Gestação do Plesiossauro era como a das
baleias e golfinhos
Cientistas acreditam ter encontrado provas de que a
gestação das fêmeas do plesiossauro - réptil marinho que
viveu há quase 80 milhões de anos - durava até a
maturidade dos embriões e o nascimento de seus filhotes
era como o das baleias e golfinhos, segundo um artigo
publicado nesta quinta-feira pela revista "Science".

A prova está no fóssil de um "Polycotilus latippinus" de
4,70 metros de comprimento, um dos répteis gigantes,
carnívoros e com quatro nadadeiras, exibido na Sala de
Dinossauros do Museu de História Natural em Los Angeles
(Califórnia).
Os restos do réptil marinho que viveu durante a Era
Mesozoica contêm o fóssil de um embrião que mostra
grande parte do corpo em desenvolvimento, inclusive as
costelas, 20 vértebras e os ossos de ombros, quadris e
nadadeiras.
O estudo foi realizado pelo cientista Robin O''Keefe, da
Universidade Marshall na Virgínia Ocidental, e pelo
diretor do Instituto de Dinossauros do museu de Los
Angeles, Luis Chiappe, um proeminente paleontólogo que
já causou polêmicas com suas teorias sobre a origem das
aves.
O''Keefe e Chiappe sustentam que o fóssil e seu embrião
são a primeira mostra de que os plesiossauros pariam
seus filhotes como os mamíferos marinhos atuais, e não
deixavam ovos na terra.
Embora o nascimento de filhotes vivos tenha sido
documentado em outros vários grupos de répteis aquáticos
da Era Mesozoica, até agora não tinham encontrado
indícios de que isso teria ocorrido na ordem dos
plesiossauros.
Chiappe e O''Keefe estão um passo além em sua teoria e
dizem que determinaram que os plesiossauros foram únicos
entre os répteis aquáticos porque davam nascimento a um
único filhote, grande, e que podem ter feito parte de
grupos sociais que cuidavam de seus filhotes.
"Os cientistas souberam por muito tempo que os
plesiossauros não tinham muita aptidão para sair à terra
e depositar seus ovos em um ninho", indicou O''Keefe.
"Por isso, a falta de provas de que os plesiossauros
dessem nascimentos vivos foi causa de confusão".
Segundo O''Keefe e Chiappe, o fóssil que se exibe em Los
Angeles "documenta o nascimento vivo dos plesiossauros
pela primeira vez e, dessa maneira, finalmente resolve o
mistério".
O embrião, acrescentaram os pesquisadores, é muito
grande em comparação com a mãe, e muito maior que o que
poderia se esperar sobre a base da comparação com outros
répteis.
"Muitos dos animais que vivem hoje dão nascimento a
jovens grandes, únicos, e têm cuidado maternal",
assinalou O''Keefe. "Nós achamos que os plesiossauros
podem ter tido comportamentos similares, o que faria com
que suas vidas sociais fossem mais parecidas às dos
golfinhos modernos que às de outros répteis".
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