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Aquecimento global emagrece baleias-cinzentas


As baleias-cinzentas do Pacífico Norte, que habitam as águas árticas entre a Baixa Califórnia e o Estreito de Bering, estão perdendo peso devido ao aquecimento global, que provocou escassez do alimento de verão destes mamíferos, alertaram cientistas.

Estas baleias, que estiveram ameaçadas de extinção pela pesca, sofrem agora a ameaça do aquecimento de suas águas, devido em grande parte (e novamente) à atividade dos seres humanos.

De acordo com Steven Swartz, chefe de uma unidade de Pesquisa do Serviço Nacional Americano da Pesca Marítima, "as baleias-cinzentas migram mais tarde, já não vão tão ao norte e têm menos crias".

Swartz, que estuda as baleias nesta região do planeta desde 1977, lembrou que esta espécie viu morrer até um terço de sua comunidade em 1999, quando o fenômeno El Niño afetou sua cadeia alimentar, por causa do desaparecimento do plâncton, do qual dependem os mariscos que estes cetáceos comem.

Pouco antes deste fenômeno climático, as baleias-cinzentas haviam sido retiradas da lista de espécies em extinção, quando sua comunidade voltou a crescer, após as medidas contra a pesca com arpão.

Cientistas da Universidade Autônoma da Baixa Califórnia do Sul (México) estudaram de perto, desde 1996, as migrações e os ciclos de reprodução das baleias e esperam com preocupação as últimas estatísticas, que estão sendo preparadas.

"Não encontramos provas de uma epidemia na população" destas baleias, explicou Swartz. "Quando vivem momentos difíceis (com o clima) e há menos alimentos, as baleias não se reproduzem. É possível que elas se reproduzam em outros lugares, mas há muitas pessoas observando-as e não descobriram isso ainda", acrescentou.

A lagoa de San Ignacio, um dos lugares onde elas se reproduzem na península da Baixa Califórnia, pode ser vista como indicador da taxa de reprodução da espécie, de acordo com Swartz. No início dos anos 80, cerca de 350 baleias nasciam nestas águas a cada fevereiro. Este ano, o número não chegou nem perto de 100.

Cerca de 10.000 km mais ao norte, onde termina a rota migratória que elas fazem todos os anos, a enseada Chirikov, no mar de Bering, entre Alasca e Rússia, é considerada o ponto principal onde estes cetáceos se alimentam.

O aumento das temperaturas no presente diminuiu, porém, o crescimento das algas e o plâncton do qual se nutrem os animais marinhos dos quais as baleias se alimentam.

Os sinais de seu emagrecimento são bastante claros, já que 10% de sua população está em condições de debilidade, alertou Swartz. Segundo o especialista, "as fotos mostram seu dorso flácido, pode-se ver as costelas e elas têm parte de sua cauda côncava".

De acordo com Susan Moore, colega de Swartz em Seattle, as baleias-cinzentas são "sentinelas do mar", porque são o produto de um meio ambiente marinho particular, que vai do México ao Alasca. Assim como as morsas e os ursos polares, hoje, infelizmente, representam os primeiros indicadores de uma crise ecológica.

Swartz espera que estas baleias, que estão nesses mares há 30 milhões de anos e já sobreviveram a dois períodos glaciais, consigam se adaptar novamente. "São animais muito resistentes, mas hoje vivem momentos muito difíceis", completou.

 

Aquecimento global não é provocado pelo Sol, diz estudo


Atividade do astro diminuiu nos últimos 20 anos, embora temperatura aumentou
SÃO PAULO - Um novo estudo científico concluiu que mudanças na atividade do
Sol não podem estar causando mudanças climáticas no mundo moderno. O estudo mostra que nos últimos 20 anos a atividade do Sol diminuiu, embora temperaturas na Terra tenham aumentado.

Ele mostra ainda que as temperaturas modernas não são determinadas pelo efeito do Sol em raios cósmicos (um tipo de radiação emitida por estrelas e galáxias), como foi alegado. Por esta teoria, os raios cósmicos ajudam a formação das nuvens ao fornecer pequenas partículas em torno das quais o vapor d´água pode se condensar.

De maneira geral, as nuvens resfriam a Terra. Durante certos períodos de atividade solar, raios cósmicos são bloqueados parcialmente pela maior intensidade do campo magnético do Sol. A formação de nuvens diminui e a Terra se aquece.

Em artigo na revista científica da Sociedade Real Proceedings A, os pesquisadores dizem que raios cósmicos podem ter afetado o clima no passado, mas não no presente. "Isto deve resolver o debate", disse Mike Lockwood, do Laboratório Rutherford-Appleton, no Reino Unido, que realizou o novo estudo juntamente com Claus Froehlich, do World Radiation Center, na Suíça.

Lockwood iniciou o estudo em parte como resposta ao documentário The Great Global Warming Swindle (A Grande Enganação do Aquecimento Global), exibido na televisão britânica, que apresentou a hipótese dos raios cósmicos.

"Todos os gráficos que eles mostraram paravam por volta de 1980, e eu sei por que - é porque as coisas mudaram depois daquilo", disse Lockwood. "Não se pode ignorar dados de que não se gosta", afirmou.


Tendência
A principal abordagem dos cientistas nesta nova análise é simples: observar a atividade do Sol e a intensidade dos raios cósmicos nos últimos 30 ou 40 anos, e comparar estas tendências com o gráfico para média global das temperaturas da superfície, que aumentou cerca de 0,4 graus nesse período.

O Sol varia em um ciclo de cerca de 11 anos entre períodos de atividade intensa e baixa. Mas este ciclo ocorre junto com outras tendências de longo prazo e a maior parte do século 20 viu um aumento leve, mas persistente, da atividade solar.

Mas por volta de 1985, esta tendência parece ter se revertido, com a atividade solar diminuindo. Apesar disso, neste período temperaturas subiram tão depressa, ou talvez até mais depressa, do que qualquer época nos cem anos anteriores.

"Este estudo reforça o fato de que o aquecimento nos últimos 20 ou 40 anos não pode ter sido causado por atividade solar", disse Piers Forster, da Universidade de Leeds, na Grã-Bretanha, um dos principais cientistas que contribuíram para a avaliação científica do clima feita pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês).

O relatório do IPCC apresentado em fevereiro concluiu que gases do efeito estufa eram cerca de 13 vezes mais responsáveis do que as mudanças no Sol pelo aumento das temperaturas na Terra.

Mas a organização foi criticada em algumas áreas por não levar em conta a hipótese dos raios cósmicos, desenvolvida por, entre outros, Henrik Svensmark e Eigil Friis-Christensen, do Centro Espacial Nacional da Dinamarca.

A análise de Mike Lockwood parece ter colocado um grande fim nesta hipótese intrigante. "Eu acho que há um efeito dos raios cósmicos sobre a cobertura oferecida por nuvens. Funciona no ar marítimo limpo, onde não há muito mais onde o vapor d´água pode se condensar", afirmou.

"Pode até ter tido um efeito significativo no clima pré-industrial. Mas não se pode aplicar isto ao que estamos vendo agora, porque estamos em uma situação completamente diferente." Svensmark e Friis-Christensen não foram encontrados para comentar o caso.
 

Leia sobre escurecimento global

E Aquecimento Global



Camundongos promovem "chacina" de aves em ilha


Uma infestação de camundongos na ilha britânica de Gough vem promovendo uma verdadeira chacina de aves, 300 vezes maiores que seus atacantes, informa o jornal científico online Biology Letters.
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De acordo com o artigo, a presença de camundongos na remota ilha localizada no meio do Atlântico Sul parecia ser inofensiva até agora. Uma gravação conduzida por biólogos na ilha filmou o ataque de dezenas de camundongos a ninhos de diversas espécies de aves marinhas, incluindo albatrozes.

Com a morte freqüente de filhotes de aves que não atingem a idade reprodutória, os pesquisadores temem que algumas espécies já ameaçadas cheguem à extinção.

Apesar de ter um território pequeno, a Ilha de Gough abriga muitas espécies de aves marítimas. De acordo com os autores da pesquisa, desde o século XVII, 90% das espécies de aves extintas viviam em ilhas. Dessa cifra, a maioria foi ocasionada por invasões de mamíferos, principalmente roedores.

Segundo o levantamento, que começou em setembro de 2004, até agora, dos 256 albatrozes monitorados pelos especialistas, 100 já foram mortos por camundongos.

 

Comunidades chinesas sofrem invasão de bilhões de ratos



Estima-se que 2 bilhões de ratos estejam destruindo as lavouras em 22 municípios ao redor do Lago Dongting. Autoridades erguem muros e escavam fossos

PEQUIM - Moradores de comunidades localizadas ao redor de um lago chinês tiveram suas lavouras tomadas por ratos, depois que uma enchente forçou os roedores a fugir de uma ilha, informa a mídia estatal chinesa.

A invasão de ratos teve início em 23 de junho, quando o Rio Yang tsé transbordou, elevando o nível das águas no Lago Dongting e submergindo tocas de ratos localizadas em ilhas do lago, de acordo com a agência Xinhua.

Agora, estima-se que 2 bilhões de ratos estejam destruindo as lavouras em 22 municípios ao redor do Dongting. As autoridades apressam-se para construir muros e fossos para manter os ratos à distância. Moradores da região já mataram um número estimado em 2,3 milhões de ratos, ou 90 toneladas dos animais.

No Condado de Yiyang, um fosso escavado ao longo da margem já está transbordando de ratos. Moradores usam bastões e pás para espancá-los até a morte.

A invasão de roedores deve piorar, à medida que mais enchentes atingem as cabeceiras do rio e o lago.

 

Isto é apenas o inicio do que vem para a frente com aquecimento global.

 

Problemas reprodutivos podem levar rinocerontes a extinção



Problemas reprodutivos estão agindo como "anticoncepcionais" entre rinocerontes ameaçados de extinção na Malásia. Especialistas dizem que a tendência pode levar a espécie à extinção. Os rinocerontes de Bornéu são "primos" dos de Sumatra, filmados pela primeira vez neste ano.

Nesta semana, há um encontro de especialistas em Bornéu para discutir a questão. As maiores ameaças enfrentadas pela espécie são a caça predatória e a dificuldade em se reproduzir.

"Talvez porque eles vivam em partes diferentes da floresta, eles raramente tenham a ocasião de encontrar um parceiro", disse o responsável pelo departamento de vida selvagem no local, Laurentius Ambu, ao jornal "New Straits Times".

No entanto, cientistas descobriram que muitos machos sofrem de pouca produção de esperma e muitas fêmeas têm cistos em seus órgãos reprodutivos.

As tentativas do país em estimular a reprodução em cativeiro não funcionaram, de acordo com Ambu.

A organização não-governamental SOS Rhino divulgou que muitas fêmeas mantidas em cativeiro desenvolveram tumores no útero, tendo dificuldade para engravidar.

"É mais uma doença psicológica originada a desregulação de níveis hormonais e estresse", disse a presidente da ONG, Nan Schaffer.

Os chifres dos rinocerontes, feitos de queratina, são usados na medicina tradicional como afrodisíaco no país.

Com Reuters

 

IPCC: aquecimento pode elevar preços de alimentos

 

O presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), Rajendra Pachauri, destacou hoje que o aquecimento global reduzirá as plantações nas regiões tropicais, onde milhões de pessoas vivem da agricultura, o que provocará um aumento dos preços do setor.
"A mais afetada pela mudança climática será a população mais pobre que depende totalmente da agricultura", advertiu hoje Pachauri durante uma entrevista coletiva. A perda de áreas cultiváveis gerará a queda das reservas agrícolas e, em conseqüência, aumentará os preços de produtos do tipo, advertiu.

Já na África, destacou Pachauri, ocorrerá um declive da disponibilidade de água, o que, junto com a redução de plantios, aumentará os níveis de desnutrição. Ao mesmo tempo, os países mais pobres, que provavelmente serão os mais afetados pela nova situação climática, não poderão importar produtos agrícolas pelo alto preço que estes alcançarão no mercado, alertou o responsável pelo IPCC.

As áreas litorâneas também sofrerão grandes danos com o aumento do nível do mar, que subirá de 18 cm a 59 cm daqui até o final de século, segundo o analista. Por tudo isso, Pachauri pediu ao Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC), cuja reunião anual acontece estes dias em Genebra, que tenha um papel mais ativo nos efeitos da mudança climática.

O responsável pelo IPCC também ressaltou que "para se reduzir a poluição é preciso estabelecer taxas para o comércio de carbono". O último relatório do IPCC, aprovado em maio, mostra que o estabelecimento de uma taxa de US$ 50 por tonelada de dióxido de carbono pode contribuir para reduzir em entre 27% e 52%, respectivamente, as emissões de gases. Caso a taxa fosse de US$ 100 por tonelada, a redução poderia ser de até 63%.

Atualmente, o nível de emissão é de 445 partículas de CO2 por milhão. Evitando o aumento desse número, seria possível frear o aumento da temperatura em 2°C, disse Pachauri. Todas essas medidas para combater o aquecimento global vão ser debatidas na próxima Cúpula sobre a Mudança Climática, que acontecerá na ilha indonésia de Bali no começo de dezembro.
 

Mudança climática afetará mais cidadãos de países pobres, diz OMS

 

da Efe, em Kuala Lumpur

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou hoje que a saúde dos cidadãos dos países pobres pode sofrer em maior medida os efeitos da mudança climática.

O coordenador do Departamento do Meio Ambiente e Saúde Pública da OMS, Carlos Corvalan, disse que na Ásia muitas das regiões mais pobres têm uma localização geográfica que será mais afetada pelas mudanças do clima e que as infra-estruturas destas nações no meio rural e urbano estão menos preparadas.

"As inundações em cidades com uma canalização deficiente podem gerar focos de água estagnada, nos quais proliferam os mosquitos transmissores de doenças como dengue e malária", disse Corvalan.

O coordenador participa do segundo Seminário sobre Mudança Climática e Saúde nos Países do Sudeste e Leste Asiático, organizado pela OMS na capital da Malásia, Kuala Lumpur, entre 2 e 5 de julho.

O especialista afirmou que as secas podem provocar uma migração em massa em direção às cidades, o que saturaria o sistema de saúde, e as ondas de calor poderiam estender o habitat dos mosquitos transmissores do vírus da malária, causando o aumento de infecções.

As ondas de calor provocam muitas mortes diretas. Prova disso são as 70 mil mortes causadas pelo fenômeno que castigou a Europa em 2003, de acordo com Corvalan. Ele disse que agora os países perceberam que o aquecimento global não afeta apenas a agricultura e a economia, mas principalmente a saúde.

A OMS alertou para o transbordamento dos lagos no Nepal devido ao degelo das geleiras do Himalaia, para a proliferação da malária no Butão e em Papua Nova Guiné e para o aumento das inundações na Índia.

Participam do seminário, que termina na quinta-feira, responsáveis de saúde de 17 países, como China, Camboja, Índia, Japão, Malásia e Paquistão.

O objetivo do evento é discutir e apontar estratégias para prevenir os efeitos da mudança climática na saúde dos cidadãos destas nações.

O diretor regional para a Ásia e região do Pacífico da OMS, Shigeru Omi, disse que a Malásia e os países do Sudeste Asiático devem calcular o desenvolvimento econômico e a conservação do meio ambiente.

Em sua opinião, os cidadãos têm consciência dos assuntos ambientais, mas infelizmente estão mais preocupados com o desenvolvimento econômico. "Caso continuem focados exclusivamente no lucro econômico, a terra sofrerá", afirmou Omi.
 

Colônia de macacos em extinção é encontrada no Vietnã

 

da France Presse, em Hanói

Uma colônia de langures-da-canela-cinza (Pygathrix cinerea) foi localizada no Vietnã. A descoberta é uma esperança para a sobrevivência da espécie, ameaçada de extinção.


Langures-da-canela-cinza estão entre os mais ameaçados de extinção atualmente
Os cientistas do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e da organização americana de proteção do ambiente Conservation International (CI) encontraram 116 desses primatas no município de Que Phuoc, na província central de Quang Nam.

Estima-se que essa localidade concentre mais de 180 langures-da-canela-cinza. Como somente apenas uma parte da região foi monitorada, poderia haver mais deles em uma região florestal próxima.

"É muito raro encontrar um grupo desse tamanho em uma área pequena, em particular quando se trata de uma espécie em extinção", comentou Barney Long, do WWF. "Isso indica que não foi afetado pela caça, como os demais grupos conhecidos da espécie", acrescentou.

Segundo os cientistas, esses macacos estão entre os 25 primatas mais ameaçados do planeta. A estimativa é que sua população não chegue a mil exemplares atualmente.
 

Humanidade consome 24% da vegetação da Terra, diz estudo



Nenhuma outra espécie tem um impacto tão grande sobre a biosfera terrestre

Mapa mostra a fração da Produção Primária Líquida, ou NPP, consumida pelo homem em cada região da Terra, em 2000


SÃO PAULO - A espécie humana consome, destrói ou impede que nasçam plantas responsáveis por retirar quase 16 bilhões de toneladas anuais de carbono da atmosfera. Por meio da fotossíntese, as plantas fixam o carbono como matéria vegetal. Esses 16 bilhões de toneladas representam quase 24% de toda a produção vegetal potencial dos continentes, de acordo com estudo publicado nesta semana pelo periódico Proceedings of the National Academy os Sciences (PNAS).

De acordo com os autores do trabalho, nenhuma outra espécie consome tanto da chamada Produção Primária Líquida (NPP, na sigla em inglês) do planeta.

"Trata-se de um impacto notável na biosfera, causado por apenas uma espécie", diz o artigo, assinado por pesquisadores alemães e austríacos, que se valeram de dados estatísticos sobre produção agrícola, pecuária e madeireira, além de mapas com dados sobre o uso do solo e modelos matemáticos, usados para estimar qual seria o chamado NPP potencial, ou a cobertura vegetal dos continentes caso a humanidade não interferisse com os ecossistemas.

O trabalho destaca que áreas de cultivo e de infra-estrutura são utilizadas de forma mais intensiva, levando a uma média global de apropriação humana do carbono que poderia ser fixado pela vegetação da ordem de 83% e 73%, respectivamente. Essa apropriação é menor em áreas de pasto (19%) e de exploração extrativista de florestas (7%).

Em termos de divisão regional, o uso dos recursos vegetais é maior no Extremo Oriente, chegando a 63% de toda a produção potencial, e menor na Ásia Central, com 12%. Em algumas áreas isoladas, como em partes do Oriente Médio, a apropriação humana dos recursos vegetais chega a ser negativa. Nessas áreas, o uso da tecnologia permite que a matéria vegetal que sobra no ambiente, após o consumo humano, seja ainda maior do que o potencial natural estimado.

Dos 16 bilhões de toneladas de carbono vegetal apropriados pela humanidade anualmente, cerca de 8 bilhões assumem a forma de colheitas agrícolas. Citando esse dado, os autores do estudo sugerem que "medidas para promover o uso de biomassa para geração de energia" devem ser "analisadas com cuidado", já que poderão dobrar o nível atual de colheitas.

Mesmo reconhecendo que a adoção de técnicas de agricultura intensiva podem aumentar a produtividade sem aumentar a proporção da vida vegetal apropriada pela humanidade, os cientistas alertam para o impacto ecológico negativo da intensificação da agricultura, como o aumento no consumo de água e o risco de contaminação por pesticidas.
 

Humanidade domesticou ecossistemas, afirma estudo

 

da France Presse

Os seres humanos se espalharam tanto pelo planeta que acabaram por "domesticar" ecossistemas inteiros. Hoje, há poucas áreas do globo sem algum tipo de presença ou influência direta humana, dizem ambientalistas.

"A natureza intacta não existe", afirma Peter Kareiva, da ONG The Nature Conservancy. "Encarar essa realidade demanda uma mudança de foco na ciência ambiental", afirma, em artigo na revista "Science".

Em 1995, por exemplo, apenas 17% da Terra permanecia verdadeiramente selvagem --sem assentamentos humanos, plantações, estradas ou luzes noturnas detectadas por satélite.

Metade da superfície do globo é usada para a agropecuária; mais da metade de todas as florestas já desapareceu, e rotas marítimas cruzam os oceanos em várias direções.

O número de represas é tão grande que hoje a quantidade de água armazenada artificialmente é quase seis vezes maior que a que corre livremente, aponta Kareiva.

E cercar áreas naturais em forma de parques --rodeados por lixo, poluição e espécies exóticas- só ressalta a domesticação dos ambientes.

"A vida selvagem é mais comumente uma designação regulatória", diz o estudo.



Aquecimento global mata 77 mil por ano na região da Ásia-Pacífico

 

da Efe, em Kuala Lumpur

Cerca de 77 mil pessoas morrem a cada ano na região da Ásia-Pacífico por causas direta ou indiretamente atribuídas à mudança climática. A área concentra metade do total registrado no mundo todo, informa a Organização Mundial da Saúde (OMS).

"Já chegamos a um momento crítico no qual o fenômeno do aquecimento global tem um grave impacto sobre a vida e a saúde das pessoas", diz em comunicado o diretor regional da OMS para o Pacífico Ocidental, Shigeru Omi.

O problema "representará uma ameaça ainda maior para a humanidade nas próximas décadas, se não houver uma ação imediata", acrescentou Omi.

Algumas possíveis conseqüências para a região serão focos de mosquitos em áreas de onde haviam sido erradicados, com o risco de epidemias de malária e dengue, segundo a OMS.

A diminuição do nível de chuvas também deverá aumentar os casos de doenças que têm sua origem em águas estagnadas. Milhões de pessoas podem ainda sofrer de desnutrição se terrenos atualmente cultiváveis forem arrasados por inundações, acrescentou o representante do órgão.

Especialistas de 14 países estão na Malásia para um fórum organizado pela OMS para discutir os riscos para a saúde do aquecimento global.

Morcegos que contraíram raiva são nocivos por pouco tempo, diz estudo


da France Presse, em Paris

Um estudo a respeito da raiva entre os morcegos conforta a decisão tomada pela União Européia de proteger estes mamíferos, afirma um estudo a ser publicado nesta quarta-feira (27) pela revista americana "PloS ONE". O vírus da raiva analisado não está presente no Brasil.

O estudo, "o maior já realizado sobre morcegos", ficou a cargo dos especialistas Hervé Bourhy (Instituto Pasteur, Paris) e de Jordi Serra-Cobo (Universidade de Barcelona, Espanha).

Foram acompanhados mais de 800 morcegos insetívoros da espécie Myotis myotis (morcego rato-grande) nas ilhas Baleares, na Espanha, por 12 anos.

Os pesquisadores calcularam o tempo durante o qual um morcego infectado poderia contaminar outro animal: cinco dias em média.

Os estudiosos demonstraram que a infecção pelo vírus responsável pela raiva não provoca a morte dos morcegos e não modifica seu comportamento, ao contrário do que acontece entre os cachorros e as raposas, por exemplo.

"Mesmo que nós tenhamos confirmado o risco potencial de transmissão do vírus responsável pela raiva dos morcegos ao homem, nós também mostramos, pelo menos com relação à espécie estudada, que este risco é limitado no tempo", comenta Hervé Bourhy.

"A dinâmica da infecção entre os morcegos põe em evidência a decisão tomada pela Europa de proteger estes animais e de não destruir as colônias nas quais há raiva", disse ele.

"A única medida razoável hoje é, como o que foi feito em Baleares, de proibir o acesso às grutas que abrigam os morcegos suscetíveis a serem infectados", afirma o especialista.

A raiva, fatal e mais freqüentemente transmitida por cães, causa cerca de 50 mil mortes por ano no mundo. Não há tratamento após a instalação da doença --a única possibilidade de combatê-la é por meio de tratamento preventivo, com vacina.

Os morcegos estão na origem de poucos casos entre humanos. Na Europa, apenas quatro foram registrados desde 1985: um na Finlândia, um na Escócia, um na Ucrânia e um na Rússia.

As unidades do Instituto Pasteur em Paris e Túnis coordenam o programa (www.rabmedcontrol.org) financiado pela União Européia, com o investimento de aproximadamente R$ 2,8 milhões em três anos. A intenção é eliminar a raiva da África do Norte. A doença provoca centenas de mortes por ano na região.

Na França e na União Européia é proibido matar, capturar ou comercializar morcegos. Tocar em um animal doente ou morto é algo desaconselhável.

Italianos provam existência de cabra montanhesa albina



Guardas-florestais italianos provaram a existência de uma cabra montanhesa albina pela primeira vez. O apelido do animal é "Floco de Neve". Normalmente as cabras montanhesas possuem um tom de marrom.


A foto foi tomada por guardas florestais na Itália; cabra possui cerca de um ano de idade
O guardas fotografaram a cabra albina com um outro exemplar da espécie neste domingo (24) na região do Vale d'Aosta, de acordo com Christian Chioso, um responsável regional pela vida selvagem. O responsável acredita que o outro indivíduo que aparece na foto seja um "parente" da cabra albina.

"É a primeira já documentada, a única já vista", disse Chioso na segunda-feira (25). Ele disse que albinos são raros em todas as espécies. Somente relatos de histórias populares haviam versado sobre as cabras montanhesas albinas.

Chioso disse que o animal albino deve ter cerca de um ano.

Escaladores e outros esportistas que subiram as montanhas também disseram ter visto um animal albino, segundo Chioso.

O animal raro foi visto perto de um parque nacional, no qual vivem cerca de 4.000 cabras de montanha selvagens, segundo Chioso.

Com Associated Press

Descobertos restos de pingüim gigante de 40 milhões de anos


O pássaro gigante é muito maior que qualquer outro pingüim da atualidade
Associated Press
Divulgação

O crânio pré-histórico do Icadyptes salasi, em comparação com um pingüim atual


WASHINGTON - Pingüins gigantes caminhavam pelo território que, atualmente, corresponde ao Peru há Amis de 40 milhões de anos, muito antes do que os cientistas acreditavam.

Mais conhecidos por sua presença na Antártida, os pingüins da atualidade vivem em diversas ilhas do Hemisfério Sul, chegando até perto do equador. Mas pesquisadores não acreditavam que essas aves tivessem chegado as regiões mais quentes antes de 10 milhões de anos atrás.

Agora, artigo na edição online de Proceedings of the National Academy of Sciences informa a descoberta de restos de dois tipos de pingüins no Peru, datados de 40 milhões de anos atrás. Um dos animais era um gigante de 1,5 metro, com um longo bico pontiagudo.

A paleontóloga Julia Clarke, da Universidade Estadual da Carolina do Norte, declarou-se surpresa com a descoberta.

"Esta é a mesma idade dos primeiros pingüins na América do Sul. O único outro registro no continente, dessa época, é do extremo sul do continente", disse ela. "As novas descobertas indicam que eles atingiram as regiões equatoriais muito antes do que se pensava anteriormente".

O pássaro gigante é muito maior que qualquer outro pingüim conhecido na atualidade, e o terceiro maior já registrado, disse ela.
 

Onda de calor mata pelo menos 30 no sul da Europa


As temperaturas chegam a 40º C em Atenas, com o recorde de 45º C na Ilha de Rodes
Associated Press

AP
Idosos tentam se refrescar em
riacho na Sérvia, em meio à onda de calor

ATENAS - Temperaturas recorde atingem o sudeste da Europa nesta sexta-feira, 22, com quase 30 mortes atribuídas à onda de calor na região. O fornecimento de eletricidade, principalmente na Grécia e na Albânia, luta para se manter á altura da demanda, enquanto o uso de ar-condicionado atinge o primeiro pico do ano.

As temperaturas chegaram a 40º C em Atenas, com o recorde de 45º C na Ilha de Rodes, de acordo com o canal estatal NET TV.

Meteorologistas informam que este poderá ser o junho mais quente dos últimos 90 anos, e que a Grécia encaminha-se para o verão mais quente dos últimos 25 anos.

A Romênia foi atingida duramente. Dezenove pessoas morreram de causas relacionadas ao calor nos últimos dias, incluindo 14 na capital, Bucareste, de acordo com o Ministério da Saúde. Um homem afogou-se tentando se refrescar em um rio.

O Centro de Situações Emergenciais da Romênia adverte que as temperaturas no sul do país poderão chegar a 38º C ao longo do fim-de-semana. Tempestades e chuvas torrenciais também podem ocorrer. Dezenas de vilas no oeste romeno estão sem eletricidade, por conta de tempestades que caíram à noite.

Na Sérvia, médicos informam pelo menos sete mortes relacionadas ao calor nos últimos dias. Autoridades pedem que as pessoas evitem sair de casa. Na Macedônia, as temperaturas também se aproximam dos 40º C, e autoridades informam diversos telefonemas para serviços de resgate, principalmente de idosos com problemas cardíacos e respiratórios.

Na Albânia, pelo menos três pessoas morreram em virtude do calor, incluindo uma agricultora de 43 anos que caiu morta enquanto trabalhava na lavoura. Centenas de crianças da cidade de Kucove, a 110 km da capital, Tirana, foram levadas a postos de saúde, e o Ministério da Saúde ordenou a instalação emergencial de equipamentos de ar-condicionado em todo o país.



Floresta desmatada leva 70 anos para recuperar nutriente

 

RAFAEL GARCIA


Um estudo que analisou como as áreas desmatadas da Amazônia se recuperam ao longo do tempo traz hoje uma notícia boa e uma ruim. Ao analisar florestas que voltaram a crescer depois de terem sido derrubadas, cientistas descobriram que, ao longo do tempo, elas recuperam seu nível de nitrogênio, um nutriente fundamental para o solo. O processo, porém, leva décadas.

"Nós temos a boa notícia de que a floresta se regenera e ainda recupera seu ciclo de nitrogênio; a má notícia é que isso leva pelo menos 70 anos", diz Luiz Martinelli, pesquisador da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP) e autor principal do trabalho.

Em estudo na edição de hoje da revista 'Nature' (www.nature.com), Martinelli e colegas detalham como esse processo ocorre.

No início, a floresta em regeneração dá lugar sobretudo a árvores que conservam nitrogênio (emitem poucos gases com esse elemento) e não sofrem muita queda de folhas. Só após algum tempo, quando a mata secundária ("capoeira") restabelece seu nível de nitrogênio, espécies que dependem desse elemento em abundância retornam ao ambiente.

Mas isso não quer dizer que a biodiversidade se recupere. Após esse período de cerca de 70 anos, a floresta retoma só entre 70% e 80% de sua biomassa original e, ainda assim, com uma vegetação bem menos diversa.

"Mas agora, sabendo melhor como o sistema funciona, podemos estudar intervenções", diz Martinelli. Entre medidas que podem acelerar a regeneração de mata secundária está, por exemplo, o plantio de leguminosas, que ajuda a floresta a reter nitrogênio. Adubo com fósforo, em outra frente, poderia suprir a falta mais crônica desse outro nutriente.

Encontrada floresta petrificada de 1 milhão de anos

 

Cientistas chineses descobriram na província de Anhui, no leste do país, uma floresta petrificada que tem entre 1 milhão e 2 milhões de anos, informou hoje a agência estatal Xinhua.

O responsável pelo escritório de turismo local, She Xianbing, afirmou que a floresta tem uma superfície de 200 m² e fica na montanha de Xianyu, no município de Dongzhi.

As árvores, transformadas em sílex, têm até 3,5 m de altura e 1,2 m de diâmetro e poderiam fornecer informações sobre o clima e a vegetação pré-históricas, acrescentou.

Segundo especialistas do Instituto de Paleontologia de Nankin, na província de Jiangsu, a floresta contém restos fossilizados de pinheiros, ciprestes, abetos e abricós.

A floresta permaneceu enterrada durante todos estes anos, mas, com o passar do tempo, as chuvas acabaram mostrando sua superfície.
 

China pode autorizar o comércio de órgãos de tigres criados em cativeiro

 

da Efe, em Pequim

A China pode terminar com o veto sobre o comércio de ossos e outros órgãos do tigre, anunciou um dirigente governamental citado hoje pelo jornal "China Daily". A medida, segundo os principais grupos ambientalistas internacionais, pode causar a extinção da espécie.

Tigre descansa com filhote em cativeiro no Parque Florestal em Harbin, norte da China
"A proibição não durará para sempre, considerando o que dizem os criadores de tigres, especialistas e a sociedade chinesa", disse Wang Wei, subdiretor do departamento de conservação da vida selvagem da Administração Estatal Florestal.

Na China, os ossos de tigre foram utilizados durante séculos para a medicina tradicional. O país aderiu em 1993 à proibição do comércio de órgãos do animal, estipulado pelos membros da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestre (Cites).

No entanto, nos últimos meses os principais parques de criação de tigres no país, entre eles o de Heilongjiang e Guangxi, pediram ao Governo que suavizasse a proibição. Eles sugeriram a comercialização dos ossos dos tigres criados em cativeiro. A medida, dizem, serviria para lutar contra o mercado ilegal. 

Veto proíbe que medicina tradicional use os animais; possibilidade de medida cair preocupa
"A criação e o comércio regulamentados poderiam, de fato, beneficiar a sobrevivência do tigre", disse Wang. Para ele as pessoas não se arriscariam a ser castigadas por caçar tigres selvagens, se fosse adotada a medida.

Segundo o dirigente, as pesquisas chinesas sugerem que o comércio com partes de tigres criados em cativeiro não afetará a conservação da espécie em liberdade.

Na China são 5 mil animais criados em cativeiro. O número é quase igual ao total em liberdade no mundo todo.

"Seria um desperdício não usar os recursos dos tigres mortos na medicina tradicional", afirmou Wang.

As grandes organizações ambientalistas --entre elas WWF, WildAid, Traffic e Projeto Tigre-- se opõem firmemente à medida.

Na semana passada, em sua reunião em Haia, na Holanda, os 171 países signatários de Cites, entre eles a China, adotaram uma resolução estabelecendo que os tigres não devem ser criados para a comercialização de seus órgãos e derivados.

A China é o único país do mundo que permite a criação em massa de tigres. São cerca de mil nascimentos por ano. O programa foi criticado em Haia por John Sellar, funcionário da Cites. Na sua opinião, a estratégia tem um potencial limitado de conservação.



Primavera chega mais cedo no Ártico, diz revista


Na região do Ártico a primavera chega agora semanas antes do que era o normal há apenas uma década, segundo cientistas que atribuem a mudança ao aquecimento global, indicou um artigo da revista Current Biology.
"Apesar das incertezas sobre a magnitude do aquecimento global que é esperado no próximo século, uma característica constante das mudanças atuais é que os ambientes do Ártico são e continuarão sendo os mais expostos a um maior aquecimento", disse Toke Hoye, do Instituto Nacional de Pesquisa Ambiental da Dinamarca, para a revista.

"O estudo confirma o que já muita gente pensa: que as estações estão mudando e que não se trata de que tenhamos um ou dois anos mais quentes, mas existe uma forte tendência que pode ser sentida ao longo de uma década", assinalou Hoye.

Para o estudo dos efeitos do aquecimento os pesquisadores recorreram à fenologia, o estudo da relação entre os fatores climáticos e os ciclos dos seres vivos que considera a sincronização dos sinais de primavera nas plantas, pássaros, borboletas e outras espécies.

As mudanças nestas relações são consideradas como uma das mostras mais claras e rápidas da resposta biológica ao aumento das temperaturas. Hoye explicou que os registros de mais longo prazo de mudanças fenológicas vêm em sua maioria de climas mais temperados.

Por exemplo, alguns estudos recentes documentaram avanços de 2,5 dias por década para as plantas européias, e de 5,1 dias por décadas em plantas e animais no âmbito global.

Os pesquisadores estudaram o maior número de documentos disponível para a região ártica que mostra adiantamentos extremamente rápidos, induzidos pelo clima, no florescimento, a emergência da hibernação, e a colocação de ovos em uma ampla gama de espécies do Ártico.

As datas do florescimento em seis espécies de plantas, as datas médias de eclosão de 12 espécies de artrópodes, e as datas de início da ninhada em três espécies de aves avançaram em alguns casos em mais de 30 dias durante a última década.

O avanço médio em toda a série foi de 14,5 dias por década, segundo o estudo.

Boto rosa da Amazônia está perto da extinção, diz "The Guardian"

 



Uma reportagem na edição deste sábado do jornal britânico "The Guardian" afirma que cientistas brasileiros temem pelo futuro dos
botos-cor-de-rosa da Amazônia.

Os principais culpados pela ameaça de extinção do animal amazônico seriam, segundo cientistas entrevistados pelo diário, os projetos de construção de usinas hidrelétricas na região e o aumento do uso da carne do boto como isca para pesca.

O "Guardian" afirma que, embora a população de botos-cor-de-rosa na região amazônica ainda seja respeitável, em comparação com outras espécies de golfinhos de água doce, desde 2000 os números vêm sofrendo quedas alarmantes.

"Ambientalistas agora acreditam que o golfinho possa ter o mesmo destino do golfinho do rio Yangtze, na China, que recentemente foi declarado "funcionalmente extinto' por causa da poluição no rio", diz o texto assinado pelo correspondente do diário britânico em Manaus, Tom Phillips.

Inpa

Entre os especialistas convencidos da gravidade da situação está a bióloga Vera da Silva, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

"Acho que isso [a extinção] está se transformando no destino do boto da Amazônia", disse a pesquisadora, de acordo com o "Guardian".

Na reserva de Mamirauá, a cerca de 530 quilômetros de Manaus, onde se encontra uma das maiores concentrações de botos-cor-de-rosa, vem sendo registrada uma queda de 10% ao ano na população dos animais.

Ela afirmou ao jornal também que, entre os principais acusados pela acentuada redução das populações de botos-cor-de-rosa na Amazônia está uma técnica de pesca que teria sido importada da Colômbia, baseada no uso da carne do mamífero aquático.

Além disso, estaria crescendo o número de animais que aparecem mortos com ferimentos que parecem ser de arpões e mutilados, normalmente sem as barbatanas e com nomes gravados à ponta de faca nas costas.

O diário londrino lembra ainda que ambientalistas temem que os projetos de construção de hidrelétricas na bacia do Amazonas venham a isolar os grupos de botos-cor-de-rosa, dificultando ainda mais a reprodução deles.

 

Descoberta grande migração de mamíferos no Sudão

 

Conservacionistas americanos afirmam ter descoberto uma das maiores migrações de mamíferos do mundo no sul do Sudão. São 1,3 milhão de vários tipos de antílopes africanos, gazelas, entre outros mamíferos terrestres migratórios, além de 8 mil elefantes que foram observados em imagens aéreas numa área afetada pela guerra civil.

A descoberta surpreendeu cientistas, que esperavam que a vida selvagem tivesse desaparecido da região, baseados na experiência vivida em outras áreas da África que foram placo de guerras civis, como Moçambique e Angola. O grupo americano avistou uma coluna de antílopes migratórios de 80 km de extensão e 50 km de largura.

"Nunca vi vida selvagem em tais números, nem mesmo sobrevoando migrações em massa no (parque nacional de) Serengueti (na Tanzânia)", disse o cientista Michael Fay, que conduziu as pesquisas para a organização Wildlife Conservation Society (WCS), de Nova York. "Essa pode representar a maior migração de mamíferos grandes na Terra", disse ele.

Década de 80
A WCS pesquisou o sul do Sudão em 1982, um ano antes do início da guerra civil. Durante décadas de confrontos com o norte do país, obstáculos políticos e o próprio conflito impediam os estudos no local. Como parte de um acordo de paz de 2005, o Sul do Sudão formou uma região autônoma e vai fazer um referendo para decidir a independência em 2011.

Em janeiro de 2007 Fay, Paul Elkan - diretor do Programa da WCS para o Sul do Sudão, Malik Marjan, um cientista sudanês que trabalha na Universidade de Massachusetts Amherst, repetiram a pesquisa aérea da década de 80.

Usando a mesma metodologia, rotas de vôo e altura de vôo, a equipe atravessou o Parque Nacional Boma, a região Jonglei e o Parque Nacional do Sul. Em uma área de mais de 93 mil quilômetros quadrados, eles encontraram vida selvagem, criações e atividades humanas.

Os cientistas estimam ter encontrado 800 mil antílopes africanos médios de orelhas brancas, 250 mil gazelas Mongalla, 160 mil antílopes do tipo topi-da-costa e 13 mil cervicabras (um outro tipo de antílope africano). Mas eles também constataram uma queda dramática nos números de outros animais como elefantes e zebras e, em algumas áreas, no número de búfalos.

O WCS assinou acordos de cooperação com o governo do Sul do Sudão e seu Ministério do Meio Ambiente, Conservação da Vida Selvagem e Turismo. O plano vai transferir milhares de ex-combatentes rebeldes para os serviços de vida selvagem, ajudar a estabelecer e gerenciar redes oficiais de parques além de criar parcerias com comunidades locais e envolver o setor privado para usar práticas ambientais.

Tubarão morre misteriosamente em aquário nos EUA

 

Brenda Goodman


Pela segunda vez em cinco meses, o Aquário da Geórgia está de luto pela morte de um de seus astros, um jovem tubarão-baleia chamado Norton que passou por eutanásia conduzida por veterinários na manhã de quarta-feira, depois que ele parou de nadar e afundou em seu tanque. A causa exata da enfermidade que o matou não é conhecida, diz Ray Davis, vice-presidente de operações zoológicas do aquário.
Norton estava nadando mal e comendo pouco há meses; a mudança em suas condições de saúde parece coincidir com a aplicação de um pesticida químico, para tratar seu tanque contra uma infestação de sanguessugas parasitárias, afirmou o Dr. Davis.

Outro jovem tubarão-baleia, chamado Ralph, igualmente exposto a esse tratamento, morreu em janeiro, depois que parou de nadar e os esforços para reanimá-lo fracassaram. Pouco antes de sua morte, Ralph também deixou de comer, e os biólogos que participaram da necrópsia disseram que uma perfuração no revestimento de seu estômago era a provável causa da infecção que o matou.

Ralph estava sendo alimentado de maneira forçada, por um tubo de PVC; os tratadores de animais do aquário alteraram o tubo depois que os resultados da necrópsia foram anunciados. Norton também estava recebendo alimentação forçada, segundo Davis, mas recentemente parecia ter voltado a se interessar pela comida, o que os tratadores tomaram como sinal de que poderia se recuperar. "Nós o tratamos de maneira ativa, como faríamos com um parente ou animal de estimação", disse Davis.

Em 2005, Bernie Marcus, fundador da cadeia de lojas Home Depot, emocionou a cidade e causou preocupação entre os biólogos marinhos com a noticia de que havia adquirido exemplares do maior peixe do mundo para viverem no maior tanque do mundo ¿uma instalação que ele fez projetar especialmente para acomodar tubarões-baleia, animais do tamanho de um ônibus que pela primeira vez estariam em exibição fora de sua Ásia natal.

Mas pouco se conhece sobre esses peixes, uma espécie que é considerada ameaçada em muitos países, e os críticos alertaram que os tubarões-baleia, cuja expectativa de vida fora do cativeiro atinge décadas, tendem a se sair muito pior quando cativos. Um estudo de 16 tubarões-baleia expostos no Okinawa Expo Aquarium entre 1980 e 1998 demonstrou que eles sobreviviam em média 502 dias, quando cativos., Mas o aquário de Okinawa conseguiu manter pelo menos um exemplar de tubarão-baleia vivo por mais de 10 anos, depois da conclusão do estudo.

Ignorando as advertências, o aquário da Geórgia já substituiu os dois animais perdidos, com dois novos machos chamados Taroko e Yushan, que vieram de Taiwan em 1° de junho. Os dois, na companhia das fêmeas Alice e Trixie, que chegaram em 2006, estão comendo por conta própria e se comportam naturalmente, segundo Davis. Na quarta-feira, depois que a morte de Norton foi noticiada, alguns biólogos marinhos criticaram o aquário.

"É lastimável, claro", disse Lori Marino, bióloga que estuda o comportamento e biologia das baleias na Universidade Emory, em Atlanta. "Todos sabíamos que algo assim aconteceria. Imagino quando outros animais terão de morrer antes que eles compreendam que não é viável exibi-los assim".

 

Tratamento experimental contra alergia ao pólen se mostra promissor


da France Presse, em Washington

Um tratamento experimental contra a alergia ao pólen das plantas poderá beneficiar pessoas alérgicas, após a aplicação de algumas injeções, revela um estudo publicado ontem nos Estados Unidos.

"Essa pesquisa inovadora é muito promissora para o tratamento de alergias, e algumas injeções de imunoterapia são suficientes para reduzir de maneira durável as reações alérgicas", destacou Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Enfermidades Infecciosas (NIAD), que financiou parte do trabalho.

"Até 40 milhões de americanos sofrem de alergias ligadas ao pólen", destacou Elias Zerhouni, diretor do Instituto Nacional de Saúde (NIH).

A pesquisa é baseada em uma substâcia-chave para o desencadeamento da alergia encontrada no pólen. Segundo o estudo, a substância é associada a determinada seqüência do DNA responsável por estimular o sistema imunológico.

O tratamento permitiria atenuar fortemente os sintomas alérgicos em adultos durante pelo menos um ano, após a aplicação de seis injeções, uma por semana.

 

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