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Duas d�cadas ap�s Tchernobil, Finl�ndia
ainda tem focos de contamina��o
da France Presse, em Helsinque
Vinte e um anos ap�s o acidente na central
ucraniana de Tchernobil, peixes e cogumelos
de algumas regi�es finlandesas continuam
apresentando sinais de toxicidade. A
informa��o foi divulgada nesta segunda-feira
em um comunicado da Evira (Autoridade de
Seguran�a Alimentar da Finl�ndia).
AP

Vista a�rea da usina de Tchernobil, local de
grave acidente nuclear no ano de 1986
A explos�o do reator n�mero 4 de Tchernobil
ocorreu em 26 de abril de 1986, na Ucr�nia,
uma das 15 rep�blicas que integravam a
antiga Uni�o Sovi�tica. A nuvem radioativa,
no entanto, afetou parte da Finl�ndia.
Segundo fontes da ONU, o saldo de mortes da
trag�dia soma 4 mil pessoas. J� a ONG
Greenpeace diz que a trag�dia ser�
respons�vel por 93 mil mortes, j� que muitas
pessoas ainda morrer�o de c�ncer.
A concentra��o m�xima de c�sio 137 permitida
para o consumo humano segundo as normas
europ�ias --correspondente a 600 becquerels
por quilo (Bq/kg)-- foi registrada ou
superada em 20% nos peixes e em mais da
metade nos cogumelos analisados em 2005 pela
Evira e pela Stuk (Autoridade de Seguran�a
Nuclear).
As an�lises foram efetuadas a partir de
mostras tiradas de lagos e dos arredores de
Vammala (sudoeste), a 230 quil�metros a
noroeste de Helsinque.
Saiba mais
Merc�rio de mineradores brasileiros polui
�guas da Guiana
da Efe, em Georgetown
O Fundo Mundial para a Fauna e Flora
Silvestres (WWF, na sigla em ingl�s) e a
associa��o de mineradores de ouro e
diamantes da Guiana (GGDMA, na sigla em
ingl�s) acusaram hoje os mineiros do Brasil
de polu�rem com merc�rio os rios dos
distritos guianenses que cont�m metais
preciosos.
Ant�nio Gaud�rio/Folha Imagem
Mineradores brasileiros s�o acusados de
poluir �gua de rios guianenses com metais
pesados
O coordenador de projetos do WWF, Rickford
Viera, disse que a polui��o com merc�rio
constitui "um grave problema", apesar de os
brasileiros terem ajudado a aumentar a
produ��o de ouro desde que come�aram suas
opera��es na regi�o.
"Enquanto os mineiros seguirem jogando
merc�rio nas minas, e queimando o vapor,
continuaremos tendo problemas de polui��o",
disse Viera.
Os processos mecanizados dos brasileiros,
que ajudaram a agilizar a produ��o, tamb�m
aumentaram as agress�es ao meio ambiente,
disse Viera.
O merc�rio � uma perigosa toxina que pode
provocar danos cerebrais.
Apesar das estritas leis ambientais
guianenses, o WWF diz que a falta de
equipamento dos fiscais do pa�s contribui
para o agravamento da situa��o.
O secret�rio-executivo da GGDMA, Tony
Shields, negou que mineiros guianenses
poluam os rios que os �ndios utilizam para
pescar e realizar seus afazeres dom�sticos.
Shields acusou os respons�veis da Comiss�o
de Geologia e Minas de Guiana de se
recusarem a cumprir a lei, por receberem
subornos dos mineiros.
Ap�s o esgotamento das reservas de ouro e
diamantes do Brasil, na d�cada 90, os
mineiros brasileiros come�aram a entrar de
maneira ilegal na Guiana, no Suriname e na
Guiana Francesa.
Estima-se a exist�ncia de pelo menos dois
mil mineiros brasileiros na Guiana.
Desvendados mitos sobre tubar�es do
Mediterr�neo
Esteve Giralt
No Mar Mediterr�neo, ainda que muitas
pessoas o ignorem, � poss�vel encontrar
cerca de 47 esp�cies de tubar�es. A lista
inclui animais potencialmente perigosos para
os banhistas, como o tubar�o branco - ainda
que a presen�a deste seja excepcional -, o
tubar�o touro, o tubar�o tigre e o tubar�o
martelo, que pode medir at� 4 m e � bem mais
freq�ente em nossas �guas. Alguns desses
animais marinhos s�o capazes de nadar
milhares de quil�metros, das costas
africanas ao Mediterr�neo, atravessando o
estreito de Gibraltar em busca de comida.
Conversar sobre tubar�es como ocean�grafos e
especialistas � como desbaratar os mitos e
lendas perpetuados pelo cinema. "Um tubar�o
como aquele que foi localizado na praia de
Miracle, em Tarragona, nunca deve ser
tratado como animal inofensivo; � preciso
respeit�-lo, e muito. Mas eu n�o me
atreveria a dizer que os tubar�es s�o
perigosos", arrazoa o ocean�grafo e
pesquisador marinho Roland Mattheissen,
presidente do Instituto Oceanogr�fico do
Mediterr�neo Ocidental (Iomo).
Se os especialistas todos coincidem em
alguma coisa, � em destacar que a presen�a
de tubar�es em �reas t�o pr�ximas � costa
que permitam contato com banhistas, como
aconteceu em Tarragona, n�o � comum. Eles
alertam que, em casos como esse, sempre
existe uma explica��o, usualmente uma
enfermidade ou desorienta��o. Apesar disso,
algumas esp�cies, como o tubar�o cinzento,
especialmente no ver�o e no caso dos
exemplares jovens, podem se aproximar de
�guas menos profundas.
Por outro lado, outras esp�cies, as de maior
porte e potencialmente mais perigosas, como
o tubar�o branco e o tubar�o martelo, s�
costumam ser encontradas em �guas profundas,
no Mediterr�neo. "Para encontr�-los �
preciso ir al�m das ilhas Baleares", diz
Joan Rib�, fundador da Cau del Taur�, um
instituto de pesquisa de tubar�es em l'Arbo�
(Baix Pened�s). O instituto opera um curioso
museu sobre tubar�es, repleto de f�sseis de
animais, exemplares dissecados e um esp�cime
vivo.
No Mediterr�neo, o n�mero de ataques de
tubar�es registrado � muito baixo. De acordo
com o ocean�grafo Mattheissen, radicado em
Tarragona, em relat�rio que apresentou �
prefeitura da cidade depois da identifica��o
do tubar�o cinzento, h� apenas tr�s
incidentes a mencionar. Al�m do mais
recente, em 1986, um praticante de windsurf
foi atacado por um tubar�o cinzento em
Tarifa (perto de C�diz), a uns 300 m da
praia. O tubar�o, de 3,5 m, mordeu o
esportista, que perdeu um p�. Em 1993, na
praia de las Arenes, em Val�ncia, um nadador
que estava a cerca de 300 m da costa foi
mordido por um tubar�o de cerca de 2 m e
perdeu alguns dedos de um p�.
Mas, no Iomo, os cientistas apontam que a
carne humana n�o � parte l�gica da dieta
preferencial dos tubar�es. Eles s�o
carn�voros, mas preferem peixes, crust�ceos,
aves e tartarugas marinhas, entre outras
esp�cies, al�m de tubar�es de menor porte.
Curiosamente, o sabor da carne humana lhes �
muito desagrad�vel, "e o tubar�o nunca a
comeria", aponta Mattheissen. Um relat�rio
do Centro de Iniciativas Ecol�gicas
Mediterr�nia enfatiza, exatamente, que a
ur�ia contida na carne humana e a presen�a
relativamente baixa de gordura a tornam
desagrad�vel aos tubar�es. No Mediterr�neo,
mar de salinidade elevada, muito superior �
do Atl�ntico, a �gua tampouco agrada aos
tubar�es.
A cerca de meia centena de esp�cies de
tubar�o que habitam o Mediterr�neo, todas em
regress�o em termos de n�mero de exemplares
devido a fatores como a pesca excessiva,
inclui tamb�m o inofensivo tubar�o
peregrino, que pode medir mais de 6 m e
ocasionalmente nada perto da costa, mas se
alimenta apenas de pl�ncton. A enciclop�dia
Rib�, em seu verbete sobre os tubar�es,
aponta que "40 anos atr�s era comum ver
tubar�es no litoral de Tarragona, como agora
se v�em sardinhas".
Pessimismo no aqu�rio
O estado do tubar�o cinzento capturado na
sexta-feira na praia de Miracle, em
Tarragona, n�o oferece raz�es para otimismo.
O animal n�o s� est� estressado como "sofreu
algum problema interno" que coloca sua vida
em risco.
Patrici Bult�, respons�vel pela �rea de
biologia do Aqu�rio de Barcelona, onde o
tubar�o est� em tratamento e observa��o
desde sexta-feira, menciona a possibilidade
de que o animal tenha engolido algum
objetivo, e aponta para uma ferida por arp�o
em uma de suas nadadeiras.
O animal, de idade calculada entre 15 e 20
anos, est� passando por um dif�cil per�odo
de quarentena, durante o qual mergulhadores
do aqu�rio tentam ajud�-lo ou estimul�-lo a
nadar. Os animais dessa esp�cie n�o
conseguem respirar caso n�o se movimentem, e
o esp�cime em quest�o interrompe seus
movimentos ocasionalmente, o que for�a os
mergulhadores a mov�-lo.
As perspectivas "n�o s�o boas, e n�o estamos
muito otimistas; a situa��o � bastante
ruim", e ser� preciso esperar para ver se
"ele se recupera ou deixa de respirar e
morre". Em caso de recupera��o, o aqu�rio
planeja devolv�-lo ao mar. Enquanto isso,
ele est� em um tanque isolado do principal,
onde vivem outros tubar�es e outros animais
marinhos.
Cobran�a de multas pode zerar desmatamento
ilegal
EDUARDO GERAQUE
Em tese, a receita para zerar o desmatamento
ilegal na Amaz�nia � trivial. Basta aumentar
em 28 vezes a efici�ncia de arrecada��o de
multas emitidas pelo Ibama (Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renov�veis), que hoje � de 2,5%.
A an�lise, apresentada na semana passada ao
pr�prio governo, � de Paulo Barreto, da ONG
Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente
da Amaz�nia), sediada em Bel�m.
"Para aumentar a efici�ncia de arrecada��o
basta melhorar o departamento jur�dico.
Muitas das multas hoje n�o s�o recebidas
porque n�o se consegue acompanhar
adequadamente esses processos, que s�o
muitos", explica Barreto.
Entre agosto de 2004 e agosto de 2006, o
Ibama emitiu, segundo n�meros oficiais,
19.762 multas. O que renderia, se todas
tivessem sido pagas, R$ 4,97 bilh�es ao
�rg�o.
Pelas estimativas de Barreto, nem precisava
que a efici�ncia de arrecada��o chegasse aos
100%. Com 70% (28 vezes mais que os 2,5%
atuais) j� haveria a queda total no
desmatamento ilegal feito hoje na Amaz�nia.
A l�gica de Barreto � que, tendo certeza de
que vai sentir a puni��o no bolso, o
criminoso ambiental conclua que sai mais
barato cumprir a lei.
"O valor esperado de lucro pelo hectare de
terra desmatado hoje �, em m�dia, de R$
1.500. Uma perda de 30% desse valor [devido
a multas] j� basta para desestimular o
desmate", estima Barreto.
Como hoje o desmatamento m�dio ilegal anual
atinge 2 milh�es de hectares, o esfor�o de
fiscaliza��o do Ibama � suficiente, em tese,
para arrecadar mais que R$ 700 por hectare.
"Portanto, com R$ 500, ou 70% mais ou menos,
o problema estaria resolvido", diz.
De acordo com Barreto, o aumento de 25 vezes
no esfor�o de fiscaliza��o do Ibama tamb�m
seria suficiente para parar com todo o tipo
de derrubada florestal fora da lei. No
entanto, � a via de a��o mais cara.
Segundo o Ibama, o instituto gastou no ano
passado R$ 42 milh�es com a fiscaliza��o da
Amaz�nia. O que significa que a quantia
ideal para a fiscaliza��o amaz�nica,
multiplicada por 25, seria de R$ 1,05
bilh�o. Isso � praticamente todo o or�amento
do �rg�o.
Subs�dios perversos
Barreto tamb�m defende que o governo corte o
que ele chama de subs�dios perversos.
"Hoje, existem 42 milh�es de hectares na
Amaz�nia que s�o de propriet�rios que
ocuparam a terra, pediram a legaliza��o dela
aos �rg�os competentes, mas at� agora n�o
regularizaram nada", diz o pesquisador.
Esse processo, que j� dura at� 20 anos em
alguns casos, se enquadra na mesma l�gica da
efici�ncia das multas, diz Barreto.
"A pessoa usa a terra e tamb�m n�o paga
nada. Desmatar, claro, fica bem mais
barato."
Pesquisadores reintroduzem peixe-boi em seu
habitat no AM
GIOVANA GIRARDI
, em Manaus
Pesquisadores de Manaus est�o organizando a
primeira reintrodu��o de peixe-boi em �gua
doce. A esp�cie, considerada amea�ada de
extin��o pelo Ibama, � alvo de ca�a
predat�ria nos rios da Amaz�nia.
Apesar de ser ilegal, a ca�a do peixe-boi
amaz�nico (Trichechus inunguis) ainda �
bastante comum entre popula��es ribeirinhas,
que costumam capturar os filhotes para
atrair as m�es para o abate. Depois
simplesmente descartam as crias, que podem
acabar morrendo sem amamenta��o -elas podem
mamar at� os 2 anos.
Grupo de especialistas est� reintroduzindo
peixes-bois no AM
As que d�o sorte v�o parar no Bosque da
Ci�ncia do Inpa (Instituto Nacional de
Pesquisas da Amaz�nia), onde s�o tratadas
at� atingirem a idade adulta. Agora, pela
primeira vez, alguns desses animais ser�o
devolvidos ao seu habitat.
Ap�s passarem pelo menos dois anos estudando
o modo de vida desses animais, os
pesquisadores do Inpa e da ONG IP�
(Instituto de Pesquisas Ecol�gicas) j� est�o
prontos para levar os dois primeiros. Os
pioneiros ser�o dois machos subadultos que
cresceram no Bosque da Ci�ncia e ser�o
transferidos na esta��o da cheia,
provavelmente em fevereiro pr�ximo, para o
rio Cuieiras.
A equipe ainda est� escolhendo entre quatro
animais quais participar�o do
projeto-piloto. A id�ia � enviar os mais
saud�veis e mais pr�ximos geneticamente das
fam�lias de peixe-boi que vivem no local.
"S�o prefer�veis tamb�m os animais que,
quando chegaram ao Inpa, j� estavam
come�ando a se alimentar de plantas na
natureza. Com isso esperamos que eles tenham
facilidade para procurar comida no rio",
conta o ocean�grafo Leandro Lazzari Ciotti,
do IP�.
A decis�o de enviar machos foi motivada por
quest�es reprodutivas. Enquanto uma f�mea s�
fica prenhe a cada dois anos, e de s� um
filhote por vez, um macho pode copular com
v�rias f�meas, fato que deve ajudar a
aumentar a popula��o de peixes-bois na
natureza.
Os cientistas n�o sabem estimar a quantidade
de animais que vivem nos rios amaz�nicos
porque eles s�o solit�rios, t�midos e
dif�ceis de ver.
Com a reintrodu��o, os pesquisadores esperam
responder justamente a algumas das d�vidas
que existem por causa do pouco contato com a
esp�cie em seu habitat.
Os animais reinseridos levar�o colares com
transmissores de r�dio. "Isso vai nos
permitir estudar os deslocamentos nas �pocas
de cheia e seca, as migra��es e os locais
onde eles buscam preferencialmente
alimentos", explica Ciotti.
O resultado das pesquisas vai subsidiar a
elabora��o de um plano de manejo para a
conserva��o da esp�cie na regi�o.
Preda��o
Os animais que chegam ao Inpa s�o
sobreviventes de sorte. A ca�a, contam
pesquisadores envolvidos no projeto, envolve
t�cnicas de partir o cora��o de muito
marmanjo.
O peixe-boi consegue ficar at� 20 minutos
embaixo d'�gua sem respirar e dificilmente �
visto nessas ocasi�es.
O momento de vulnerabilidade � quando o
animal p�e o focinho para fora d'�gua para
respirar. Os ca�adores aproveitam o momento
para enfiar duas rolhas nas narinas dos
peixes-bois para mat�-los sufocados. "O pior
� que justificavam que a carne assim fica
mais macia", lamenta Ciotti.
No Inpa vive tamb�m um animal com profundas
cicatrizes na parte dorsal. Ainda filhote,
ele foi salvo quando estava, literalmente,
torrando ao sol.
Gelo marinho �rtico chega � menor extens�o
j� vista
s
O gelo marinho do �rtico atingiu na �ltima
sexta-feira sua menor extens�o j�
registrada. O alerta foi dado por cientistas
do Centro Nacional de Dados sobre Gelo e
Neve dos EUA.
As medi��es feitas com sat�lite mostram que,
no dia 17 de agosto, o gelo marinho no
oceano �rtico atingiu a extens�o de 5,26
milh�es de quil�metros quadrados. O valor �
um pouco mais baixo que o m�nimo registrado
em 21 de setembro de 2005, 5,32 milh�es de
quil�metros quadrados.
"Hoje � um dia hist�rico", disse Mark
Serreze, cientista-s�nior do centro de
pesquisas americano. "� a menor extens�o de
gelo que j� observamos no registro de
sat�lite, e ainda temos mais um m�s de
degelo neste ano", afirmou.
O �rtico � a regi�o do planeta que mais tem
sentido os efeitos do aquecimento global. O
fen�meno � causado por uma acelera��o do
efeito estufa (o aprisionamento do calor
irradiado pela Terra por uma capa de gases
na atmosfera), provocada, por sua vez, pela
emiss�o de g�s carb�nico (CO2) por
atividades humanas --em especial a queima de
combust�veis f�sseis.
O p�lo Norte aquece mais r�pido que o
restante do planeta, e tem perdido 2,7% de
seu gelo marinho permanente por d�cada,
segundo o IPCC (o painel do clima das Na��es
Unidas).
O gelo marinho ajuda a manter o equil�brio
t�rmico do �rtico, ao refletir 80% da luz do
Sol. Quanto menos gelo marinho, mais
radia��o (at� 90%) � absorvida pelo oceano,
que esquenta --elevando mais ainda o
term�metro na regi�o.
Em junho e julho, ver�o no hemisf�rio Norte,
o c�u esteve muito limpo, o que lan�ou uma
quantidade extraordinariamente alta de
energia solar sobre as �guas do �rtico. Mas,
segundo Serreze, n�o � poss�vel explicar o
degelo deste ano s� por fatores naturais.
O degelo � mais r�pido do que o previsto
pelos cientistas. O relat�rio do IPCC diz
que o �rtico poderia ficar totalmente sem
gelo em 2070 a 2100. Mas, segundo Serreze, �
taxa atual, o derretimento total do oceano
�rtico poderia vir em 2030.
Mal�sia exporta macacos contra
superpopula��o
A Mal�sia liberou a exporta��o de macacos,
para reduzir a popula��o dos primatas nas
zonas urbanas, e j� negocia a venda � Cor�ia
do Sul, Hong Kong, Jap�o e Taiwan, informou
hoje a imprensa local.
O ministro do Meio Ambiente e Recursos
Naturais, Azmi Khalid, argumentou que os
macacos "semeiam o caos nas cidades, onde
n�o s� roubam comida das casas mas tamb�m
atacam as pessoas", segundo o site do jornal
The New Straits Times.
Ele explicou que a medida s� vale para a
por��o peninsular da Mal�sia, e n�o para os
estados de Sabah e Sarawak, onde os macacos
correm risco de extin��o. S� poder�o ser
ca�ados e vendidos os animais achados em
zonas urbanas.
Segundo os dados do governo, cerca de 258
mil macacos vivem nas cidades. H� 484 mil na
floresta. A exporta��o foi proibida h� 24
anos, quando a venda de 10 mil macacos por
ano a laborat�rios nos Estados Unidos e
Europa e a restaurantes de outros pa�ses
asi�ticos provocaram uma queda alarmante na
popula��o.
O macaco de Mentawai, uma subesp�cie que
habita a Mal�sia peninsular, vive tamb�m na
parte indon�sia da ilha de Born�u e � uma
das mais de 400 esp�cies do Sudeste Asi�tico
que se encontram na Lista Vermelha de
Esp�cies em Perigo da Uni�o Internacional de
Conserva��o da Natureza.
Impacto de usinas no rio Madeira �
imprevis�vel, diz bi�logo
O cientista Mario Cohn-Haft, que
recentemente liderou uma expedi��o que
descobriu esp�cies diferentes de animais e
plantas na regi�o pr�xima ao rio Madeira, na
Amaz�nia, disse que o impacto da constru��o
de usinas no rio � "imprevis�vel".
Em abril e julho deste ano, Mario Cohn-Haft,
bi�logo do Instituto Nacional de Pesquisas
Amaz�nicas (INPA), encontrou variedades
diferentes de animais e plantas na regi�o
entre os rios Purus e Madeira.
No m�s passado, o governo federal aprovou as
licen�as pr�vias para a constru��o de duas
usinas no rio Madeira.
As usinas de Santo Ant�nio e Jirau --cujos
editais est�o em fase de elabora��o--
gerariam 6.500 megawatts, o equivalente a
metade da pot�ncia de Itaipu, uma das
maiores usinas hidrel�tricas do mundo em
pot�ncia.
Cohn-Haft explica que a regi�o onde foram
encontradas novas esp�cies n�o ser�
diretamente afetada, pois est� fora da �rea
que ser� inundada para a constru��o das
barragens.
Mas o impacto indireto das barragens pode
ser grande o suficiente para afetar a
biodiversidade local.
"O impacto de barragens em um rio com teor
sedimentar muito grande como o Madeira �
imprevis�vel. N�s n�o temos precedentes para
saber", disse o bi�logo � BBC Brasil.
"O rio Madeira � o quarto maior e um dos
mais barrentos do mundo. Ent�o, colocar
barragem em um rio como esses e dizer que
n�s sabemos o que vai acontecer � muita
ousadia."
Cohn-Haft diz que at� mesmo o rio Amazonas
pode ser afetado pelas barragens.
"Se isso causar uma diminui��o no teor
sedimentar do rio, isso pode impactar a
fertilidade e a produtividade da v�rzea
todinha. Ent�o se voc� faz isso no alto do
rio Madeira, impacta o sistema biol�gico do
resto do rio inteiro e o pr�prio rio
Amazonas, ao qual o Madeira � o maior
contribuinte de sedimentos."
O cientista tamb�m afirma que a coloniza��o
e o aumento no n�mero de habitantes na
regi�o tamb�m podem ter impacto no local.
"Uma vez que voc� tem grandes projetos que
est�o empregando gente, atraindo gente de
outras partes do pa�s, encorajando
investimento, agricultura, agropecu�ria,
rapidinho a �rea toda � colonizada, �
desmatada, � convertida permanentemente."
Expedi��o desbrava �rea quase inexplorada da
Amaz�nia
GIOVANA GIRARDI
, em Manaus
Duas expedi��es cient�ficas neste ano �
regi�o entre os rios Purus e Madeira mostram
que essa �rea de floresta, provavelmente a
mais biodiversa de todas as divis�es
ecol�gicas da Amaz�nia, deve mesmo ser a
detentora deste t�tulo.
Mario Cohn-Haft/Divulga��o

Em folha de
papel, inseto descoberto durante expedi��o
O interfl�vio (regi�o entre rios) com cerca
de 40 milh�es de hectares, representa menos
de 5% da floresta amaz�nica, mas em apenas
duas viagens os cientistas encontraram pelo
menos quatro novas esp�cies de aves, tr�s de
mam�feros e algumas dezenas de aracn�deos
desconhecidos. O material, coletado entre
abril e maio e, depois, em julho deste ano,
mostra uma biodiversidade amea�ada por
planos de ocupa��o.
Ainda predominantemente sem impacto, o
interfl�vio Purus-Madeira est� na mira de
projetos como a pavimenta��o da BR-319, que
liga Porto Velho (RO) a Manaus (AM) e a
cria��o de um gasoduto entre Urucu (AM) e
Porto Velho --ambos os projetos cortam a
�rea. Tamb�m amea�am a regi�o a constru��o
de hidrel�tricas no rio Madeira, a onda de
extra��o madeireira em expans�o no sudeste
do Amazonas e o avan�o da agroind�stria, em
especial da soja, e da pecu�ria.
Riqueza amea�ada
"O cen�rio est� armado para destruir uma
�rea pequena, at� ent�o desconhecida e que
imagin�vamos ter um potencial absurdo de
biodiversidade e endemismo [esp�cies �nicas
do lugar]", conta o ornit�logo Mario
Cohn-Haft, do Inpa (Instituto Nacional de
Pesquisas da Amaz�nia), que liderou a
expedi��o do projeto Geoma (Rede Tem�tica de
Pesquisa em Modelagem Ambiental da
Amaz�nia).
Mario Cohn-Haft/Divulga��o

Opili�o encontrado em expedi��o � uma
poss�vel nova esp�cie, dizem pesquisadores
As seis semanas em que o grupo ficou no mato
driblando atoleiros mostram que h� mesmo
algo a perder. "Encontramos esp�cies que n�o
somente nunca tinha sido observadas, como
aparentemente s� existem naquela regi�o",
diz Cohn-Haft. Os animais coletados est�o
agora sendo analisados pelos bi�logos para
definir se realmente tratam-se de novas
esp�cies. Ap�s confirma��o, as descobertas
ser�o publicadas em revistas cient�ficas.
Cohn-Haft j� adianta, no entanto, que ao
menos quatro das aves que ele observou s�o
muito provavelmente esp�cies novas, sendo
duas delas end�micas. "Eu j� tinha visto
essas aves em expedi��es anteriores, mas s�
agora encontrei v�rios exemplares. � uma
s�rie grande o suficiente para poder
descrever."
A import�ncia dos achados aumenta quando se
leva em conta que as aves s�o o grupo mais
bem conhecido pelos bi�logos. A descoberta
de tantas novidades, segundo o pesquisador,
funciona como um term�metro da diversidade
da regi�o. E, mesmo assim, Cohn-Haft
acredita que em alguns anos vai dobrar o
n�mero de esp�cies descritas na Amaz�nia.
Entre os mam�feros, os primat�logos
acreditam ter avistado ao menos uma esp�cie
nova de macaco. Foi coletado ainda um sag�i
que provavelmente � uma nova subesp�cie e um
primata visto como uma "redescoberta" da
ci�ncia.
Mario Cohn-Haft/Divulga��o

Esperan�a,
inseto considerado raro, � abundante na
regi�o rec�m-explorada
Esperan�a, inseto considerado raro, �
abundante na regi�o rec�m-explorada
Trata-se de um animal que j� havia sido
descrito na literatura, mas que nunca mais
tinha sido visto. "Ele ficou meio
desacreditado, supunha-se que podia ser
apenas um indiv�duo extraordin�rio, mas
agora achamos uma popula��o inteira dele",
conta o pesquisador.
Ainda entre os mam�feros, os bi�logos
apostam num esquilo e numa gatiara (mam�fero
noturno) como novas esp�cies.
O grupo animal que deve trazer mais
novidades, no entanto, � o dos aracn�deos e
opili�es (aranhas de longas pernas). Eles
ainda s�o t�o pouco conhecidos que a
expectativa � que 95% dos animais
encontrados sejam novas esp�cies.
A presen�a de animais t�o diferentes em um
espa�o relativamente t�o pequeno � explicada
porque a regi�o engloba tamb�m tipos de
ambiente muito diferentes. Na mesma �rea h�
tanto floresta t�pica, quanto v�rzeas
inund�veis, pequenas serras, bambuzais e
campos. "Tudo isso num interfluviozinho
amea�ado por tudo quanto � projeto de
desenvolvimento", diz Cohn-Haft.
Mercado de carbono pode incentivar
desmatamento
GIOVANA GIRARDI
Colabora��o para a Folha de S.Paulo
O mercado de carbono --mecanismo pelo qual
pa�ses e empresas ganham dinheiro ao plantar
�rvores onde florestas foram destru�das--
pode acabar incentivando o desmatamento em
vez de evit�-lo. A conclus�o � de um estudo
publicado hoje no peri�dico de livre acesso
"PLoS Biology" (www.plosbiology.org).
De acordo com os objetivos do Protocolo de
Kyoto, que estabelece a redu��o mundial das
emiss�es de g�s carb�nico, se beneficiam
desse mercado principalmente os pa�ses que
j� desmataram muito e t�m hoje pouca mata a
preservar. Na��es que por algum motivo n�o
apresentaram alto n�vel de desmatamento ao
longo dos �ltimos anos devem ficar de fora
desse esquema.
Cercado de carbono pode acabar incentivando
o desmatamento em vez de evit�-lo
"Esses pa�ses t�m cerca de 20% das florestas
tropicais ainda intactas no mundo, mas n�o
conseguem fazer dinheiro com a floresta em
p�", disse � Folha Gustavo Fonseca,
ex-presidente da divis�o brasileira da ONG
Conservation International, um dos autores
do artigo.
Isso ocorre porque o mercado de carbono
funciona com base na compara��o entre o que
j� foi desmatado e que ainda se pode
preservar. Pa�ses que n�o desmataram n�o t�m
um teto para comparar.
"Eles n�o t�m nada para vender. � ir�nico,
mas isso pode criar um incentivo perverso e
acabar fazendo com que esses pa�ses desmatem
para poderem se igualar aos demais", explica
Fonseca. O pesquisador prop�e um mecanismo
para que eles recebam simplesmente por n�o
desmatarem. O sistema consideraria o n�vel
global de destrui��o florestal e n�o o de
cada pa�s.
Os pa�ses citados no estudo s�o Panam�,
Col�mbia, Rep�blica Democr�tica do Congo,
Peru, Belize, Guiana Francesa, Guiana,
Suriname, Gab�o, But�o e Z�mbia.
Lagartas tropicais t�m card�pio restrito,
mostra an�lise
Uma equipe de treze cientistas coordenada
por Lee Dyer, da Universidade Tulane, de
Nova Orleans, sul dos EUA, fez uma an�lise
detalhada da dieta de larvas de insetos da
ordem Lepid�ptera (mariposas e borboletas)
em oito pontos do continente americano.
David Wagner/Divulga��o
Lagartas tropicais t�m card�pio restrito e
habitam zonas temperadas, segundo estudo
As coletas feitas em lugares de clima
temperado, como os EUA e o Canad�, ou em
�reas tropicais (Panam�, Costa Rica, Equador
e Brasil) trouxeram um dado novo sobre o
comportamento desses insetos.
As dietas das lagartas tropicais s�o muito
mais especializadas do que aquelas das suas
"primas" de florestas temperadas, mostrou o
estudo.
A quest�o pode ter a ver com uma "guerra
qu�mica" mais intensa nas zonas pr�ximas da
linha do Equador. Nos tr�picos, como a
intera��o entre plantas e insetos � maior,
por uma quest�o de quantidade simplesmente,
as plantas precisam ser mais agressivas na
s�ntese de subst�ncias que as tornem sem
paladar para os animais. � o jogo da
evolu��o em curso.
O resultado dessa luta � que os insetos
acabam sendo for�ados a reduzir bastante o
seu card�pio di�rio, para n�o sumirem antes
da hora.
Mesmo com mais um elo ecol�gico fechado, o
trabalho de Dyer e equipe - a brasileira
Helena de Morais, da Universidade de
Bras�lia, especialista em cerrado, � uma das
pessoas do grupo - ainda n�o conseguiu um
avan�o significativo no campo quantitativo.
Isso, apesar de os cientistas terem
trabalhado com 75.000 amostras de taturanas
e lagartas (larvas de insetos como
borboletas e mariposas).
Apesar de o estudo ter lan�ado luzes sobre a
distribui��o de insetos, especialmente nos
tr�picos, onde s�o mais abundantes, ele n�o
ajudou a melhorar as estimativas de quantas
esp�cies desse grupo existem.
"Estamos muito longe de explicar a
distribui��o global da biodiversidade",
afirma o pesquisador Nigel Stork, da
Universidade de Melbourne, Austr�lia,
comentando o trabalho, editado na ultima
edi��o da revista cient�fica "Nature".
Mesmo os besouros sendo seres muito comuns,
as explica��es sobre biodiversidade nos
continentes se baseiam s� neles, nas plantas
e nos grandes mam�feros, diz Stork.
J� receberam nomes cient�ficos 850.000
esp�cies de insetos. Faltaria ainda coletar,
nomear e descrever algo entre 4,25 milh�es e
17 milh�es de outros destes animais, segundo
Stork. Um n�mero ainda mais assombroso foi
estimado pelo pesquisador Terry Erwin em
artigo de 1982: s� nos tr�picos existiriam
em torno de 30 milh�es de esp�cies de
insetos.
J� o estudo feito por dezesseis
pesquisadores da equipe de Vojtech Novotny,
da Universidade do Sul da Bo�mia, Rep�blica
Checa, focalizou a floresta tropical da Nova
Guin�.
Sentido oposto
Foram estudadas aproximadamente 500 esp�cies
de insetos comedores de folhagem
(lepid�pteros), madeira (besouros) e frutas
(moscas).
Os oito pontos de amostragem cobrem uma �rea
de 75.000 km quadrados.
Ao contr�rio da equipe de Dyer, Novotny e
colegas, que tamb�m publicaram na "Nature",
mostraram que havia um pequeno �ndice de
mudan�a na composi��o das esp�cies de
insetos ao longo da floresta.
Essa mudan�a ou taxa de substitui��o na
composi��o de esp�cies de uma regi�o para
outra � conhecida pelos bi�logos como
"diversidade beta".
O grupo de Novotny estima que florestas
tropicais como a da Amaz�nia devem ter
"diversidade beta" baixa de insetos, pois
apresentam baixa diversidade de tipos de
vegeta��o.
Corais somem cinco vezes mais r�pido que
florestas
Os recifes de corais desapareceram at� 2004
a uma taxa m�dia anual de 2%, --valor que �
o qu�ntuplo do �ndice de diminui��o das
florestas tropicais do mundo. Em �rea, isso
equivale a aproximadamente 293 mil campos de
futebol das dimens�es do Maracan�.
Pela primeira vez, cientistas conseguiram
medir com precis�o o sumi�o dos bancos
coralinos de uma forma mais geral. Se a
dimens�o da cat�strofe surpreendeu at� mesmo
os pesquisadores, a lista de motivos n�o tem
novidades. Boa parte desse processo est�
sendo causado pela humanidade, apesar de
fen�menos naturais, nesse caso, n�o poderem
tamb�m ser de todo descartados.
A maioria dos dados analisados em um artigo
cient�fico publicado na vers�o eletr�nica da
revista "PLoS ONE" referem-se aos oceanos
�ndico e Pac�fico. Nessas �reas do globo �
que est�o mais de 75% dos bancos de corais
do mundo.
Ao todo, 6001 medidas foram processadas pela
dupla John Bruno e Elizabeth Selig, da
Universidade da Carolina do Norte. Elas s�o
referentes � 2667 bancos de corais.
Como mais de um recife foi estudado em
momentos diferentes entre 1968 e 2004,
tamb�m foi poss�vel notar a hist�ria
cronol�gica do desaparecimento dos recifes
de corais.
Enquanto nos anos 1980 a cobertura m�dia dos
bancos era de 42,5%, em 2003, essa mesma
refer�ncia caiu para 22,1%. O que equivale a
uma taxa m�dia de sumi�o de 1% ou 1.500 km2.
O problema � que esse �ndice tem aumentado.
Se entre 20 anos ele ficou em 1%, entre 1997
e 2003 ele dobrou. Nesse �ltimo per�odo s�o
mais de 3.100 km2 que desapareceram.
Globaliza��o destrutiva
Do lado do Caribe, as refer�ncias
cient�ficas j� existentes tamb�m mostram
algo bem parecido. Do lado de c� do mundo,
os corais est�o desaparecendo a uma taxa
m�dia anual de 1,5%. Isso segundo medidas
feitas entre 1997 e 2001.
Mesmo nos oceanos �ndico e Pac�fico, segundo
os dados copilados agora pelos
pesquisadores, n�o existe uma regi�o que
esteja melhor que outra.
De acordo com o estudo, nem mesmo na Grande
Barreira de Corais --�rea protegida na costa
nordeste da Austr�lia considerada exemplo de
preserva��o-- os recifes est�o a salvo.
A m�dia de cobertura l�, apesar de existir
uma certa estabilidade recente, � de 27%.
Para a dupla de pesquisadores que fez o
estudo, est� mais do que claro que os
formuladores de pol�ticas p�blicas ainda n�o
despertaram para a urg�ncia do problema.
Os corais s�o considerados elos fundamentais
da teia ecol�gica marinha. Como eles formam
grandes ecossistemas nos mares tropicais,
sem eles, muitos peixes, e v�rias esp�cies
de invertebrados, ter�o dificuldade tamb�m
para sobreviver.
Nos bancos de recifes n�o � apenas a
biodiversidade que � extraordin�ria. A
produtividade de nutrientes tamb�m �.
Til�pia ajuda a combater mal�ria no Qu�nia
Pesquisadores quenianos descobriram a
importante fun��o de um peixe simples, a
til�pia, na luta contra a propaga��o da
mal�ria.
Segundo informa a rede brit�nica de
televis�o BBC, a til�pia do Nilo (Oreochromis
niloticus), muito consumida no Qu�nia, foi
levada a v�rios tanques abandonados no oeste
do pa�s para ajudar a combater a doen�a,
end�mica em amplas regi�es da �sia e �frica.
Ao consumir a larva de mosquitos, o peixe
consegue reduzir em 94% a quantidade dos
insetos transmissores da mal�ria.
Til�pia do Nilo est� ajudando a controlar
mosquitos da mal�ria no Qu�nia, diz pesquisa
O apetite da til�pia pelos insetos era
conhecido desde 1917. Mas pela primeira vez
os cientistas divulgam dados sobre sua
utiliza��o no controle dos mosquitos,
segundo os pesquisadores do Centro
Internacional de Fisiologia e Ecologia de
Insetos, com sede no Qu�nia.
Segundo a publica��o brit�nica "BMC Public
Health", o peixe pode desempenhar uma fun��o
muito importante porque os mosquitos s�o
cada vez mais resistentes aos pesticidas. O
parasita Plasmodium, causador da mal�ria, �
transmitido por meio da picada do mosquito.
A �frica Subsaariana, onde uma crian�a morre
de mal�ria a cada 30 segundos, responde por
90% dos casos em todo o mundo.
Os autores sugerem que, para os quenianos, o
peixe pode ser um �timo investimento. Al�m
de limitar a quantidade de mosquitos, ele
pode ser utilizado como alimento e fonte de
renda.
Golfinho de �gua doce chin�s pode estar
extinto, dizem bi�logos
da France Presse, em Xangai
A r�pida industrializa��o da China pode ter
provocado a extin��o do golfinho de �gua
doce conhecido como baiji, que estava no
planeta h� 20 milh�es de anos, anunciaram
bi�logos chineses e brit�nicos nesta
quarta-feira.
Cientistas da China, Jap�o, Reino Unido e
Estados Unidos n�o conseguiram encontrar
nenhum baiji durante uma busca de seis
semanas no habitat da esp�cie, o rio
Yang-ts�, no ano passado.
Reuters

Golfinho chin�s de �gua doce, conhecido como
baiji, tem como habitat o rio Yang-ts�
"Esse resultado significa que o baiji parece
estar extinto", afirmou Wang Ding, que
coordenou a busca e � considerado um dos
maiores especialistas nesta esp�cie no
mundo. O golfinho foi v�tima de uma polui��o
devastadora, da pesca ilegal e do tr�fego
pesado no rio, segundo Wang.
A descoberta significa que o baiji � o
primeiro mam�fero a ser considerado extinto
em mais de 50 anos. Ele � primo do golfinho
nariz-de-garrafa, esp�cie que tamb�m est� na
lista de risco de extin��o.
Wang, membro da Academia Chinesa de
Ci�ncias, enfatizou por�m que ainda n�o
perdeu as esperan�as em rela��o ao destino
do baiji. "N�o estamos dizendo que
desapareceu por completo", afirmou, ainda
que lamentando a falta de sinais desse
mam�fero durante a miss�o.
Wang disse que sua equipe publicar� uma
carta no pr�ximo n�mero do jornal da
Sociedade Real Brit�nica de Biologia
confirmando a cren�a de que o baiji se
extinguiu.
A �ltima vez que o golfinho de �gua doce foi
visto no Yang-ts� foi h� dois anos. Da mesma
forma, a �ltima contagem oficial realizada
por uma equipe de pesquisa remonta a 1997,
quando foram contabilizados 13 golfinhos.
Segundo o site www.baiji.org, cerca de 5.000
mam�feros dessa esp�cie viviam no Yangtze h�
cem anos.
Formigas jovens acumulam conhecimento para
vida adulta, diz estudo
As experi�ncias acumuladas durante a
juventude pelas formigas da esp�cie
Cerapachys biroi determinam seu
comportamento durante a etapa adulta, afirma
um estudo publicado pela revista "Current
Biology".
Divulga��o

Formigas aprendem ainda jovens o que usar�o
na idade adulta, afirma nova pesquisa
Bi�logos da Universidade de Paris dividiram
um grupo de formigas, todas elas em idade de
buscar comida para as larvas, em dois
grupos: metade dos insetos foi introduzida
em uma zona onda havia presas e outra metade
em uma �rea sem nenhum tipo de alimento em
potencial.
Um m�s mais tarde, a primeira metade do
grupo havia se especializado na busca por
alimentos. Em contrapartida, a segunda havia
se voltado para o cuidado das mais jovens no
interior do ninho, segundo os cientistas.
"A hist�ria individual possui um papel na
organiza��o das sociedades de insetos. A
experi�ncia vivida surge como uma vari�vel
fundamental no desenvolvimento do
comportamento", afirmaram.
Origin�rias do Jap�o e de Taiwan, essas
formigas biroi foram eleitas para esse
experimento porque se reproduzem sem
fecunda��o, o que faz de todos os seus
indiv�duos "c�pias perfeitas".
Floresta de 8 milh�es de anos � encontrada
na Hungria
da France Presse, em Bukkabrany
Arque�logos encontraram uma floresta de
ciprestes de 8 milh�es de anos em Bukkabrany,
nordeste da Hungria. A floresta encontra-se
bem preservada e n�o est� fossilizada.
"A descoberta � excepcional � medida que as
�rvores conservaram sua estrutura. Elas n�o
se transformaram em carv�o nem
petrificaram", disse Tamas Pusztai,
coordenador do departamento arqueol�gico
local do museu Otto Herman, que comandou a
escava��o.
Os arque�logos anunciaram a descoberta na
�ltima semana depois de encontrar a
misteriosa floresta de um tipo de cipreste,
depois de dias de escava��o.
Mineradores que trabalhavam em uma mina de
carv�o descobriram v�rios troncos que se
transformaram em carv�o, um fato comum nesse
tipo de ambiente.
"Mais adiante, encontramos 16 �rvores que
permaneceram onde haviam crescido h� cerca
de oito milh�es de anos e que estavam bem
preservadas", disse Pusztai.
Tempestade de areia
Tudo o que restou das �rvores foram os
troncos, que possuem de dois a tr�s metros
de di�metros e cerca de seis metros de
altura, embora as �rvores originais tenham
provavelmente medido at� 40 metros de
altura.
Segundo Miklos Kazmer, diretor do
departamento de paleontologia da
universidade de Ci�ncias Naturais Loran
Eotvos, em Budapeste, o estado excepcional
de preserva��o das �rvores � devido a uma
tempestade de areia que cobriu a floresta a
uma altura de seis metros.
Cuba adverte sobre a perda da diversidade na
ilha
As autoridades cubanas advertiram da perda
de diversidade biol�gica em seu territ�rio
como um dos principais problemas ambientais
do pa�s, informa hoje a imprensa oficial.
O di�rio Granma, �rg�o oficial do Partido
Comunista de Cuba, assinala que as causas
para a perda de esp�cies de flora e fauna
v�o desde a destrui��o do habitat e
ecossistemas ao com�rcio il�cito de esp�cies
amea�adas, embora n�o detalhe n�meros sobre
seu impacto.
Al�m disso, cita elementos como a introdu��o
de esp�cies ex�ticas que prejudicam as
aut�ctones e a insufici�ncia de mecanismos
de regula��o e de controle para prevenir e
sancionar a ca�a e pesca furtivas.
Todos estes problemas aparecem
diagnosticados na Estrat�gia Ambiental
Nacional para o per�odo 2007-2010 do
Minist�rio de Ci�ncia Tecnologia e Meio
Ambiente (Citma), no qual tamb�m se
mencionam outros fatores que influem na
perda de biodiversidade. Entre eles, a
degrada��o e contamina��o dos solos e a
explora��o execessiva de recursos pesqueiros
e florestais.
Por outro lado, assinala que "o processo de
avalia��o de impacto ambiental e as decis�es
sobre planejamento territorial derivadas do
mesmo nem sempre consideraram em sua justa
medida os valores intr�nsecos e de uso da
diversidade biol�gica".
Assinala que "se carece de indicadores
efetivos e dos processos e instrumentos de
monitora��o necess�rios para seu
desenvolvimento e implementa��o" e que "em
muitos casos" n�o se disp�e de linhas base
adequadas como pontos de partida para "a
determina��o das tend�ncias da perda de
diversidade".
No relat�rio, o Citma aponta outros
problemas ambientais como a contamina��o
pela concentra��o de instala��es industriais
em �reas urbanas, contaminando os fluxos de
�gua, trazendo investimento insuficiente
neste terreno e a falta de pr�ticas de
"produ��o mais limpa".
Tamb�m aponta problemas relacionados com a
degrada��o dos solos, derivados da falta de
rota��o de campos dedicados ao cultivo de
cana-de-a��car, o mal uso das t�cnicas
agr�colas e as medidas insuficientes de
prote��o da fertilidade.
Segundo o Citma, os processos de eros�o
afetam 2,5 milh�es de hectares no pa�s, e
assinala que cerca de 3,4 milh�es de
hectares t�m altos n�veis de acidez e h�
mais de um milh�o com alto grau de
salinidade. Estes problemas, junto a outros
fatores, afetam cerca de 60% da superf�cie
do pa�s, que � de 110.922 quil�metros
quadrados.
Abelhas refor�am esquadr�o antibomba da
Cro�cia
Sob os olhares atentos de seus treinadores,
centenas de abelhas se lan�am sobre um
apraz�vel campo nas proximidades de Zagreb,
n�o � procura de p�len, mas de minas
terrestres espalhadas, que estes insetos s�o
capazes de detectar gra�as ao seu olfato
excepcional.
Estas grandes oper�rias foram especialmente
treinadas por cientistas da Faculdade de
Agronomia de Zagreb para que sejam capazes
de identificar o cheiro dos explosivos.
Em pouco tempo elas devem ser levadas a
campos minados de verdade que, doze anos
depois do fim da guerra da Cro�cia
(1991-1995), ainda possui minas instaladas
nas antigas zonas de combate.
"At� agora tivemos excelentes resultados,
mesmo que o n�vel sensorial desejado das
abelhas ainda n�o tenha sido atingido. Isso
depende a partir de agora de nossa pr�pria
tenacidade", comemora Nikola Kezic,
professor da faculdade.
Para ensinar �s abelhas a sentirem o cheiro
das minas, os treinadores p�em pequenas
quantidades de TNT em ta�as e as colocam ao
lado dos recipientes onde fica a comida dos
insetos. O objetivo � faz�-los associar o
odor do explosivo ao do alimento.
"As abelhas voam sobre estas mostras de TNT,
mas o odor exalado pelo explosivo de uma
mina escondida na terra � muito mais fraco.
N�s queremos ent�o que as abelhas sejam
atra�das por cheiros menos intensos",
explica Kezic.
De acordo com o pesquisador, s�o necess�rios
apenas quatro dias para treinar estes
insetos a rastrarem o cheiro do explosivo.
"Por enquanto, n�s ainda n�o as levaremos
para os verdadeiros campos minados. Estamos
esperando que este m�todo seja validado",
afirma ele. Em breve, este esquadr�o
anti-bombas voador ser� utilizado para
controlar as zonas que foram "limpas" pelos
m�todos cl�ssicos.
"Nenhum campo foi 100% limpo e qualquer
m�todo com o qual n�s melhoramos a seguran�a
tem um valor inestim�vel", explica Kezic.
Ainda hoje cerca de 1.100 km2 do territ�rio
croata, 2% da superf�cie total do pa�s, s�o
infestados por aproximadamente 250.000 minas
e outros explosivos.
Aos 35 milh�es de euros recolhidos em 2006
pelo Centro Croata de Desminagem (CCD) ser�
necess�ria a adi��o de 1,3 bilh�o de euros
para desarmar as minas do pa�s.
A ambi��o do governo croata � "limpar" as
principais "zonas de alto risco" at� 2009.
80% dos custos do procedimento s�o assumidos
pelo Estado e por empresas locais que, com
os modestos 20% cedidos por governos
estrangeiros, formam um panorama
desalentador: neste ritmo de investimentos,
seriam necess�rios 30 anos para que a
Cro�cia se visse livre das minas.
A opera��o de retirada de minas envolve hoje
30 companhias, cerca de 600 especialistas e
mais 130 c�es farejadores.
O diretor do centro de desenvolvimento do
HCD, Nikola Pavkovic, considera que o
projeto com as abelhas � promissor, numa
situa��o em que o Estado disp�e de poucos
recursos para encontrar as minas.
"Isso poderia contribuir com o aumento da
seguran�a entre os agentes anti-bomba e os
cidad�os", afirma o t�cnico, acrescentando
que m�todos similares de detec��o de
explosivos j� foram desenvolvidos pelos
Estados Unidos, Canad� e �frica do Sul.
Depois do fim da guerra, 450 pessoas foram
mortas na Cro�cia em explos�es de minas e
outras 1.800 pessoas foram mutiladas,
segundo estat�sticas oficiais.
Peixes-zebra podem ajudar a curar cegueira
humana
A habilidade do
peixe-zebra (Danio rerio) em regenerar
danos �s suas retinas deu aos cientistas uma
pista sobre como restaurar a vis�o humana e
pode levar a tratamentos experimentais para
a cegueira em cinco anos, anunciaram
cientistas brit�nicos nesta quarta-feira.
Especialistas da Instituto de Oftalmologia
da Universidade College London tiveram
sucesso ao criar em laborat�rio um tipo de
c�lula-tronco adulta encontrada tanto nos
olhos de peixes quanto dos mam�feros.
Segundo eles, essa c�lula tem a capacidade
de desenvolver neur�nios localizados na
retina.
No futuro, essas c�lulas podem ser injetadas
nos olhos como parte de tratamentos de
doen�as oftalmol�gicas, como glaucoma e
cegueira relacionada ao diabetes. Danos �
retina - parte do olho respons�vel por
enviar mensagens ao c�rebro - s�o os
respons�veis pela maioria dos casos de perda
de vis�o.
"Nossa descoberta tem um enorme potencial",
disse Astrid Limb, uma das autoras do
trabalho, publicado na resvista
especializada Stem Cells. "Ela pode ajudar
em todas as doen�as em que os neur�nios
est�o prejudicados, o que, basicamente,
acontece em quase todas as doen�as
oculares", explicou.
Segundo ela, os peixes-zebra tem uma
quantidade abundante da c�lula-tronco capaz
de regenerar suas retinas, o que justifica o
uso da esp�cie no estudo. Nos mam�feros,
esse tipo de c�lula � rara, talvez porque
exista um sistema que limite sua
prolifera��o, suspeitam os pesquisadores.
Inunda��es matam ao menos 150 e desabrigam
milh�es no sul da �sia
da France Presse, em Guwahati (�ndia)
Inunda��es na �ndia, em Bangladesh e no
Nepal atingiram mais de oito milh�es de
pessoas e deixaram ao menos 150 mortos,
segundo novos balan�os publicados nesta
ter�a-feira pelas autoridades.
Na �ndia, ao menos 112 pessoas morreram e
mais de 7 milh�es tiveram que abandonar suas
casas --3 milh�es das quais no Estado de
Bihar, no leste do pa�s. Em Bihar, 62
pessoas morreram, segundo a ag�ncia United
News da �ndia. Tamb�m foram registradas 25
mortes no Estado de Assam, no nordeste
indiano, e 25 em Uttar Pradesh, no norte,
segundo as autoridades.
Moradores andam na enchente em Sirajganj, a
150 km de Daccar, capital de Bangladesh
As opera��es de resgate continuaram nesta
ter�a-feira com a ajuda do Ex�rcito e foram
abertos cerca de 3.000 abrigos tempor�rios,
segundo o governo. Desde que a mon��o
come�ou, em junho, cerca de 800 pessoas
morreram em todo o pa�s.
Em Bangladesh, ao menos 16 pessoas morreram
e mais de um milh�o est�o desabrigadas. Dos
64 distritos do pa�s, 20 est�o inundados.
Foram abertos centenas de centros de
emerg�ncia, segundo as autoridades.
"As �guas come�aram a baixar em algumas
regi�es do norte, mas os rios Ganges e
Brahmaputra continuam com n�veis que superam
o n�vel de alerta. Outros distritos no
centro do pa�s foram inundados", disse
Dhiraj Malakar, um dos respons�veis pelos
salvamentos no pa�s. Bangladesh tem 230
rios, que a cada ano inundam pelo menos um
quinto do pa�s. No ver�o de 2004, morreram
700 pessoas.
Milhares de soldados, socorristas e
volunt�rios participavam das opera��es de
resgate e foram enviadas equipes m�dicas �s
regi�es mais atingidas. A imprensa local
publicou que milhares de moradores do
distrito de Kurigram, no norte, n�o haviam
recebido nem comida nem �gua h� dias.
No Nepal, onde o �ltimo balan�o registrava
22 mortos, n�o foi divulgado nenhum novo
relat�rio nesta ter�a-feira.
Nas �ltimas semanas, mais de 650 pessoas j�
morreram na China por causa de enchentes e
deslizamentos de terra provocados por fortes
chuvas, segundo a imprensa estatal do pa�s.
Mudan�a clim�tica duplicou freq��ncia de
furac�es nos �ltimos cem anos
da Efe, em Washington
O n�mero de furac�es que nascem no Atl�ntico
duplicou em compara��o com o s�culo passado,
devido ao aumento da temperatura mar�tima e
� mudan�a clim�tica, segundo pesquisa
realizada por cientistas americanos.
O estudo, do Centro Nacional de Pesquisas
Atmosf�ricas (NCAR, em ingl�s) e no
Instituto Tecnol�gico da Ge�rgia, tamb�m
considerou a mudan�a nos padr�es do vento
das �ltimas d�cadas.
Como exemplo, os cientistas afirmam que no
ano de 2006 --menos ativo que os dois
anteriores pela presen�a do fen�meno El Ni�o
no Pac�fico-- h� um s�culo teria sido
considerado como uma temporada com
tempestades muito acima da m�dia.
A an�lise se baseia nos furac�es e nas
tempestades tropicais que nascem nos
litorais ocidentais da �frica durante o
segundo semestre.
Os ciclones adquirem for�a e massa � medida
que avan�am em dire��o ao oeste e geralmente
entram no Golfo do M�xico ou causam impacto
sobre as costas da Am�rica Central e dos
Estados Unidos.
O documento identifica tr�s per�odos desde
1900, durante os quais a m�dia de furac�es e
tempestades tropicais aumentou de maneira
consider�vel.
O primeiro per�odo, entre 1900 e 1930,
registrou uma m�dia de seis tempestades
tropicais, das quais quatro foram furac�es.
Entre 1930 e 1940, a m�dia anual foi de dez
ciclones, incluindo cinco tempestades
tropicais e cinco furac�es. J� entre 1995 a
2005 a m�dia chegou a 15: oito furac�es e
sete tempestades tropicais.
"Os n�meros s�o um ind�cio concreto de que a
mudan�a clim�tica � um fator influente no
n�mero de furac�es do Atl�ntico", disse Greg
Holland, cientista do NCAR e um dos autores
do estudo publicado pelo portal "Philosophical
Transactions of the Royal Society of London".
Por outro lado, "com os padr�es atuais, um
ano de pouca atividade de furac�es teria
sido considerado normal e at� ativo na
primeira parte do s�culo passado".
Apesar de evitarem fazer progn�sticos
negativos, os cientistas avisaram que o
per�odo atual n�o se estabilizou ainda, o
que significa que a m�dia no n�mero de
furac�es poderia ser maior nos pr�ximos
anos.
De acordo com os pesquisadores, o aumento no
n�mero de furac�es e tempestades tropicais
durante os �ltimos 100 anos � paralelo ao
das temperaturas mar�timas, que foi de cerca
de 1,7 �C.
O aquecimento mar�timo aconteceu em �pocas
anteriores a fortes altas na freq��ncia das
tempestades, tanto no per�odo que come�ou em
1930 como no que teve in�cio em 1995, e
continuou nos anos posteriores.
No entanto, apesar do aumento no n�mero e na
freq��ncia das tempestades, a propor��o de
furac�es e tempestades tropicais se manteve
sem grandes varia��es.
At� agora, os furac�es representaram cerca
de 55% de todos os ciclones tropicais que
nascem no Atl�ntico.
Mas a propor��o de furac�es mais violentos,
com ventos de quase 200 km/h, oscilou
irregularmente e nos �ltimos anos aumentou
em rela��o aos ciclones menos intensos e �s
tempestades tropicais, disseram os
cientistas.
Cinzas de carv�o de termoel�trica ajudam a
limpar meio-ambiente
Da reda��o
O carv�o queimado em usinas termel�tricas
gera energia, mas tamb�m produz res�duos
s�lidos, cinzas, durante o processo. Essas
cinzas s�o normalmente descartadas de forma
inadequada, sem aten��o ao meio-ambiente,
podendo contaminar �guas superficiais e
subterr�neas. Mas agora uma pesquisadora do
IPEN (Instituto de Pesquisas Energ�ticas e
Nucleares) descobriu uma forma de converter
essas cinzas t�xicas em material capaz de
descontaminar �reas j� polu�das.
A Dra. Denise Alves Fungaro, pesquisadora na
�rea de qu�mica ambiental, descobriu uma
alternativa vi�vel para o aproveitamento
desses res�duos, tranformando as cinzas em
um material absorvente de baixo custo, capaz
de remover subst�ncias t�xicas de �guas
contaminadas.
As cinzas de carv�o mineral s�o constitu�das
basicamente de s�lica e alumina, sendo
poss�vel convert�-las em material zeol�tico
ap�s tratamento hidrot�rmico em meio
alcalino. Ze�litas s�o materiais que cont�m
poros microsc�picos, que funcionam como
filtros, retendo praticamente todos os
metais t�xicos e at� algumas subst�ncias
org�nicas.
A id�ia est� sendo testada com �xito na
Usina Termoel�trica de Figueira (Paran�),
que possui uma capacidade de gera��o de 20
MW. O material zeol�tico gerado a partir das
cinzas da usina foi utilizado para
descontaminar a �gua proveniente de um
processo industrial de galvanoplastia
contendo altos n�veis de zinco. Obteve-se
uma m�dia de 88% de remo��o e a quantidade
do metal na �gua ap�s o tratamento estava
dentro dos limites permitidos pela
legisla��o para descarte no meio ambiente.
No processo, cada 1 Kg de ze�lita remove at�
36 g do metal presente na �gua.
A substitui��o da resina normalmente
utilizada pela ze�lita sintetizada a partir
das cinzas de carv�o pode representar uma
economia de cerca de 42% para as ind�strias
do setor de processamento de metais. Outro
ponto importante � que a ze�lita pode ser
regenerada e reutilizada, tornando o
processo ainda mais econ�mico.
O material zeol�tico poder� ser tamb�m
utilizado em filtros e barreiras, na
corre��o de solos e no tratamento das �guas
de drenagem �cida que s�o geradas na pr�pria
usina termel�trica.
Assentamento amea�a pesquisa no Amazonas,
dizem especialistas
GIOVANA GIRARDI
Colabora��o para a Folha de S.Paulo
Um dos mais antigos projetos cient�ficos na
Amaz�nia corre o risco de acabar por conta
da coloniza��o desordenada da floresta. O
alerta est� sendo lan�ado por pesquisadores
do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas
Amaz�nicas) e da Institui��o Smithsonian,
dos Estados Unidos, na edi��o de hoje da
revista "Nature".
Os cientistas alegam que o plano de assentar
colonos nos arredores de Manaus amea�a o
PDBFF (Projeto Din�mica Biol�gica de
Fragmentos Florestais). Segundo eles, em
locais j� ocupados, ca�adores invadiram as
�reas estudadas e parte das matas usadas em
estudos foram queimadas.
O projeto foi criado no final dos anos 1970
para avaliar o impacto da fragmenta��o da
floresta na biodiversidade. A id�ia partiu
do cientista Thomas Lovejoy, hoje presidente
do Centro Heinz para Ci�ncia, Economia e
Ambiente, dos EUA. No auge do desmatamento,
ele conseguiu convencer propriet�rios de
terra que iam derrubar a floresta a deixar
um espa�o predeterminado intacto.
Os cientistas comparam a situa��o desses
fragmentos com o de outros localizados
dentro da floresta e v�m mostrando ao longo
de d�cadas como a fragmenta��o afeta fauna e
flora nos trechos remanescentes.
O problema � que a �rea de estudo, de cerca
de 1.000 km2, fica a apenas duas horas do
norte de Manaus, no chamado distrito
agropecu�rio da Suframa (Superintend�ncia da
Zona Franca de Manaus), e agora est�
sofrendo press�o do crescimento populacional
na capital do Estado. Novas �reas de
assentamento foram demarcadas nas
proximidades dos s�tios do PDBFF (veja mapa
acima), e os pesquisadores temem que este
seja o come�o do fim.
Quando este espa�o foi criado, h� cerca de
30 anos, ele de fato tinha como objetivo
assentar pequenos agricultores, mas logo a
�rea se mostrou improdutiva, conta a
pesquisadora do Inpa Regina Luiz�o, uma das
autoras do artigo. "O distrito foi em grande
parte abandonado e essa regi�o virou um
para�so para a pesquisa. Mas nos �ltimos
anos, de repente, come�amos a ver chegar
gente de todo lado", afirma.
Segundo ela, de milh�es de d�lares
investidos por Brasil e EUA no programa
pesquisa est�o em risco. "J� ficou bem claro
que esta �rea n�o � prop�cia para o plantio.
Por que, ent�o, voltar a ocupar a regi�o?",
questiona Regina.
Ladr�es e ca�adores
O PDBFF funciona hoje com o estudo de 23
fragmentos. Os trechos dentro das fazendas
at� est�o protegidos, mas aqueles na
floresta aberta que s�o a base de compara��o
para o estudo est�o mais vulner�veis,
explica a ec�loga. Isso porque algumas �reas
ficam localizadas na beira de estradas
vicinais da BR-174 (Manaus-Boa Vista), como
a ZF3. Constru�da justamente para o
transporte dos cientistas, ela agora
facilita o acesso dos colonos. "Nosso
principal acampamento j� foi assaltado duas
vezes. On�as e pumas que vivem nessas �reas
est�o sendo ca�ados", reclama.
"� desencorajador ver que o futuro da
ci�ncia n�o parece estar pesando muito na
decis�o de retomar os acampamentos", disse
Lovejoy � Folha. "O valor de estudos
ecol�gicos assim se comp�e com o tempo e o
conhecimento acumulado."
Os pesquisadores alertam que h� risco para
outros estudos cient�ficos localizados nesta
mesma regi�o, como o LBA (Experimento de
Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na
Amaz�nia). Segundo Fl�vio Luiz�o, um dos
coordenadores do projeto e marido de Regina,
a ocupa��o j� come�ou a afetar alguns
trabalhos.
Uma das pesquisas, por exemplo, mede a
emiss�o e captura de gases na floresta,
sobretudo o g�s carb�nico, o que tem servido
para avaliar o papel da mata no combate ao
efeito estufa. Recentemente, os
pesquisadores notaram que um assentamento
localizado perto da torre de medi��o estava
afetando os n�meros, j� que as queimadas da
floresta elevaram a emiss�o de CO2.
Os cientistas pedem que seja estabelecida
pelo menos uma �rea tamp�o de alguns
quil�metros para impedir que os
assentamentos fiquem na borda dos s�tios
cient�ficos.
Suframa
A Suframa informou que em 2003 prop�s a
cria��o de uma �rea de seguran�a nas
cercanias das regi�es sob pesquisa, mas que
houve "discord�ncia acerca do raio de
extens�o". Em nota enviada � Folha, o �rg�o
diz que o Inpa queria uma �rea maior que a
proposta e n�o aceitou um acordo. "Mesmo
assim, desde esse per�odo n�o houve
assentamento de fam�lias no entorno da �rea
destinada �s pesquisas."
A Suframa afirma ainda que tem buscado
apoiar as pesquisas, mas sem que isso
prejudique o que ela chama de "objetivo-fim"
do distrito agropecu�rio, "que � o de
possibilitar a atividade de produtores
rurais mediante r�gidos crit�rios, de forma
sistem�tica e organizada, de modo a
viabilizar a ocupa��o e explora��o
econ�mica, ecologicamente correta e
socialmente desej�vel das �reas ocupadas."
Cientista defende mata com valor para
superar "exporta��o de bananas"
EDUARDO GERAQUE
Se o projeto de desenvolvimento do Brasil
n�o mudar, o pa�s vai continuar apenas
"exportando bananas" (leia-se soja, carne e
�lcool) e derrubando a floresta amaz�nica
sem receber nada. Isso, segundo o
parasitologista brasileiro Luiz Hildebrando
da Silva.
H� dez anos, Silva, um dos maiores
especialistas em mal�ria do mundo, trocou
Paris por Porto Velho (RO) onde continua a
fazer pesquisa, aos 78 anos. Para ele, o
processo de desenvolvimento amaz�nico atual,
centrado em produtos n�o tecnol�gicos como a
soja e a carne, est� promovendo uma "bela
distribui��o de renda, mas na Europa, n�o no
Brasil".
Em entrevista concedida � Folha em Bel�m, no
Par�, no in�cio do m�s durante a 59� Reuni�o
Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o
Progresso da Ci�ncia, o m�dico mostrou com
clareza a correla��o entre a alta incid�ncia
de mal�ria no interior de Rond�nia e o
modelo de desenvolvimento escolhido para a
regi�o Norte.
Para ele, a bioprospec��o (pesquisa de
f�rmacos e outros produtos derivados de
seres vivos) � um caminho de desenvolvimento
mais seguro. A exporta��o de carne, por
outro lado, est� atrelada ao desmate.
"Em n�meros de 2004, podemos dizer que o
rebanho amaz�nico � da ordem de 25 milh�es
de cabe�as -isso em uma �rea de 7,5 milh�es
de hectares de floresta j� derrubada",
calcula Silva. "Hoje, a estimativa � que a
pecu�ria ocupe quase o dobro disso."
Segundo o pesquisador, a rentabilidade m�dia
da pecu�ria na regi�o � de US$ 210 por
hectare para o produtor, um valor "baixo".
"O setor n�o cria emprego, n�o distribui
renda."
Como a carne brasileira custa em m�dia US$
1.500 a tonelada para os europeus --e ainda
� taxada em US$ 3.500 por tonelada pelos
governos-- o racioc�nio de Silva atinge um
ponto culminante.
"Essa mais-valia [lucro retido] � usada por
governos europeus para ajudar os produtores
de l�. Acabamos fazendo para eles uma
esp�cie de justi�a social", explica o
pesquisador.
"No caso da soja, ocorre o mesmo. A
produtividade � ainda mais baixa", afirma.
Para alterar essa situa��o, Silva defende
que institui��es como a SBPC procurem
defender por um novo modelo, baseado no
produto natural, que consiga ser
comercializado junto com um valor agregado.
O exemplo, de acordo com o pesquisador, pode
estar nas pesquisas feitas no Ipepatro
(Instituto de Pesquisas em Patologias
Tropicais), em Porto Velho, do qual ele
pr�prio � um dos coordenadores.
"Em uma das pesquisas, por exemplo,
conseguimos isolar uma subst�ncia vegetal
que pode inativar o veneno da jararaca. Ela
tem ainda a��o que poder� ser eficaz contra
a leishmaniose", diz o cientista.
Ele lembra que j� existem subst�ncias usadas
contra males card�acos, extra�das de venenos
de cobra, comercializadas a US$ 350 o
miligrama. "Isso [a pesquisa] tamb�m foi
feito na Amaz�nia", diz o cientista.
Para ele, a compara��o entre os ganhos com
os produtos naturais aliados a algum tipo de
inova��o tecnol�gica � muito superior �
exporta��o de carne, soja e at� do �lcool.
Ciclos de mal�ria
Apesar de n�o ligar diretamente uma coisa a
outra, Silva gosta de lembrar como a
mal�ria, doen�a na qual � especialista,
chegou na Amaz�nia. "Foi nos anos 1950 e
1960, quando o governo militar come�ou a
abrir estradas e distribuir terras." O novo
ciclo de obras na floresta, como a
constru��o de grandes usinas, pode ter um
efeito semelhante, diz.
Como proposta para mudar o curso dos
amaz�nidas, o parasitologista tem uma tese
j� estruturada, que batizou de "elitismo
democr�tico".
"As lideran�as n�o devem ser impostas de
forma arbitr�ria. Elas devem surgir de forma
democr�tica, de um processo seletivo, da
capacita��o de cada cientista", diz. "Para
isso, n�s temos que mudar as maneiras de
sele��o. Temos que incorporar, inclusive,
elementos de estrutura seletiva do
exterior."
Para o cientista, como sem lideran�a n�o h�
trabalho, existe uma cultura equivocada hoje
em voga no Brasil, que acaba tendo
repercuss�o em v�rios n�veis. "A tend�ncia �
considerar que todo mundo � igual. E que o
resultado de um progresso na �rea do
conhecimento se faz pela somat�ria dos
conhecimentos individuais. N�o � verdade.
Existe sempre a necessidade de inova��o, de
vanguarda, de l�deres", diz o cientista.
"O desenvolvimento aut�nomo da Amaz�nia vir�
com ci�ncia e tecnologia especializada. Com
valor agregado em todos os produtos
naturais. Se n�o for feito isso vamos ficar
apenas na exporta��o de banana."
Ocean�grafo: aquecimento reduzir� n�mero de
peixes
O oceanogr�fico americano Paul Falkowski
expressou hoje sua preocupa��o com a mudan�a
clim�tica global e afirmou que esta trar�
consigo "menos nutrientes nas camadas
superficiais do oceano, o que significar�
menos fitopl�ncton, menos produ��o e, em
conseq��ncia, menos peixes".
Em um encontro com a imprensa em Oviedo
(norte), onde participou do IV Congresso
Europeu de Algologia, Falkowski alertou que
outro efeito da mudan�a clim�tica ser� o
aumento da acidez dos oceanos, "que
provocar� um aumento da temperatura, e, com
isso, mais dificuldade de sobreviv�ncia de
alguns esp�cies, como os corais".
Durante o congresso, o especialista
americano concedeu uma palestra sobre as
conseq��ncias bioqu�micas da mudan�a
clim�tica no mar, assim como o papel do
fitopl�ncton e sua repercuss�o na atmosfera
e nos oceanos.
Segundo Falkowski, a prote��o de �reas
marinhas � "essencial" devido � exist�ncia
de organismos "especialmente sens�veis" como
os mam�feros e os corais, todos eles
submetidos � "press�o excessiva do turismo e
do desenvolvimento".
O cientista advertiu que, "quanto menor a
produ��o de fitopl�ncton, menos organismos
se acumular�o como sedimento", e, portanto,
"menos petr�leo ser� formado", j� que as
jazidas prov�m do "fitopl�ncton que morreu
nos per�odos geol�gicos", al�m de ser "a
base da cadeia alimentar nos oceanos".
Pesquisa: homem � respons�vel por chuvas e
seca
A a��o do
homem � respons�vel pelo aumento das
precipita��es no norte da Europa e da seca
que afeta o M�xico e a Am�rica Central,
revela um estudo publicado na �ltima edi��o
da revista cient�fica brit�nica Nature.
A pesquisa foi feita no Canad� e analisa a
influ�ncia da a��o do homem na mudan�a dos
patr�es pluviais durante o s�culo XX. Isso
explicaria as inunda��es no Reino Unido
desde o final da semana passada, algo pouco
comum para o ver�o no hemisf�rio norte.
"Nossos cientistas demonstraram que a
mudan�a clim�tica induzida pelo homem
motivou grande parte do aumento nas
precipita��es das regi�es com latitudes
superiores a 50�" nos dois hemisf�rios, diz
comunicado da Environment Canada, na qual
trabalham os analistas.
Nesta zona est�o O Canad�, o norte da Europa
e a maior parte da R�ssia, inclusive a
Gr�-Bretanha. Milhares de pessoas na ilha
est�o sem �gua pot�vel e eletricidade por
causa das inunda��es que afetam a Inglaterra
e o Pa�s de Gales.
"A mudan�a clim�tica induzida pelo homem
tamb�m contribuiu de modo significativo para
a seca observada em vastas regi�es ao norte
da Linha do Equador, o que inclui M�xico,
Am�rica Central e o norte da �frica", afirma
a entidade.
Para atribuir responsabilidades, os
cientistas analisaram o efeito da emiss�o
dos gases do efeito estufa e dos aeross�is
de sulfato sobre o n�vel de precipita��es
durante o s�culo XX. Esses gases s�o
produzidos, na maioria, pela queima de
combust�veis f�sseis.
As mudan�as derivadas dessas emiss�es "podem
j� ter tido conseq��ncias significativas nos
ecossistemas, na agricultura e na sa�de dos
habitantes das regi�es mais sens�veis �s
mudan�as pluviais, como o Sahel na �frica",
ao sul do deserto do Saara.
Os analistas asseguram que a a��o do homem
sobre o clima � demonstrada tamb�m pelas
mudan�as na temperatura do ar da superf�cie
terrestre, na press�o do n�vel do mar e na
temperatura oce�nica.
"Fatores naturais, como a atividade
vulc�nica, tamb�m contribu�ram para as
mudan�as nos patr�es globais de precipita��o
durante o s�culo passado, mas em uma medida
muito menor do que a a��o humana", diz a
Environment Canada.
La Ni�a deve acontecer em 2007, mas sem
for�a
O fen�meno La
Ni�a, referente ao resfriamento da
superf�cie do oceano Pac�fico e que pode
provocar altera��o nos padr�es clim�ticos do
mundo todo, deve aparecer por volta do final
dest ano, afirmou na sexta-feira a
Organiza��o Meteorol�gica Mundial (OMM).
Em seu mais recente boletim sobre as
temperaturas oce�nicas, a ag�ncia clim�tica,
ligada � Organiza��o das Na��es Unidas
(ONU), disse ser "muito improv�vel" que o El
Ni�o, o fen�meno no qual h� uma eleva��o das
temperaturas da superf�cie do oceano
Pac�fico, ocorra no restante de 2007.
Rupa Kumar Kolli, especialista da OMM,
afirmou que um fen�meno La Ni�a t�pico dura
entre nove e 12 meses e que o resfriamento
do Pac�fico tem se mostrado inst�vel at�
agora.
"Estamos, atualmente, na fase de
desenvolvimento do fen�meno, e ele deve
atingir a maturidade por volta do inverno
(no hemisf�rio Norte)", afirmou Kolli, em
uma entrevista coletiva. "Mas,
provavelmente, ter� pouca for�a."
O fen�meno La Ni�a � uma "anormalidade
clim�tica de escala planet�ria" conhecida
por alterar os padr�es de chuva e de
temperatura e tamb�m por tornar mais
violentas as condi��es clim�ticas no mundo
todo, disse.
"Dados hist�ricos indicam que as condi��es
do fen�meno La Ni�a associam-se
frequentemente a chuvas mais fortes nas
mon��es e com enchentes na regi�o asi�tica
atingida pelas mon��es", afirmou Kolli.
"O fen�meno tamb�m est� ligado a uma
diminui��o da umidade na �frica e tamb�m �
forma��o de um n�mero maior de furac�es no
Atl�ntico", acrescentou. Mas, segundo Kolli,
ainda � cedo demais para prever os efeitos
espec�ficos dele em cada regi�o.
Atualmente, a temperatura da superf�cie est�
neutra em todo o Pac�fico tropical, apesar
de �guas mais frias do que o normal terem
sido encontradas perto da costa ocidental da
Am�rica do Sul, revelou a OMM.
O pr�ximo boletim da organiza��o sobre o
fen�meno La Ni�a deve ser divulgado dentro
de tr�s meses. O fen�meno aconteceu pela
�ltima vez entre 1998 e 2001 - um evento de
longa dura��o - e provocou seca em grande
parte do oeste norte-americano.
Seca deixa 171 cidades do NE em emerg�ncia
AE
Um dos Estados em pior situa��o � o Piau�,
onde pre�o da �gua disparou. No Paiu�, 7m�
de �gua s�o vendidos a R$ 300
S�O PAULO
- Chega a 171 o n�mero de munic�pios do
semi-�rido nordestino em estado de
emerg�ncia por causa da estiagem. H� ainda
cidades � espera do reconhecimento da
calamidade pelo governo federal - s� assim,
estar�o aptas a receber ajuda da Uni�o.
O Piau� � um dos Estados em pior situa��o.
L�, segundo a Federa��o dos Trabalhadores em
Agricultura do Piau�, �gua vem sendo vendida
- uma carrada (7 metros c�bicos) �
comercializada a R$ 300. "Os trabalhadores
rurais est�o revoltados e amea�am saquear
armaz�ns com alimentos e ocupar pr�dios
p�blicos", disse o presidente da Fetag-PI,
Evandro Luz. "Precisamos de um atendimento
r�pido, n�o t�mido como o atual e que n�o
atende a todos."
Sem abastecimento, quem tem condi��es de
chegar �s barragens vende a �gua nas
cidades. Luz afirma que a �gua �
transportada em barris, gal�es e mesmo em
carros-pipa.
Segundo o governo do Piau�, dos 223
munic�pios do Estado, 128 decretaram estado
de emerg�ncia. Desses, 99 j� tiveram pedido
homologado pelo governo federal e 29 ainda
est�o com processos pendentes. Dos 99, 21 j�
tiveram o decreto de emerg�ncia reconhecido
pela Uni�o.
O secret�rio de Defesa Civil do Piau�,
Fernando Monteiro, informou que o Estado
est� adotando as medidas para socorrer as
fam�lias atingidas pela seca. Segundo ele,
foram iniciados os trabalhos para p�r em
funcionamento cem po�os artesianos no
semi-�rido.
Para o secret�rio, a venda de �gua perder� o
sentido quando carros-pipa forem colocados �
disposi��o da popula��o. O Estado, afirmou,
aguarda conv�nio com o governo federal.
"Existem muitas exig�ncias e estamos
providenciando a documenta��o. N�o
contratamos ainda esperando o conv�nio, mas
vamos propor ao governador Wellington Dias
que a contrata��o aconte�a com a parte que
cabe da contrapartida do Estado, para
agilizar o atendimento", disse.
Embora a estiagem seja rotina no semi-�rido,
este ano � considerado "at�pico", segundo o
diretor de programas especiais da Defesa
Civil do Piau�, James Alves da Silva. "As
chuvas foram poucas e esparsas." Este ano a
estiagem come�ou em abril - normalmente tem
in�cio em julho.
Al�m do Piau�, a estiagem atinge 7 Estados
do Nordeste. Dos 171 munic�pios em situa��o
de emerg�ncia com reconhecimento do governo
federal, 67 est�o na Para�ba. No Rio Grande
do Norte s�o 30 e no Cear�, 23. A Bahia tem
15, Sergipe e Alagoas t�m 7 e cada um e
Pernambuco aparece com um. De acordo com a
Secretaria Nacional de Defesa Civil, do
Minist�rio da Integra��o Nacional, 248
munic�pios do semi-�rido nordestino j�
contam com carros-pipa.
Maior rio da It�lia pode diminuir at� 100 km
com mudan�as clim�ticas
da Ansa, em Parma
As �guas do maior rio da It�lia, o Rio P�,
est�o diminuindo devido �s mudan�as
clim�ticas e ao aumento das exig�ncias,
especialmente para a agricultura. Com isso,
seu curso pode parar a 100 km de dist�ncia
da sua foz, na cidade de Ferrara, no norte
do pa�s.
Os dados alarmantes foram divulgados hoje na
cidade de Parma em um congresso sobre os
efeitos do clima sobre a bacia fluvial do
P�, organizado pela Ag�ncia para a Prote��o
do Ambiente e para os Servi�os T�cnicos (Apat)
junto com outras ag�ncias locais e com o
Minist�rio do Meio Ambiente, em vista da
confer�ncia nacional italiana sobre mudan�a
clim�tica prevista para ocorrer em setembro
em Roma.
O volume de �guas do principal rio italiano
diminuiu de 20 a 25% nos �ltimos 30 anos. A
bacia do P� se estende por 25% do territ�rio
nacional, compreendendo seis regi�es e 3200
cidades, onde se concentra 40% do PIB
italiano.
"Devemos tomar provid�ncias rapidamente,
antes que seja tarde demais", declarou o
presidente da Comiss�o Ambiental da C�mara
de Deputados, Ermete Realacci, comentando os
dados divulgados hoje.
"� um tema que h� tempos tem a aten��o do
Parlamento, que j� nos m�s de mar�o aprovou
por unanimidade uma resolu��o conjunta entre
a Comiss�o Ambiental e a de Agricultura na
qual se pede ao governo um plano de
interven��es ao longo do curso do P�",
acrescentou o deputado.
Segundo Realacci, parte dos danos ao rio
italiano s�o provenientes dos elevados
n�meros de hidroel�tricas, dos sistemas de
irriga��o e culturas com consumo impactante
de �gua e da retirada ilegal de areia de
suas margens.
Desastre natural pode gerar cat�strofe
nuclear
A organiza��o ambientalista Greenpeace
alertou hoje para o risco de que grandes
terremotos e outros desastres naturais,
inclu�dos os associados � mudan�a clim�tica,
"possam ocasionar novas cat�strofes
nucleares como a de Chernobil".
A advert�ncia foi realizada pelo respons�vel
de energia nuclear do Greenpeace, Carlos
Bravo, em comunicado, no qual assegurou que
"o acidente" na usina nuclear japonesa
Kashiwazaki-Kariwa, ocorrido em decorr�ncia
de um terremoto, que causou um inc�ndio em
um de seus reatores, "evidencia a
periculosidade da energia nuclear".
"Este inc�ndio na usina nuclear nos lembra
mais uma vez a s�ria amea�a que a energia
at�mica representa para a sa�de p�blica e
para o meio ambiente", acrescentou Ortiz.
A organiza��o ambientalista afirmou que o
acidente ocorrido em Kashiwazaki-Kariwa "n�o
� o primeiro sofrido pela ind�stria nuclear
japonesa".
Um terremoto de magnitude 6,8 na escala
Richter sacudiu, ontem, segunda-feira, a
regi�o de Niigata (noroeste do Jap�o),
causando nove mortos e mais de 1 mil
feridos, e afetou a usina nuclear
Kashiwazaki-Kariwa.
As autoridades japonesas investigam um
poss�vel segundo vazamento radioativo na
usina, ap�s o anunciado ontem. Foram
descobertos rompimentos em v�rios dep�sitos
com res�duos de baixo n�vel de
radiatividade, segundo informou hoje a
ag�ncia japonesa "Kyodo".
O primeiro acidente ocorreu na
segunda-feira, quando uma pequena quantidade
de �gua contaminada com res�duos radioativos
atingiu o oceano, por causa do tremor.
A central nuclear se encontra localizada
junto ao mar do Jap�o.
Radia��o de Chernobyl prejudica mais os
p�ssaros coloridos
Cores brilhantes gastam antioxidantes que
poderiam combater efeitos da radia��o
Reprodu��o
O chapim-azul � uma das esp�cies mais
afetadas pelo ambiente de Chernobyl

LONDRES - Passarinhos de cores brilhantes
est�o entre as esp�cies afetadas de forma
mais dura pelos n�veis de radia��o ao redor
da usina nuclear de Chernobyl, segundo
determinou uma pesquisa realizada por
especialistas em ecologia e publicada no
peri�dico Journal of Applied Ecology. O
trabalho ajuda a explicar por que algumas
formas de vida s�o mais afetadas pela
radia��o que outras.
Os cientistas Anders M�ller e Timothy
Mousseau examinaram 1.570 p�ssaros de 57
esp�cies diferentes nas florestas ao redor
de Chernobyl, e a diferentes dist�ncias do
reator. Eles determinaram que as popula��es
de quatro grupos de p�ssaros - os cuja
plumagem vermelha, amarela e laranja �
baseada em subst�ncias chamadas
caroten�ides, os que p�em os ovos maiores,
os que migravam mais longe e os que ocupavam
maior �rea - declinaram mais que as outras.
O resultado parece girar em torno do papel
dos antioxidantes, subst�ncias que ajudam a
proteger o organismo contra radicais livres.
Certas atividades consomem uma grande
quantidade desses antioxidantes, incluindo a
produ��o de pigmentos baseados em
caroten�ides, longas migra��es e a produ��o
de ovos grandes - p�ssaros transferem
antioxidantes do corpo para o ovo, e ovos
maiores requerem mais dessas subst�ncias.
M�ller e Mousseau formularam a hip�tese de
que, por ter menos antioxidantes para
enfrentar os radicais livres - mol�culas
quebradas que surgem naturalmente no corpo,
mas que aumentam em quantidade quando o
organismo � exposto � radia��o - esses
grupos de p�ssaros s�o os mais afetados.
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