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Cassetetes da polícia doem menos que fome do filho"
Funcionários e estudantes da Universidade de São Paulo (USP), em
greve há 42 dias, seguem ocupando o prédio da reitoria e dizem que
não vão sair, mesmo com intervenção da Polícia Militar. "Os
cassetetes da polícia doem menos do que a fome nos estômagos do
filho", afirmou o diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp),
Claudionor Brandão, durante coletiva realizada na manhã desta
terça-feira. Ele disse que os grevistas "não querem confronto, mas
só saem após pagamento dos salários cortados".
Durante a assembleia de 10 minutos, realizada no gramado em frente
ao prédio ocupado, foi decidida a realização de uma vigília na
Universidade de Campinas (Unicamp) a partir de quarta-feira. De
acordo com Brandão, cerca de quatro funcionários da USP acamparão
nos próximos dias. Na quinta-feira, por votação quase unânime, os
grevistas decidiram trancar o portão central da USP. "Ninguém vai
poder entrar a partir das 6h30", avisou o diretor do Sintusp.
De acordo com Brandão, a greve agora toma novos rumos. No momento, o
aumento de 6% do salário não é mais prioridade e sim a isonomia como
um todo, contra a desvalorização dos funcionários e supervalorização
dos professores. "Para os funcionários que ganham os salários mais
baixos isso (aumento de 6%) seria cerca de R$ 70, valor muito
baixo", disse Brandão. Segundo ele, aceitar um aumento semelhante ao
dos professores é como "abraçar a causa que tem trabalhador de
primeira e segunda categoria" na universidade.
Privatização
Os servidores acreditam que o reitor da USP, João Grandino Rodas,
tem intenções de privatizar a instituição. "O que estaria por trás
de desqualificar os funcionários da USP, tanto em questão salarial,
quanto em capacidade intelectual. (...) O segundo passo é tentar
privatizar as 3 Universidades (USP, Unicamp e Unesp)", disse o
funcionário do Instituto de biomedicina e integrante do comando de
greve, Mário Balanco, durante a entrevista. De acordo com o diretor
de base do Sintusp, Magno de Carvalho, com a gestão de Rodas,
serviços "muitos estão sendo terceirizados". A luta di sindicato é,
segundo ele, pelo aumento de investimentos na Educação e não
privatização, "para os estudantes não terem de pagar para estudar
aqui".
A explicação da reitoria para o reajuste de 6% no salário dos
professores é a reestruturação de carreira. O órgão não considera o
aumento como quebra da isonomia salarial, pois a medida foi tomada
para equiparar a remuneração dos docentes das universidades
estaduais com o das federais. A reitoria da USP também afirmou que
estas reestruturações também acontecem nas carreiras dos
funcionários.
Segundo Magno, "há anos os funcionários não têm reestruturação". O
que existe, segundo ele, é o Programa de Ascensão de Carreira (PAC).
"A cada dois anos, 10% dos funcionários recebem esta reestruturação,
mas só 10% deles".
Os grevistas contestaram também a declaração de Rodas, sobre o
salário médio para os funcionários sem qualificação especial. Em
entrevista, o reitor afirmou que a remuneração média para esta
classe de trabalhadores era de R$ 2.044,00. Magno mostrou o holerite
de um funcionário não identificado, que exerce a função de auxiliar
administrativo e recebe R$ 1.163,57 por mês.
Sobre a greve
A greve dos funcionários da USP teve início por conta do reajuste de
6% dado aos docentes, além dos 6,57% oferecidos a todos os
servidores das universidades paulistas. Os funcionários estão
paralisados desde o dia 5 de maio e reivindicam que o mesmo
benefício seja concedido a eles, garantindo a isonomia em termos de
reajuste salarial.
No último dia 8 eles ocuparam o prédio da reitoria e estão dormindo
em duas salas do piso térreo. As portas e paredes destruídas para a
entrada dos grevistas ainda aguardam conserto.
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