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Volume do rio São Francisco caiu 35% em 50 anos


Uma pesquisa feita por cientistas norte-americanos aponta que o fluxo de água na bacia do rio São Francisco, que nasce em Minas Gerais e deságua no nordeste do Brasil, caiu 35% no último meio século. O estudo, que será publicado no próximo dia 15 de maio no Journal of Climate, da Sociedade Meteorológica Americana, foi feito por pesquisadores do National Center for Atmospheric Research (NCAR), que fica no Estado americano do Colorado.

Eles analisaram dados coletados entre os anos de 1948 e 2004 nos 925 maiores rios do planeta, e concluíram que vários rios de algumas das regiões mais populosas estão perdendo água.
 

De acordo com os pesquisadores, a bacia do São Francisco foi a que apresentou o maior declínio no fluxo de águas entre os principais rios que correm em território brasileiro durante o período pesquisado.

Neste mesmo período, o fluxo de águas na bacia do Amazonas caiu 3,1%, enquanto as bacias de outros rios brasileiros apresentaram uma elevação na vazão.

O fluxo de águas no rio Paraná (que termina na Argentina), por exemplo, apresentou um aumento de 60% no período pesquisado, enquanto a bacia do Tocantins registrou um acréscimo de 1,2% em sua vazão.

Segundo o cientista Aiguo Dai, o líder da pesquisa, esta variação está relacionada principalmente a mudanças na quantidade de chuvas nas regiões das bacias.


São Francisco
Estas alterações nos níveis de precipitações, de acordo com o pesquisador, estariam relacionadas, principalmente, ao fenômeno meteorológico El Niño, que consiste em um aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico e que afeta o clima da região e do planeta.Dai afirma que, entre 1948 e 2004, a região da bacia do rio São Francisco apresentou uma leve queda nos níveis de precipitações e um grande aumento de temperatura.

Estes dois fatores contribuíram para o grande declínio do escoamento do rio. Segundo ele, o aumento das temperaturas eleva a evaporação, e assim, reduz o fluxo de água do rio.

"Eu avalio que algumas destas mudanças na temperatura e nas precipitações estão relacionadas às mudanças nas atividades do El Niño, mas não todas elas", afirma o cientista.

Água
De um modo geral, o estudo aponta que alguns dos rios mais importantes do planeta e que abastecem áreas populosas estão perdendo água. Um terço dos 925 rios pesquisados apresentaram mudanças significativas nos fluxos de água no período, sendo que aqueles que perderam vazão ultrapassam os que ganharam em uma proporção de 2,5 para 1.

Entre os rios que apresentaram declínios na vazão estão alguns que servem a grandes populações, como o Amarelo, na China, o Niger, na África, e o Colorado, nos Estados Unidos. Em contraste, os pesquisadores constataram um aumento considerável na vazão de rios em áreas pouco habitadas no Oceano Ártico.

Entre os que permaneceram estáveis ou que registraram um pequeno aumento no fluxo de água estão o Yang Tsé, na China e Bhrahmaputra, na Índia.

Segundo os pesquisadores, muitos fatores podem afetar a vazão desses rios, incluindo barragens e o desvio de água para a irrigação.

Mas, de acordo com os dados da pesquisa, em muitos casos, a redução no fluxo de água pode estar relacionada às mudanças climáticas globais, que alteram os padrões de chuvas e os níveis de evaporação.

"A redução na vazão aumenta a pressão sobre as reservas de água doce em grande parte do mundo, especialmente em um momento em que a demanda por água aumenta por causa do crescimento da população. A água doce é um recurso vital, e a tendência de queda é motivo de preocupação", diz Aiguo Dai.

Pesquisas anteriores feitas em grandes rios, no entanto, apontavam que a vazão global dos cursos de água estaria aumentando.
 

 

Cerca de 375 milhões serão vítimas de catástrofes em 2015

O número de pessoas vítimas de catástrofes naturais devido à mudança climática aumentará para 375 milhões em 2015, denunciou nesta quarta-feira em Siracusa (Sicília, sul da Itália) a Organização Não Governamental Oxfam International.

A entidade, especializada em ajuda ao desenvolvimento, solicitou aos ministros do Meio Ambiente do G8, reunidos na Sicília, que concedam aos países em desenvolvimento "pelo menos 50 bilhões de dólares (38,4 bilhões de euros)" para frear a mudança climática e o efeito estufa.

A Oxfam calcula que o número de pessoas afetadas pelas calamidades naturais vá aumentar em 50%, com relação aos atuais 250 milhões, e somará 375 milhões em seis anos.

Os dados se baseiam na análise de 6.500 catástrofes climáticas registradas desde 1980.

Para o porta-voz da Oxfam International, Farida Bena, a meta de reduzir em 50% as emissões de dióxido de carbono antes de 2050, estabelecida durante a cúpula do G8 no Japão, em 2008, "é insuficiente".

Cada vez que se aplicam reduções inferiores às necessárias "isso representa um risco para as populações mais pobres e aumenta os riscos de tragédias naturais", assegurou Bena.

Os ministros do Meio Ambiente dos países do G8, responsáveis por 40% das emissões de gases de efeito estufa, e de grandes Estados emergentes, como Brasil e México, iniciaram nesta quarta-feira na Sicília uma reunião de três dias sobre o aquecimento climático com o objetivo de chegar a um acordo internacional para frear o fenômeno.

Da reunião participam os ministros de Estados Unidos, Rússia, Alemanha, Japão, França, Canadá, Grã-Bretanha, Itália, Brasil, China, Índia, México, África do Sul, Austrália, Coreia do Sul, Egito e Indonésia.
 

 

Ser magro ajuda o meio ambiente, afirma estudo

Manter a forma não é bom só para as pessoas, mas também para o planeta, afirma um estudo britânico publicado neste domingo no International Journal of Epidemiology. Uma sociedade magra, como a do Vietnã, consome 20% menos de alimentos e polui menos que uma na qual cerca de 40% das pessoas são obesas - como acontece com os Estados Unidos atualmente -, defendem Phil Edwards e Ian Roberts, da London School of Hygiene and Tropical Medicine.

As emissões relacionadas ao transporte também são menores, porque o consumo energético ao transportar pessoas magras é menor, já que os indivíduos acima do peso tendem a andar menos e a depender mais do automóvel, afirmam. Edwards e Roberts destacam que uma população de um bilhão de pessoas magras emite um bilhão de toneladas a menos de dióxido de carbono ao ano do que o mesmo número de indivíduos gordos.

No entanto, no mundo prevalece a tendência a um aumento do Índice de Massa Corporal médio da população, que, entre 1994 e 2004, subiu de 26 para 27,3 entre os homens no Reino Unido e de 25,8 para 26,9 entre as mulheres, ou seja, três quilos a mais. "A humanidade, seja australiana, argentina, belga ou canadense, está se tornando progressivamente mais gorda", dizem os cientistas.

"Ser magro é bom para a saúde e ao meio ambiente. Devemos fazer muito mais para reverter a tendência global em direção à gordura e reconhecer que é um fator-chave na luta para reduzir as emissões e retardar a mudança climática", defendem os pesquisadores.

 

Florestas podem se tornar fonte de aquecimento, diz estudo

As florestas do planeta correm o risco de se tornarem uma fonte de emissões de gases do efeito estufa ao invés de absorvê-los, caso não haja controle sobre as atuais emissões, segundo cientistas. O desmatamento (pelo corte ou queima de árvores) emite 20% do dióxido de carbono do mundo, enquanto as florestas mantidas vivas absorvem 25% das emissões.
 

Se a Terra se aquecer pelo menos 2,5°C, a evaporação decorrente do calor adicional levaria a graves secas e ondas de calor que matariam enormes extensões de matas tropicais na África, no sul da Ásia e na América do Sul. E as emissões resultantes do apodrecimento das árvores poderiam transformar as florestas em fonte do aquecimento.

"Se as temperaturas estão subindo no ritmo atual, definitivamente isso aconteceria no final do século ou antes", disse Risto Seppala, que coordenou o relatório da ONG União Internacional de Organizações de Pesquisas Florestais. O relatório será apresentado na semana que vem em um Fórum Florestal da ONU em Nova York.

No Brasil as queimadas triplicou


Nem todas as áreas do mundo sofreriam imediatamente, e as florestas de coníferas no Hemisfério Norte em princípio se beneficiaram. "No começo, isso significaria algumas consequências muito positivas" para as florestas boreais em lugares como Canadá e Escandinávia, disse Seppala por telefone de sua casa na Finlândia, ao norte do Círculo Polar Ártico.

De acordo com ele, as indústrias de papel e celulose nas regiões frias do Norte iriam sair ganhando, porque o clima mais quente estimularia o crescimento de abetos e outras árvores. Mesmo florestas de áreas com clima mais temperado, como nos EUA e Europa Ocidental, num primeiro momento poderiam crescer mais. Depois, porém, poderiam ser vitimadas pela ampliação da zona de ocorrência pestes e parasitas que até agora se limitam a zonas quentes - é o que já acontece com um tipo de besouro que vem atingindo o Canadá e resistido aos invernos locais.

Mas os efeitos reais dependem de exatamente quanto será o aquecimento. Uma pesquisa da Reuters feita neste mês junto a cientistas mostrou que a previsão é de um aquecimento de 2°C acima dos níveis pré-industriais, o que muitos países consideram ser o limite tolerável para evitar elevação do nível dos mares, secas e ondas de calor. As temperaturas médias já subiram 0,7°C.

O relatório diz que há medidas que podem proteger as florestas e ajudar na sua adaptação ao aquecimento, como o manejo sustentável. Mas, segundo Seppala, o mais importante mesmo seria conter as emissões de gases do efeito estufa.
 

 

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