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Promotor diz que foi canalhice de Nardoni acusar a polícia
O promotor Francisco Cembranelli afirmou, durante a argumentação do
advogado de defesa de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá no
julgamento do assassinato da menina Isabella Nardoni, que foi uma
"canalhice" o réu ter dito, durante o interrogatório, que recebeu
uma proposta na delegacia para assinar uma declaração de homicídio
culposo. Cembranelli repetiu a palavra "canalhice" por cerca de 20
vezes.
"Seu colega Ricardo Martins (então advogado de defesa do casal) sabe
que isso não aconteceu e hoje fugiu para não responder isso. Se
fosse verdade eles poderiam ligar para a imprensa e desmoralizar
todo mundo", afirmou o promotor. "Mas isso não aconteceu."
O advogado Roberto Podval sugeriu dúvidas em relação às provas
mostradas pela promotoria. "Disseram para ele falar quanto tempo
demora para subir de elevador. Ele fala cinco minutos", afirmou.
"Depois fazem alguns cálculos, não fecha e chamam ele de mentiroso.
Ora, por favor."

Podval disse que o Edifício London não tinha segurança, que as
portas ficavam o tempo todo abertas e que um muro que limita o
prédio para a construção que existia na época era baixo. "Isso foi
publicado em um jornal importante, em um jornal sério", disse Podval,
referindo-se à Folha de S.Paulo.
O advogado citou Chico Xavier para defender o casal e disse que
"ninguém pode voltar atrás para fazer um novo começo, mas todos nós
podemos fazer um novo final".
O advogado criticou Ana Carolina Oliveira, dizendo que enquanto Anna
Jatobá cuidava da filha Isabella, a "outra" estava trabalhando.
"Depois vem aqui chamar ela de assassina", disse. O advogado
admitiu, porém, brigas entre o casal. "Eles brigavam em sua vida
familiar. Mas respeito a vida deles", afirmou.
Depois de um intervalo de 30 minutos começam as réplicas de no
máximo duas horas, com uma nova pausa de 30 minutos entre a acusação
e a defesa. Logo após, está previsto um intervalo de uma hora para o
jantar e, em seguida, o Conselho de Sentença (formado pelos sete
jurados) se reunirá na Sala Secreta com o magistrado, promotor e
advogados por mais uma hora para a votação dos quesitos. A sentença
será elaborada em uma hora.
O caso
Isabella tinha 5 anos quando foi encontrada ferida no jardim do
prédio onde moravam o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna
Carolina Jatobá, na zona norte de São Paulo, em 29 de março de 2008.
Segundo a polícia, ela foi agredida, asfixiada, jogada do sexto
andar do edifício e morreu após socorro médico. O pai e a madrasta
foram os únicos indiciados, mas sempre negaram as acusações e alegam
que o crime foi cometido por uma terceira pessoa que invadiu o
apartamento.
O júri popular do casal começou em 22 de março e deve durar cinco
dias. Pelo crime de homicídio, a pena é de no mínimo 12 anos de
prisão, mas a sentença pode passar dos 20 anos com as qualificadoras
de homicídio por meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e
tentativa de encobrir um crime com outro. Por ter cometido o
homicídio contra a própria filha, Alexandre Nardoni pode ter pena
superior à de Anna Carolina, caso os dois sejam condenados.
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