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'Consórcio do crime' com políticos feito por
deputados vai a júri
A Vara Criminal de Maceió (AL) decidiu que o ex-deputado federal
Francisco Tenório, presidente do PMN em Alagoas, vai a júri pelo
assassinato do ex-cabo da Polícia Militar José Gonçalves da Silva
Filho. O crime aconteceu em 9 de maio de 2006 e Tenório foi preso em
fevereiro deste ano, 48 horas depois do fim do mandato e,
consequentemente, da imunidade parlamentar.
A ação penal, proposta pelo Ministério Público, descreve em detalhes
que o crime foi um consórcio de deputados: Francisco Tenório pediu
apoio ao atual vice-presidente da Assembleia Legislativa, Antônio
Albuquerque (PT do B), e ao ex-deputado João Beltrão (PMN) - que
está foragido, com prisão decretada pelo Tribunal de Justiça de
Alagoas, mas vai assumir, em agosto, o mandato parlamentar. Ele foi
liberado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ou seja, não é
considerado ficha suja.
De acordo com a ação, o depoimento do ex-chefe de uma organização
criminosa com policiais que atuava no Estado, o ex-tenente-coronel
Manoel Francisco Cavalcante foi peça-chave para incriminar Tenório.
Segundo ele, o cabo trabalhava para João Beltrão, "praticando todo
tipo de crime". Mas, após sofrer um atentado, ele mudou de lado e
passou a fazer serviços para Francisco Tenório.
Cavalcante interpretou o gesto como uma trama para assassiná-lo. O
ex-tenente-coronel chamava Gonçalves de "desafeto". Cavalcante,
então, disse ter feito contato com o presidente da Assembleia à
época, o deputado Albuquerque, "com o escopo de solucionar aquele
impasse, pois, segundo João Beltrão, o cabo Gonçalves estaria vindo
para Alagoas para assassiná-lo", conforme o MP.
Na fazenda de Albuquerque teria sido articulada a morte do cabo.
"Por sua vez, Antônio Albuquerque, detentor de grande influência em
nosso Estado, resolveu articular uma reunião em sua residência,
localizada na cidade de Limoeiro de Anadia, onde ficou acertado a
execução do cabo Gonçalves, que seria atraído para a armadilha
armada por Francisco Tenório e entregue para seu inimigo João
Beltrão".
Ainda segundo o depoimento de Cavalcante, o cabo foi até a
residência de Tenório para receber um "vale" para abastecer seu
veículo em um posto de combustíveis. Tenório, então, teria informado
a Beltrão o local para onde se dirigia a vítima. Ao chegar ao posto,
ele foi atingido por vários tiros, enquanto Cavalcante ficou em seu
veículo, prestando auxílio aos executores, segundo o MP.
Conforme a denúncia, após a morte do cabo, o crime foi comemorado
com uma carreata em Limoeiro de Anadia. A festa continuou na casa de
um dos executores, o policial Silva Filho. Antônio Albuquerque, João
Beltrão e Francisco Tenório negam o crime.
Tenório é o único dos supostos integrantes do consórcio que está sem
imunidade parlamentar. Ele perdeu as eleições ano passado e é
primeiro suplente da deputada federal Célia Rocha (PTB). O irmão de
Francisco Tenório, José Maria Tenório, ex-deputado estadual, está
preso por assaltos a bancos em Alagoas.
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