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Poluição causa 70% das internações por doença respiratória

A incidência da poluição e das mudanças climáticas na cidade de São Paulo é responsável por cerca de 70% das internações por doenças respiratórias, segundo conclusão do relatório Vulnerabilidades das Megacidades Brasileiras às Mudanças Climáticas: Região Metropolitana de São Paulo, elaborado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
 

São Paulo no inverno em horário de pico


O estudo revela que as mudanças climáticas causadas pelo modelo de expansão da metrópole, aliadas à alterações no clima global, deixam a maior metrópole do Brasil cada vez mais vulnerável a desastres, como enchentes e deslizamentos, além de afetar de diversas maneiras à saúde da população.

Grandes temporais, por exemplo, com uma intensidade de mais de 50 milímetros em um único dia eram praticamente inexistentes na década de 1950. No entanto, segundo a pesquisa, chuvas excessivas são comumente registradas em até cinco períodos do ano.
 

Veículos desregulados


Entre as causas de eventos como esses, a pesquisadora do Núcleo de População da Unicamp, Andrea Young, citou o modelo de ocupação utilizado na Grande São Paulo. Ela lembrou que, há 50 anos, o perfil da cidade era diferente do atual. "Sem vegetação nenhuma, tudo impermealizado e com a contribuição de materiais extremamente quentes, que retém muito calor e que depois emitem calor . Então a cidade vai ficando cada vez mais quente".

Apesar dos problemas relacionados ao modo de crescimento da cidade já serem aparentes, a pesquisadora ressalta que São Paulo continua a desenvolver-se de maneira predatória. O estudo detectou uma tendência de exacerbação de fenômenos climáticos extremos e de desastres. A previsão é de que 20% do que a capital paulista crescer até 2030 será área suscetível a acidentes naturais provocados pela chuva e aproximadamente 11,17% dessas ocupações poderão ser afetadas por deslizamentos.
 

Rio Tiete São Paulo


De acordo com as projeções do estudo, a mancha urbana da metrópole paulistana será o dobro da atual em 20 anos. O aumento deverá ocorrer "principalmente na periferia, em loteamentos e construções irregulares, e em áreas frágeis, como várzeas e terrenos instáveis, com grande pressão sobre os recursos naturais", adiantou Young.

Segundo a pesquisadora, tal crescimento acarreta outros riscos para o futuro da metrópole, como até uma eventual escassez de água, devido à destruição dos mananciais e à impossibilidade de recarga dos lençóis freáticos com a impermeabilização do solo.

"Uma coisa que preocupa é o abastecimento de água, porque São Paulo já está pensando em buscar água mais distante do que a Bacia do Rio Piracicaba e Rio Tietê. Então imagina se essa região dobrar de tamanho, como faria para abastecer? Ainda mais em um momento de onda de calor".

Aquecimento
No relatório consta que a Região Metropolitana de São Paulo terá um aumento da temperatura média entre 2ºC e 3ºC neste século, fator que fará dobrar o número de dias com chuvas intensas na capital paulista e levará a uma elevação das ondas de calor e dos dias e noites quentes na região.

"O estudo não traz nenhuma boa notícia", resumiu o cientista Carlos Nobre. Na opinião do especialista, mesmo que São Paulo passasse a ter emissão zero a partir de hoje, o aquecimento global continuaria. É por essa razão que o estudo ressalta a importância da adaptação para o aumento da temperatura e suas consequências.

Para evitar maiores danos, as cidades da Região Metropolitana precisam investir no controle das ocupações de áreas de risco e na proteção das áreas de várzeas de rios.

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