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Sanguessugas: ex-deputado é condenado por ligação com
máfia
A Justiça Federal em Belo Horizonte condenou o ex-deputado federal
Júlio César Gomes dos Santos, o Cabo Júlio, por envolvimento com a
máfia dos sanguessugas, esquema de superfaturamento de ambulâncias
descoberto pela Polícia Federal em 2006. O hoje vereador em Belo
Horizonte pelo PMDB deverá devolver a quantia de R$ 143 mil
desviados dos cofres públicos e a pagar multa correspondente a três
vezes esse valor. Além disso, ele teve os direitos políticos
suspensos pelo prazo de dez anos.
A ação de improbidade foi ajuizada em 17 de outubro de 2006. O
Ministério Público Federal informou que, conforme a PF apurou, Cabo
Júlio "teria apresentado 20 emendas orçamentárias contemplando
municípios mineiros, os quais, após prévio acerto com o parlamentar,
comprometiam-se a direcionar as licitações de modo a favorecer
determinadas empresas. No total, segundo relatório produzido pela
Controladoria-Geral da União (CGU), 18 municípios mineiros foram
beneficiados por emendas direcionadas pelo deputado. Em
contrapartida, ele era favorecido com o pagamento de porcentagens
sobre o valor arrecadado pelos empresários".
De acordo com a sentença dada na última sexta-feira e divulgada hoje,
"o ex-parlamentar (da Câmara dos Deputados) representava importante
papel em uma organização criminosa que tinha o objetivo de fraudar
licitações destinadas a adquirir bens para a área da saúde. Sua
função na organização era a de, como deputado federal, apresentar
emendas para aquisição de bens destinados à área da saúde, o que
fazia em troca de recursos financeiros".
O único pedido do MPF negado pelo juiz na ação foi a condenação em
dano moral coletivo, por entender que não ficou comprovada a
ocorrência de dano ou sofrimento psíquico na sociedade em função dos
atos praticados pelos envolvidos com o esquema.
O Terra procurou o vereador Cabo Júlio no gabinete dele na Câmara
Municipal de Belo Horizonte. Os funcionários informaram que ele se
encontrava na faculdade, onde cursa Direito.
Em seu blog, o vereador afirmou: "No processo em discussão não
existe qualquer tipo de prova contra mim, principalmente porque o
parlamentar não movimenta qualquer recurso, não compra, não licita,
não presta conta, não tem acesso a recursos públicos," escreveu.
O ex-deputado disse ainda que, de acordo com um advogado consultado
por ele, "a sentença não tem qualquer prova contra o Cabo Júlio, a
apelação terá efeito suspensivo de todas as decisões e foi puramente
para dar uma resposta à repercussão que o caso teve, não tendo a
menor chance de prosperar nos tribunais superiores." Cabo Júlio
garantiu que nunca teve qualquer benefício do poder público.
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