Líder em ameaças online
na América Latina ainda é o Brasil, diz estudo
O Brasil manteve, em 2010, a primeira posição como
principal fonte de atividade maliciosa na internet
latino-americana, sendo responsável por 44% na região,
de acordo com o 16ª edição do Relatório sobre Ameaças à
segurança na Internet, divulgado nesta quarta-feira pela
Symantec em São Paulo. Em 2009, o Brasil respondia por
42% da atividade maliciosa online na área.

No mundo, o País é responsável apenas por 5% das
atividades maliciosas online, aparecendo em quarto
lugar, atrás de Estados Unidos (19%), China (16%) e
Alemanha (5%). A fabricante de produtos de segurança
define "atividades maliciosas" na internet como a
distribuição de código malicioso (malware), redes zumbi
de spam, hospedeiros de phishing, bots e ataques a
redes.
Segundo a Symantec, o primeiro lugar do Brasil na região
da América Latina se deve ao maior número de conexões de
banda larga na região e à grande quantidade de botnets
encontrados no País (e que enviam spam e phishing). Por
outro lado, na lista de países que mais atacam a América
Latina, aparecem EUA (50%), México (14%) e Brasil (7%).
Apenas em 2010, foram detectados mais de 286 milhões de
variantes de "malware" online pela Symantec. A empresa
registrou um aumento de 93% nos ataques via web no
período, causados pela proliferação de toolkits (pacotes
prontos de software para criar código malicioso) e o uso
de URLs reduzidas (65% dos endereços com código
malicioso foram divulgados via redes sociais).
Além disso, 6.253 novas vulnerabilidades em aplicativos
e sistemas operacionais foram registradas em 2010, sendo
14 delas chamadas do tipo "dia zero", até então
desconhecidas por fabricantes de antivírus. Entre os
programas afetados por falhas do "dia zero" estão
Internet Explorer, Adobe Reader e Adobe Flash Player.
Em 2010, indica o relatório, foram ainda expostas mais
de 260 mil identidades pessoais devido a brechas de
segurança exploradas por hackers ao longo do ano, e mais
de 1 milhão de "bots" (máquinas infectadas para
disseminar spam, entre outro malware) foram registrados.
Uma rede de 15 mil "bots" custa US$ 15 no mercado negro,
diz a pesquisa, assim como um número de cartão de
crédito roubado varia entre US$ 0,07 e US$ 100. A
Symantec relata que 74% do spam enviado no ano foi
relacionado à indústria farmacêutica.
Além do diagnóstico de 2010, a Symantec fez uma previsão
das principais ameaças para 2011. A companhia identifica
os ataques direcionados (com pragas como Hydraq e
Stuxnet) como um problema crescente, já que afetam alvos
específicos. "A ameaça sai do mundo da tecnologia da
informação e passa a atingir a capacidade produtiva das
empresas", explicou Paulo Vendramini, diretor comercial
da Symantec Brasil.
As redes sociais e sua segurança continuam no foco das
ameaças online, de acordo com a companhia, assim como as
vulnerabilidades do dia zero, os rootkits/toolkits
usados para criar malware que ficam mais elaborados.
Finalmente, 2011 é o ano para se preocupar com os
dispositivos móveis: somente em 2010, foram descobertas
163 vulnerabilidades em aparelhos móveis, contra 115 em
2009. "Se tem uma aplicação rodando, tem chance de ter
uma vulnerabilidade", conclui Vendramini.
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