro
foram registrados desde 1985: um na
Finlândia, um na Escócia, um na Ucrânia e um
na Rússia.
As unidades do Instituto Pasteur em Paris e
Túnis coordenam o programa (www.rabmedcontrol.org)
financiado pela União Européia, com o
investimento de aproximadamente R$ 2,8
milhões em três anos. A intenção é eliminar
a raiva da África do Norte. A doença provoca
centenas de mortes por ano na região.
Na França e na União Européia é proibido
matar, capturar ou comercializar morcegos.
Tocar em um animal doente ou morto é algo
desaconselhável.
Italianos provam existência de cabra
montanhesa albina
Guardas-florestais italianos provaram a
existência de uma cabra montanhesa albina
pela primeira vez. O apelido do animal é
"Floco de Neve". Normalmente as cabras
montanhesas possuem um tom de marrom.
A foto foi tomada por guardas florestais na
Itália; cabra possui cerca de um ano de
idade
O guardas fotografaram a cabra albina com um
outro exemplar da espécie neste domingo (24)
na região do Vale d'Aosta, de acordo com
Christian Chioso, um responsável regional
pela vida selvagem. O responsável acredita
que o outro indivíduo que aparece na foto
seja um "parente" da cabra albina.
"É a primeira já documentada, a única já
vista", disse Chioso na segunda-feira (25).
Ele disse que albinos são raros em todas as
espécies. Somente relatos de histórias
populares haviam versado sobre as cabras
montanhesas albinas.
Chioso disse que o animal albino deve ter
cerca de um ano.
Escaladores e outros esportistas que subiram
as montanhas também disseram ter visto um
animal albino, segundo Chioso.
O animal raro foi visto perto de um parque
nacional, no qual vivem cerca de 4.000
cabras de montanha selvagens, segundo Chioso.
Com Associated Press
Descobertos restos de pingüim gigante de 40
milhões de anos
O pássaro gigante é muito maior que qualquer
outro pingüim da atualidade
Associated Press
Divulgação
O crânio pré-histórico do Icadyptes salasi,
em comparação com um pingüim atual
WASHINGTON - Pingüins gigantes caminhavam
pelo território que, atualmente, corresponde
ao Peru há Amis de 40 milhões de anos, muito
antes do que os cientistas acreditavam.
Mais conhecidos por sua presença na
Antártida, os pingüins da atualidade vivem
em diversas ilhas do Hemisfério Sul,
chegando até perto do equador. Mas
pesquisadores não acreditavam que essas aves
tivessem chegado as regiões mais quentes
antes de 10 milhões de anos atrás.
Agora, artigo na edição online de
Proceedings of the National Academy of
Sciences informa a descoberta de restos de
dois tipos de pingüins no Peru, datados de
40 milhões de anos atrás. Um dos animais era
um gigante de 1,5 metro, com um longo bico
pontiagudo.
A paleontóloga Julia Clarke, da Universidade
Estadual da Carolina do Norte, declarou-se
surpresa com a descoberta.
"Esta é a mesma idade dos primeiros pingüins
na América do Sul. O único outro registro no
continente, dessa época, é do extremo sul do
continente", disse ela. "As novas
descobertas indicam que eles atingiram as
regiões equatoriais muito antes do que se
pensava anteriormente".
O pássaro gigante é muito maior que qualquer
outro pingüim conhecido na atualidade, e o
terceiro maior já registrado, disse ela.
Onda de calor mata pelo menos 30 no sul da
Europa
As temperaturas chegam a 40º C em Atenas,
com o recorde de 45º C na Ilha de Rodes
Associated Press
AP
Idosos tentam se refrescar em
riacho na Sérvia, em meio à onda de calor
ATENAS - Temperaturas recorde atingem o
sudeste da Europa nesta sexta-feira, 22, com
quase 30 mortes atribuídas à onda de calor
na região. O fornecimento de eletricidade,
principalmente na Grécia e na Albânia, luta
para se manter á altura da demanda, enquanto
o uso de ar-condicionado atinge o primeiro
pico do ano.
As temperaturas chegaram a 40º C em Atenas,
com o recorde de 45º C na Ilha de Rodes, de
acordo com o canal estatal NET TV.
Meteorologistas informam que este poderá ser
o junho mais quente dos últimos 90 anos, e
que a Grécia encaminha-se para o verão mais
quente dos últimos 25 anos.
A Romênia foi atingida duramente. Dezenove
pessoas morreram de causas relacionadas ao
calor nos últimos dias, incluindo 14 na
capital, Bucareste, de acordo com o
Ministério da Saúde. Um homem afogou-se
tentando se refrescar em um rio.
O Centro de Situações Emergenciais da
Romênia adverte que as temperaturas no sul
do país poderão chegar a 38º C ao longo do
fim-de-semana. Tempestades e chuvas
torrenciais também podem ocorrer. Dezenas de
vilas no oeste romeno estão sem
eletricidade, por conta de tempestades que
caíram à noite.
Na Sérvia, médicos informam pelo menos sete
mortes relacionadas ao calor nos últimos
dias. Autoridades pedem que as pessoas
evitem sair de casa. Na Macedônia, as
temperaturas também se aproximam dos 40º C,
e autoridades informam diversos telefonemas
para serviços de resgate, principalmente de
idosos com problemas cardíacos e
respiratórios.
Na Albânia, pelo menos três pessoas morreram
em virtude do calor, incluindo uma
agricultora de 43 anos que caiu morta
enquanto trabalhava na lavoura. Centenas de
crianças da cidade de Kucove, a 110 km da
capital, Tirana, foram levadas a postos de
saúde, e o Ministério da Saúde ordenou a
instalação emergencial de equipamentos de
ar-condicionado em todo o país.
Floresta desmatada leva 70 anos para
recuperar nutriente
RAFAEL GARCIA
Um estudo que analisou como as áreas
desmatadas da Amazônia se recuperam ao longo
do tempo traz hoje uma notícia boa e uma
ruim. Ao analisar florestas que voltaram a
crescer depois de terem sido derrubadas,
cientistas descobriram que, ao longo do
tempo, elas recuperam seu nível de
nitrogênio, um nutriente fundamental para o
solo. O processo, porém, leva décadas.
"Nós temos a boa notícia de que a floresta
se regenera e ainda recupera seu ciclo de
nitrogênio; a má notícia é que isso leva
pelo menos 70 anos", diz Luiz Martinelli,
pesquisador da Esalq (Escola Superior de
Agricultura Luiz de Queiroz, da USP) e autor
principal do trabalho.
Em estudo na edição de hoje da revista 'Nature'
(www.nature.com), Martinelli e colegas
detalham como esse processo ocorre.
No início, a floresta em regeneração dá
lugar sobretudo a árvores que conservam
nitrogênio (emitem poucos gases com esse
elemento) e não sofrem muita queda de
folhas. Só após algum tempo, quando a mata
secundária ("capoeira") restabelece seu
nível de nitrogênio, espécies que dependem
desse elemento em abundância retornam ao
ambiente.
Mas isso não quer dizer que a biodiversidade
se recupere. Após esse período de cerca de
70 anos, a floresta retoma só entre 70% e
80% de sua biomassa original e, ainda assim,
com uma vegetação bem menos diversa.
"Mas agora, sabendo melhor como o sistema
funciona, podemos estudar intervenções", diz
Martinelli. Entre medidas que podem acelerar
a regeneração de mata secundária está, por
exemplo, o plantio de leguminosas, que ajuda
a floresta a reter nitrogênio. Adubo com
fósforo, em outra frente, poderia suprir a
falta mais crônica desse outro nutriente.
Encontrada floresta petrificada de 1 milhão
de anos
Cientistas chineses descobriram na província
de Anhui, no leste do país, uma floresta
petrificada que tem entre 1 milhão e 2
milhões de anos, informou hoje a agência
estatal Xinhua.
O responsável pelo escritório de turismo
local, She Xianbing, afirmou que a floresta
tem uma superfície de 200 m² e fica na
montanha de Xianyu, no município de Dongzhi.
As árvores, transformadas em sílex, têm até
3,5 m de altura e 1,2 m de diâmetro e
poderiam fornecer informações sobre o clima
e a vegetação pré-históricas, acrescentou.
Segundo especialistas do Instituto de
Paleontologia de Nankin, na província de
Jiangsu, a floresta contém restos
fossilizados de pinheiros, ciprestes, abetos
e abricós.
A floresta permaneceu enterrada durante
todos estes anos, mas, com o passar do
tempo, as chuvas acabaram mostrando sua
superfície.
China pode autorizar o comércio de órgãos de
tigres criados em cativeiro
da Efe, em Pequim
A China pode terminar com o veto sobre o
comércio de ossos e outros órgãos do tigre,
anunciou um dirigente governamental citado
hoje pelo jornal "China Daily". A medida,
segundo os principais grupos ambientalistas
internacionais, pode causar a extinção da
espécie.
Tigre descansa com filhote em cativeiro no
Parque Florestal em Harbin, norte da China
"A proibição não durará para sempre,
considerando o que dizem os criadores de
tigres, especialistas e a sociedade
chinesa", disse Wang Wei, subdiretor do
departamento de conservação da vida selvagem
da Administração Estatal Florestal.
Na China, os ossos de tigre foram utilizados
durante séculos para a medicina tradicional.
O país aderiu em 1993 à proibição do
comércio de órgãos do animal, estipulado
pelos membros da Convenção sobre o Comércio
Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna
e Flora Silvestre (Cites).
No entanto, nos últimos meses os principais
parques de criação de tigres no país, entre
eles o de Heilongjiang e Guangxi, pediram ao
Governo que suavizasse a proibição. Eles
sugeriram a comercialização dos ossos dos
tigres criados em cativeiro. A medida,
dizem, serviria para lutar contra o mercado
ilegal.
Veto proíbe que medicina tradicional use os
animais; possibilidade de medida cair
preocupa
"A criação e o comércio regulamentados
poderiam, de fato, beneficiar a
sobrevivência do tigre", disse Wang. Para
ele as pessoas não se arriscariam a ser
castigadas por caçar tigres selvagens, se
fosse adotada a medida.
Segundo o dirigente, as pesquisas chinesas
sugerem que o comércio com partes de tigres
criados em cativeiro não afetará a
conservação da espécie em liberdade.
Na China são 5 mil animais criados em
cativeiro. O número é quase igual ao total
em liberdade no mundo todo.
"Seria um desperdício não usar os recursos
dos tigres mortos na medicina tradicional",
afirmou Wang.
As grandes organizações ambientalistas
--entre elas WWF, WildAid, Traffic e Projeto
Tigre-- se opõem firmemente à medida.
Na semana passada, em sua reunião em Haia,
na Holanda, os 171 países signatários de
Cites, entre eles a China, adotaram uma
resolução estabelecendo que os tigres não
devem ser criados para a comercialização de
seus órgãos e derivados.
A China é o único país do mundo que permite
a criação em massa de tigres. São cerca de
mil nascimentos por ano. O programa foi
criticado em Haia por John Sellar,
funcionário da Cites. Na sua opinião, a
estratégia tem um potencial limitado de
conservação.
Primavera chega mais cedo no Ártico, diz
revista
Na região do Ártico a primavera chega agora
semanas antes do que era o normal há apenas
uma década, segundo cientistas que atribuem
a mudança ao aquecimento global, indicou um
artigo da revista Current Biology.
"Apesar das incertezas sobre a magnitude do
aquecimento global que é esperado no próximo
século, uma característica constante das
mudanças atuais é que os ambientes do Ártico
são e continuarão sendo os mais expostos a
um maior aquecimento", disse Toke Hoye, do
Instituto Nacional de Pesquisa Ambiental da
Dinamarca, para a revista.
"O estudo confirma o que já muita gente
pensa: que as estações estão mudando e que
não se trata de que tenhamos um ou dois anos
mais quentes, mas existe uma forte tendência
que pode ser sentida ao longo de uma
década", assinalou Hoye.
Para o estudo dos efeitos do aquecimento os
pesquisadores recorreram à fenologia, o
estudo da relação entre os fatores
climáticos e os ciclos dos seres vivos que
considera a sincronização dos sinais de
primavera nas plantas, pássaros, borboletas
e outras espécies.
As mudanças nestas relações são consideradas
como uma das mostras mais claras e rápidas
da resposta biológica ao aumento das
temperaturas. Hoye explicou que os registros
de mais longo prazo de mudanças fenológicas
vêm em sua maioria de climas mais
temperados.
Por exemplo, alguns estudos recentes
documentaram avanços de 2,5 dias por década
para as plantas européias, e de 5,1 dias por
décadas em plantas e animais no âmbito
global.
Os pesquisadores estudaram o maior número de
documentos disponível para a região ártica
que mostra adiantamentos extremamente
rápidos, induzidos pelo clima, no
florescimento, a emergência da hibernação, e
a colocação de ovos em uma ampla gama de
espécies do Ártico.
As datas do florescimento em seis espécies
de plantas, as datas médias de eclosão de 12
espécies de artrópodes, e as datas de início
da ninhada em três espécies de aves
avançaram em alguns casos em mais de 30 dias
durante a última década.
O avanço médio em toda a série foi de 14,5
dias por década, segundo o estudo.
Boto rosa da Amazônia está perto da
extinção, diz "The Guardian"
Uma reportagem na edição deste sábado do
jornal britânico "The Guardian" afirma que
cientistas brasileiros temem pelo futuro dos
botos-cor-de-rosa
da Amazônia.

Os principais culpados pela ameaça de
extinção do animal amazônico seriam, segundo
cientistas entrevistados pelo diário, os
projetos de construção de usinas
hidrelétricas na região e o aumento do uso
da carne do boto como isca para pesca.
O "Guardian" afirma que, embora a população
de botos-cor-de-rosa na região amazônica
ainda seja respeitável, em comparação com
outras espécies de golfinhos de água doce,
desde 2000 os números vêm sofrendo quedas
alarmantes.
"Ambientalistas agora acreditam que o
golfinho possa ter o mesmo destino do
golfinho do rio Yangtze, na China, que
recentemente foi declarado "funcionalmente
extinto' por causa da poluição no rio", diz
o texto assinado pelo correspondente do
diário britânico em Manaus, Tom Phillips.
Inpa
Entre os especialistas convencidos da
gravidade da situação está a bióloga Vera da
Silva, do Instituto Nacional de Pesquisas da
Amazônia (Inpa).
"Acho que isso [a extinção] está se
transformando no destino do boto da
Amazônia", disse a pesquisadora, de acordo
com o "Guardian".
Na reserva de Mamirauá, a cerca de 530
quilômetros de Manaus, onde se encontra uma
das maiores concentrações de
botos-cor-de-rosa, vem sendo registrada uma
queda de 10% ao ano na população dos
animais.
Ela afirmou ao jornal também que, entre os
principais acusados pela acentuada redução
das populações de botos-cor-de-rosa na
Amazônia está uma técnica de pesca que teria
sido importada da Colômbia, baseada no uso
da carne do mamífero aquático.
Além disso, estaria crescendo o número de
animais que aparecem mortos com ferimentos
que parecem ser de arpões e mutilados,
normalmente sem as barbatanas e com nomes
gravados à ponta de faca nas costas.
O diário londrino lembra ainda que
ambientalistas temem que os projetos de
construção de hidrelétricas na bacia do
Amazonas venham a isolar os grupos de
botos-cor-de-rosa, dificultando ainda mais a
reprodução deles.
Descoberta grande migração de mamíferos no
Sudão
Conservacionistas americanos afirmam ter
descoberto uma das maiores migrações de
mamíferos do mundo no sul do Sudão. São 1,3
milhão de vários tipos de antílopes
africanos, gazelas, entre outros mamíferos
terrestres migratórios, além de 8 mil
elefantes que foram observados em imagens
aéreas numa área afetada pela guerra civil.
A descoberta surpreendeu cientistas, que
esperavam que a vida selvagem tivesse
desaparecido da região, baseados na
experiência vivida em outras áreas da África
que foram placo de guerras civis, como
Moçambique e Angola. O grupo americano
avistou uma coluna de antílopes migratórios
de 80 km de extensão e 50 km de largura.
"Nunca vi vida selvagem em tais números, nem
mesmo sobrevoando migrações em massa no
(parque nacional de) Serengueti (na
Tanzânia)", disse o cientista Michael Fay,
que conduziu as pesquisas para a organização
Wildlife Conservation Society (WCS), de Nova
York. "Essa pode representar a maior
migração de mamíferos grandes na Terra",
disse ele.
Década de 80
A WCS pesquisou o sul do Sudão em 1982, um
ano antes do início da guerra civil. Durante
décadas de confrontos com o norte do país,
obstáculos políticos e o próprio conflito
impediam os estudos no local. Como parte de
um acordo de paz de 2005, o Sul do Sudão
formou uma região autônoma e vai fazer um
referendo para decidir a independência em
2011.
Em janeiro de 2007 Fay, Paul Elkan - diretor
do Programa da WCS para o Sul do Sudão,
Malik Marjan, um cientista sudanês que
trabalha na Universidade de Massachusetts
Amherst, repetiram a pesquisa aérea da
década de 80.
Usando a mesma metodologia, rotas de vôo e
altura de vôo, a equipe atravessou o Parque
Nacional Boma, a região Jonglei e o Parque
Nacional do Sul. Em uma área de mais de 93
mil quilômetros quadrados, eles encontraram
vida selvagem, criações e atividades
humanas.
Os cientistas estimam ter encontrado 800 mil
antílopes africanos médios de orelhas
brancas, 250 mil gazelas Mongalla, 160 mil
antílopes do tipo topi-da-costa e 13 mil
cervicabras (um outro tipo de antílope
africano). Mas eles também constataram uma
queda dramática nos números de outros
animais como elefantes e zebras e, em
algumas áreas, no número de búfalos.
O WCS assinou acordos de cooperação com o
governo do Sul do Sudão e seu Ministério do
Meio Ambiente, Conservação da Vida Selvagem
e Turismo. O plano vai transferir milhares
de ex-combatentes rebeldes para os serviços
de vida selvagem, ajudar a estabelecer e
gerenciar redes oficiais de parques além de
criar parcerias com comunidades locais e
envolver o setor privado para usar práticas
ambientais.
Tubarão morre misteriosamente em aquário nos
EUA
Brenda Goodman
Pela segunda vez em cinco meses, o Aquário
da Geórgia está de luto pela morte de um de
seus astros, um jovem tubarão-baleia chamado
Norton que passou por eutanásia conduzida
por veterinários na manhã de quarta-feira,
depois que ele parou de nadar e afundou em
seu tanque. A causa exata da enfermidade que
o matou não é conhecida, diz Ray Davis,
vice-presidente de operações zoológicas do
aquário.
Norton estava nadando mal e comendo pouco há
meses; a mudança em suas condições de saúde
parece coincidir com a aplicação de um
pesticida químico, para tratar seu tanque
contra uma infestação de sanguessugas
parasitárias, afirmou o Dr. Davis.
Outro jovem tubarão-baleia, chamado Ralph,
igualmente exposto a esse tratamento, morreu
em janeiro, depois que parou de nadar e os
esforços para reanimá-lo fracassaram. Pouco
antes de sua morte, Ralph também deixou de
comer, e os biólogos que participaram da
necrópsia disseram que uma perfuração no
revestimento de seu estômago era a provável
causa da infecção que o matou.
Ralph estava sendo alimentado de maneira
forçada, por um tubo de PVC; os tratadores
de animais do aquário alteraram o tubo
depois que os resultados da necrópsia foram
anunciados. Norton também estava recebendo
alimentação forçada, segundo Davis, mas
recentemente parecia ter voltado a se
interessar pela comida, o que os tratadores
tomaram como sinal de que poderia se
recuperar. "Nós o tratamos de maneira ativa,
como faríamos com um parente ou animal de
estimação", disse Davis.
Em 2005, Bernie Marcus, fundador da cadeia
de lojas Home Depot, emocionou a cidade e
causou preocupação entre os biólogos
marinhos com a noticia de que havia
adquirido exemplares do maior peixe do mundo
para viverem no maior tanque do mundo ¿uma
instalação que ele fez projetar
especialmente para acomodar tubarões-baleia,
animais do tamanho de um ônibus que pela
primeira vez estariam em exibição fora de
sua Ásia natal.
Mas pouco se conhece sobre esses peixes, uma
espécie que é considerada ameaçada em muitos
países, e os críticos alertaram que os
tubarões-baleia, cuja expectativa de vida
fora do cativeiro atinge décadas, tendem a
se sair muito pior quando cativos. Um estudo
de 16 tubarões-baleia expostos no Okinawa
Expo Aquarium entre 1980 e 1998 demonstrou
que eles sobreviviam em média 502 dias,
quando cativos., Mas o aquário de Okinawa
conseguiu manter pelo menos um exemplar de
tubarão-baleia vivo por mais de 10 anos,
depois da conclusão do estudo.
Ignorando as advertências, o aquário da
Geórgia já substituiu os dois animais
perdidos, com dois novos machos chamados
Taroko e Yushan, que vieram de Taiwan em 1°
de junho. Os dois, na companhia das fêmeas
Alice e Trixie, que chegaram em 2006, estão
comendo por conta própria e se comportam
naturalmente, segundo Davis. Na
quarta-feira, depois que a morte de Norton
foi noticiada, alguns biólogos marinhos
criticaram o aquário.
"É lastimável, claro", disse Lori Marino,
bióloga que estuda o comportamento e
biologia das baleias na Universidade Emory,
em Atlanta. "Todos sabíamos que algo assim
aconteceria. Imagino quando outros animais
terão de morrer antes que eles compreendam
que não é viável exibi-los assim".
Tratamento experimental contra alergia ao pólen se mostra promissor

da France Presse, em Washington
Um tratamento experimental contra a alergia ao pólen das plantas poderá
beneficiar pessoas alérgicas, após a aplicação de algumas injeções, revela um
estudo publicado ontem nos Estados Unidos.
"Essa pesquisa inovadora é muito promissora para o tratamento de alergias, e
algumas injeções de imunoterapia são suficientes para reduzir de maneira durável
as reações alérgicas", destacou Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de
Alergias e Enfermidades Infecciosas (NIAD), que financiou parte do trabalho.
"Até 40 milhões de americanos sofrem de alergias ligadas ao pólen", destacou
Elias Zerhouni, diretor do Instituto Nacional de Saúde (NIH).
A pesquisa é baseada em uma substâcia-chave para o desencadeamento da alergia
encontrada no pólen. Segundo o estudo, a substância é associada a determinada
seqüência do DNA responsável por estimular o sistema imunológico.
O tratamento permitiria atenuar fortemente os sintomas alérgicos em adultos
durante pelo menos um ano, após a aplicação de seis injeções, uma por semana.
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