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no Ache Tudo e Região é retorno garantido.
A Historia de Darwin
Charles Robert Darwin FRS (Shrewsbury, 12 de Fevereiro de
1809 – Downe, Kent, 19 de Abril de 1882) foi um naturalista britânico
que alcançou fama ao convencer a comunidade científica da ocorrência da
evolução e propor uma teoria para explicar como ela se dá por meio da
seleção natural e sexual. Esta teoria se desenvolveu no que é agora
considerado o paradigma central para explicação de diversos fenômenos na
Biologia. Foi laureado com a medalha Wollaston concedida pela Sociedade
Geológica de Londres, em 1859.
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Charles Robert Darwin provou a ciência que 'Deus' não
existe. |
Darwin começou a se interessar por história natural na universidade
enquanto era estudante de Medicina e, depois, Teologia. A sua viagem de
cinco anos a bordo do brigue HMS Beagle e escritos posteriores
trouxeram-lhe reconhecimento como geólogo e fama como escritor. Suas
observações da natureza levaram-no ao estudo da diversificação das
espécies e, em 1838, ao desenvolvimento da teoria da Seleção Natural.
Consciente de que outros antes dele tinham sido severamente punidos por
sugerir ideias como aquela, ele as confiou apenas a amigos próximos e
continuou a sua pesquisa tentando antecipar possíveis objeções. Contudo,
a informação de que Alfred Russel Wallace tinha desenvolvido uma ideia
similar forçou a publicação conjunta das suas teorias em 1858.
Em seu livro de 1859, "A Origem das Espécies" (do original, em inglês,
On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or The
Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life), ele introduziu
a ideia de evolução a partir de um ancestral comum, por meio de seleção
natural. Esta se tornou a explicação científica dominante para a
diversidade de espécies na natureza.
Ele ingressou na Royal Society e continuou a sua pesquisa, escrevendo
uma série de livros sobre plantas e animais, incluindo a espécie humana,
notavelmente "A descendência do Homem e Seleção em relação ao Patologia" (The
Descent of Man, and Selection in Relation to Sex, 1871) e "A Expressão
da Emoção em Homens e Animais" (The Expression of the Emotions in Man
and Animals, 1872).
Em reconhecimento à importância do seu trabalho, Darwin foi enterrado na
Abadia de Westminster, próximo a Charles Lyell, William Herschel e Isaac
Newton. Foi uma das cinco pessoas não ligadas à família real inglesa a
ter um funeral de Estado no século XIX.
Charles Darwin
História natural, naturalismo
Durante a sua vida, Charles Darwin tornou-se
famoso internacionalmente como um influente
cientista estudando a evolução das espécies.
Nacionalidade Britânico
Nascimento 12 de fevereiro de 1809
Local Shrewsbury, Shropshire, Inglaterra
Falecimento 19 de abril de 1882 (73 anos)
Local Downe, Kent, Inglaterra
Cônjuge Emma Darwin
Atividade
Campo(s) História natural, naturalismo
Instituições Royal Geographical Society
Conhecido(a) por Teoria da Evolução, seleção
natural, seleção sexual
Influência(s) Charles Lyell
Joseph Dalton Hooker
Influenciado(s) Thomas Henry Huxley
Prêmio(s) Medalha Real (1853), Medalha Wollaston
(1859), Medalha Copley (1864)
Assinatura |

Notas Neto de Erasmus Darwin e
também neto de Josiah Wedgwood |
Infância e educação
Charles Darwin com sete anos, em 1816, um ano antes da morte da sua
mãe.Charles Darwin nasceu na casa da sua família em Shrewsbury,
Shropshire, Inglaterra, em 12 de fevereiro de 1809. Ele foi o quinto dos
seis filhos do médico Robert Darwin e sua esposa Susannah Darwin. Seu
avô paterno foi Erasmus Darwin e seu avô materno, o famoso ceramista
Josiah Wedgwood, ambos pertencentes à proeminente e abastada família
Darwin-Wedgwood e à elite intelectual da época. Sua mãe morreu quando
ele tinha apenas oito anos. No ano seguinte, em 1818, Darwin foi enviado
para a escola Shrewsbury. Ali, ele só se interessava em colecionar
minerais, insetos e ovos de pássaros, caça, cães e ratos.
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Charles Darwin com sete anos,
em 1816, um ano antes da morte da sua mãe. |
Em 1825, depois de passar o verão como médico aprendiz ajudando o seu
pai no tratamento dos pobres de Shropshire, Darwin foi estudar medicina
na Universidade de Edimburgo. Contudo, sua aversão à brutalidade da
cirurgia da época levou-o a negligenciar os seus estudos médicos. Na
universidade, ele aprendeu taxidermia com John Edmonstone, um ex-escravo
negro, que lhe contava muitas histórias interessantes sobre as florestas
tropicais na América do Sul.
Em seu segundo ano, Darwin se tornou um ativo participante de sociedades
estudantis para naturalistas. Participou, por exemplo, da Sociedade
Pliniana, onde se liam comunicações sobre história natural. Durante esta
época, ele foi pupilo de Robert Edmund Grant, um pioneiro no
desenvolvimento das teorias de Jean-Baptiste Lamarck e do seu avô
Erasmus Darwin sobre a evolução de características adquiridas. Darwin
tomou parte das investigações de Grant a respeito do ciclo de vida de
animais marinhos.
Tais investigações contribuíram para a formulação da teoria de que todos
os animais possuem órgãos similares e diferem apenas em complexidade. No
curso de história natural de Robert Jameson, ele aprendeu sobre geologia
estratigráfica. Mais tarde, ele foi treinado na classificação de plantas
enquanto ajudava nos trabalhos com as grandes coleções do Museu da
Universidade de Edimburgo.
Em 1827, seu pai, decepcionado com a falta de interesse de Darwin pela
medicina, matriculou-o em um curso de Bacharelado em Artes na
Universidade de Cambridge para que ele se tornasse um clérigo. Nesta
época, clérigos tinham uma renda que lhes permitia uma vida confortável
e muitos eram naturalistas uma vez que, para eles, "explorar as
maravilhas da criação de Deus" era uma de suas obrigações.
Em Cambridge, entretanto, Darwin preferia cavalgar e atirar a ficar
estudando. Ele também passava muito do seu tempo coletando besouros com
o seu primo William Darwin Fox. Este o apresentou ao reverendo John
Stevens Henslow, professor de botânica e especialista em besouros que,
mais tarde, viria a se tornar o seu tutor.
Darwin ingressou no curso de história natural de Henslow e se tornou um
de seus alunos favoritos. Durante esta época, Darwin se interessou pelas
ideias de William Paley, em particular, a noção de projeto divino na
natureza. Em suas provas finais em janeiro de 1831, ele se saiu muito
bem em teologia e, mesmo tendo feito apenas o suficiente para passar no
estudo de clássicos, matemática e física, foi o décimo colocado entre
178 aprovados.
Seguindo os conselhos e exemplo de Henslow, Darwin não se apressou em
ser ordenado. Inspirado pela narrativa de Alexander von Humboldt, ele
planejou se juntar a alguns colegas e visitar a Tenerife para estudar
história natural dos trópicos. Como preparação, Darwin ingressou no
curso de Geologia do reverendo Adam Sedgwick, um forte proponente da
teoria de projeto divino, e viajou com ele como um assistente no
mapeamento estratigráfico no País de Gales. Contudo, seus planos de
viagem à Ilha da Madeira foram subitamente desfeitos ao receber uma
carta que lhe informava a morte de um dos seus prováveis colegas de
viagem.
Outra carta, entretanto, recebida ao retornar para casa, o colocaria
novamente em viagem. Henslow havia recomendado que Darwin fosse o
acompanhante de Robert FitzRoy, capitão do barco inglês HMS Beagle, em
uma expedição de dois anos que deveria mapear a costa da América do Sul.
Isto lhe daria a oportunidade de desenvolver a sua carreira como
naturalista. Esta se tornaria uma expedição de quase cinco anos que
teria profundo impacto em muitas áreas da Ciência.
A Viagem do Beagle
O percurso da viagem do HMS Beagle.A viagem do Beagle durou quatro anos
e nove meses, dois terços dos quais Darwin esteve em terra firme. Ele
estudou uma rica variedade de características geológicas, fósseis,
organismos vivos e conheceu muitas pessoas, entre nativos e colonos.
Darwin coletou metodicamente um enorme número de espécimes, muitos dos
quais novos para a ciência.
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O percurso da viagem do HMS
Beagle.
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Isto estabeleceu a sua reputação como um naturalista e fez dele um dos
precursores do campo da Ecologia, particularmente a noção de Biocenose.
Suas anotações detalhadas mostravam seu dom para a teorização e formaram
a base para seus trabalhos posteriores, bem como forneceram visões
sociais, políticas e antropológicas sobre as regiões que ele visitou.
Durante a viagem, Darwin leu o livro "Princípios da Geologia" de Charles
Lyell, que descrevia características geológicas como o resultado de
processos graduais ocorrendo ao longo de grandes períodos de tempo. Ele
escreveu para casa que via formações naturais como se através dos olhos
de Lyell: degraus planos de pedras com o aspecto característico de
erosão por água e conchas na Patagônia eram sinais claros de praias que
haviam se elevado; no Chile, ele experimentou um terremoto e observou
pilhas de mexilhões encalhadas acima da maré alta o que mostrava que
toda a área havia sido elevada; e mesmo no alto dos Andes ele foi capaz
de coletar conchas.
Darwin ainda teorizou que atóis de coral iam se formando gradualmente em
montanhas vulcânicas à medida que estas afundavam no mar, uma ideia
confirmada posteriormente quando o Beagle esteve nas ilhas Cocos (keeling).
Na América do Sul, ele descobriu fósseis de animais extintos como o
megatério e o gliptodonte em camadas que não mostravam quaisquer sinais
de catástrofe ou mudanças climáticas. Naquele tempo, ele pensava que
aquelas eram espécimes similares às encontradas na África mas, após a
sua volta, Richard Owen lhe mostrou que os fósseis encontrados eram mais
similares a animais não extintos que viviam na mesma região (preguiças e
tatus).
Na Argentina, duas espécies de ema viviam em territórios separados mas
compartilhavam áreas comuns. Nas ilhas Galápagos, Darwin descobriu que
cotovias (mockingbirds) diferiam de uma ilha para outra. Ao retornar à
Inglaterra, foi lhe mostrado que o mesmo ocorria com as tartarugas e
tentilhões. O rato-canguru e o ornitorrinco, encontrados na Austrália,
eram animais tão estranhos que levaram Darwin a pensar que "Um
incrédulo... poderia dizer que 'seguramente dois criadores diferentes
estiveram em ação'".
Todas estas observações o deixaram muito intrigado e, na primeira edição
de "A Viagem do Beagle", ele explicou a distribuição das espécies à luz
da teoria de Charles Lyell de "centros de criação". Em edições
posteriores, ele já dava indicações de como via a fauna encontrada nas
Ilhas Galápagos como evidência para a evolução: "é possível imaginar que
algumas espécies de aves neste arquipélago derivam de um número pequeno
de espécies de aves encontradas originalmente e que se modificaram para
diferentes finalidades".
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Charles casou com a sua prima
Emma Wedgwood. |
HMS Beagle na Austrália (centro), aquarela pintada por Owen Stanley em
1841.Três nativos foram trazidos de volta pelo Beagle para a Terra do
Fogo. Eles tinham sido "civilizados" na Inglaterra nos dois anos
anteriores, ainda que os seus parentes parecessem à Darwin selvagens
pouco acima de outros animais. Em um ano, entretanto, aqueles
missionários voltaram ao que eram e, de fato, preferiam esta condição
uma vez que não quiseram retornar à Inglaterra.
Esta experiência somada a repulsa de Darwin pela escravidão e outros
abusos que ele viu em vários lugares, tais como o tratamento desumano
dos nativos por colonos ingleses na Tasmânia, o persuadiram de que não
há justificativa moral para maltratar outros homens baseado no conceito
de raça. Ele passou então a acreditar que a humanidade não se encontrava
tão distante dos outros animais como diziam seus amigos do clero.
A bordo do barco, Darwin sofria constantemente de enjoo. Em outubro de
1833 ele pegou uma febre na Argentina e em julho de 1834, enquanto
retornando dos Andes a Valparaíso, adoeceu e ficou um mês de cama. De
1837 em diante, Darwin passou a sofrer repetidamente de dores
estomacais, vômitos, graves tremores, palpitações, e outros sintomas.
Estes sintomas se agravavam particularmente em épocas de estresse, tais
como quando tinha de lidar com as controvérsias relacionadas à sua
teoria.
A causa da doença de Darwin foi desconhecida durante a sua vida e
tentativas de tratamento tiveram pouco sucesso. Uma ideia esposada por
Kettlewell e Julian Huxley, no início da década de 1960, defende que ele
contraiu a Doença de Chagas ao ser picado por um inseto na América do
Sul. No entanto, os autores reconhecem que especialistas nessa doença
indicam que não há concordância dos sintomas de Darwin com os da doença.
Outras possíveis causas incluem problemas psicológicos e a doença de
Ménière.
Carreira como cientista e concepção da teoria
Ainda jovem, Charles Darwin ingressou na elite científica.Enquanto
Darwin ainda estava em viagem, Henslow cuidadosamente cultivou a
reputação de seu antigo pupilo fornecendo a vários naturalistas os
espécimes fósseis e cópias impressas das descrições geológicas que
Darwin fazia. Quando o Beagle retornou em 2 de outubro de 1836, Darwin
era uma celebridade no meio científico.
Ele visitou a sua casa em Shrewsbury e descobriu que seu pai havia feito
vários investimentos de forma que Darwin pudesse ter uma vida tranquila.
Mais que isto, ele poderia ter uma carreira científica autofinanciada.
Darwin foi então a Cambridge e convenceu Henslow a fazer descrições
botânicas das plantas que ele havia coletado. Depois se dirigiu a
Londres onde procurou os melhores naturalistas para descrever as suas
outras coleções de forma a poder publicá-las posteriormente. Um
entusiasmado Charles Lyell encontrou Darwin em 29 de outubro e o
apresentou ao jovem e promissor anatomista Richard Owen.
Depois de trabalhar na coleção de ossos fossilizados de Darwin no Royal
College of Surgeons, Owen surpreendeu a todos ao revelar que alguns dos
ossos eram de tatus e preguiças gigantes extintas. Isto melhorou a
reputação de Darwin. Com a ajuda entusiasmada de Lyell, Darwin
apresentou seu primeiro artigo na Geological Society de Londres em 4 de
janeiro de 1837, afirmando que a massa terrestre da América do Sul
estava se erguendo lentamente. No mesmo dia, Darwin apresentou seus
espécimes de mamíferos e aves à Zoological Society. Os mamíferos ficaram
aos cuidados de George R. Waterhouse.
Embora, em princípio, os pássaros parecessem merecer menos atenção, o
ornitólogo John Gould revelou que o que Darwin pensara serem corruíras (wrens),
melros e tentilhões levemente modificados de Galápagos eram de fato
tentilhões, mas cada um de uma espécie distinta. Outros no Beagle,
incluindo o capitão FitzRoy, também tinham coletado estes pássaros mas
haviam sido mais cuidadosos com suas anotações, o que permitiu a Darwin
determinar de que ilha cada espécie era originária.
Em Londres, Darwin ficava com o seu irmão e livre pensador Erasmus e, em
jantares, eles encontravam-se com outros pensadores que imaginavam um
Deus guiando a sua criação unicamente por meio de leis naturais. Entre
eles, estava a escritora Harriet Martineau, cujas histórias promoviam a
reforma das leis de proteção social de acordo com as ideias de Malthus.
Nos meios científicos, ideias como a transformação de uma espécie em
outra (transmutação) eram controversamente associadas com radicalismo
político.
Por isto, Darwin preferia a respeitabilidade de seus amigos mesmo quando
não concordava plenamente com as ideias deles, tais como a crença de que
a história natural devesse justificar religiões ou ordem social.
Em 17 de fevereiro de 1837, Lyell aproveitou o seu discurso presidencial
na Geological Society para apresentar as descobertas de Owen em relação
aos fósseis de Darwin, enfatizando as implicações do fato de que
espécies extintas encontradas em uma região fossem relacionadas a outras
que viviam atualmente na mesma região.
Neste mesmo encontro, Darwin foi eleito para o conselho da Geological
Society.
Ele já tinha sido convidado por FitzRoy para contribuir com o seu diário
e notas pessoais para a seção de história natural do livro que o capitão
estava escrevendo sobre a viagem do Beagle. Darwin também estava
trabalhando em um livro sobre a geologia da América do Sul. Ao mesmo
tempo, ele especulava sobre a transmutação de espécies no caderno de
anotações que ele tinha iniciado no Beagle. Outro projeto que ele
iniciou na mesma época foi a organização dos relatórios dos vários
especialistas que haviam trabalhado em suas coleções em um livro de
múltiplos volumes chamado "Zoologia da viagem do H.M.S.
Beagle" (Zoology of the Voyage of H.M.S. Beagle). Darwin concluiu o seu
diário em 20 de junho e, em julho, iniciou seu livro secreto sobre
transmutação, onde desenvolveu a hipótese de que, apesar de cada ilha de
Galápagos ter sua própria espécie de tartaruga, todas elas eram
originárias de uma única espécie que tinha se adaptado à vida nas
diferentes ilhas de diferentes modos.
Sob a pressão de concluir Zoologia e corrigir as revisões de seu diário,
a saúde de Darwin deteriorou. Em 20 de setembro de 1837, ele sofreu
palpitações do coração e foi passar um mês no campo para se recuperar.
Ele visitou Maer Hall onde sua tia inválida estava sob os cuidados de
sua irmã Emma Wedgwood e entreteve seus parentes com as histórias de
suas viagens. Após o seu retorno do campo, ele evitava tomar parte de
eventos oficiais que poderiam lhe tomar um tempo precioso. Contudo, por
volta de março de 1838, William Whewell o recrutou como secretário da
Geological Society. Mas logo a sua doença o forçou a novamente deixar
seu trabalho e ele seguiu para Escócia para "fazer geologia".
Ali, visitou o desfiladeiro conhecido como Glen Roy, para estudar o
fenômeno conhecido como "estradas " (roads) paralelas de Glen
Roy,(incorretamente) identificadas por ele, como antigas praias marinhas
que se elevaram. Anos mais tarde, estes terraços geológicos foram
identificados como tendo sido originados pela ação de um lago glacial,
que teve seu nível de águas reduzido mediante eventos geológicos, os
quais se intercalaram por períodos de tempo suficientes para que
sedimentos geológicos fossem depositados em suas encostas, formando
praias. Os sedimentos destas praias, com a diminuição das águas, ficaram
expostos, solidificando-se em terraços conhecidos como "estradas",
devido a sua grande extensão e retidão.
Charles casou com a sua prima Emma Wedgwood.Completamente recuperado,
ele retornou a Shrewsbury. Raciocinando cientificamente sobre a sua
carreira e ambições, ele fez uma lista com as colunas "Casar" e "Não
casar". Entradas na coluna pró-casamento incluíam "companhia constante e
um amigo na velhice ... melhor que um cão de qualquer modo," enquanto
listado entre as desvantagens estavam "menos dinheiro para livros" e
"terrível perda de tempo". Os prós venceram. Ele discutiu a ideia de
casar com o pai e então foi visitar sua prima Emma em 29 de julho de
1838. Ele não propôs casamento mas, contrariando os conselhos do pai,
contou-lhe sobre as suas ideias de transmutação de espécies.
Enquanto os seus pensamentos e trabalho continuavam em Londres, durante
o outono, sua saúde voltou a definhar e ele passou a sofrer repetidas
crises. Em 11 de novembro ele pediu Emma em casamento e, uma vez mais,
lhe falou de suas ideias. Ela aceitou mas permaneceria sempre preocupada
que os lapsos de fé de Darwin acabariam por pôr em risco a possibilidade
de, como ela acreditava, se encontrarem após a morte.
Darwin considerou o raciocínio de Malthus de que a população humana
aumenta mais rapidamente que a produção de alimentos, levando-a a uma
competição e tornando qualquer esforço de caridade inútil. Ele viu
naquela ideia uma forma de explicar (a) seus achados sobre espécies
extintas que se relacionavam mais com outras não extintas encontradas na
mesma região, (b) a similaridade entre espécies próximas umas das
outras, (c) suas dúvidas derivadas da criação de animais e (d) sua
incerteza quanto a existência de uma "lei de harmonia" na natureza.
No fim de novembro de 1838, ele começou a comparar o processo de seleção
de características feito por criadores de animais com uma natureza
Malthusiana selecionando variantes aleatoriamente de forma que "toda a
parte de uma nova característica adquirida é colocada em prática e
aperfeiçoada", e pensou nisto como "a mais bela parte da minha teoria"
de como novas espécies se originam.
Ele estava procurando uma casa e acabou por encontrar "Macaw Cottage" na
rua Gower, Londres, e então mudou seu "museu" para lá em dezembro. Ele
já mostrava sinais de cansaço e Emma lhe escreveu sugerindo que ele
descansasse, comentando quase profeticamente "Não adoeça mais meu
querido Charley até que eu esteja aí para cuidar de você". Em 24 de
janeiro de 1839, Darwin foi eleito membro da Royal Society e apresentou
seu artigo sobre as "estradas" de Glen Roy
Casamento e filhos
Darwin em 1842 com o seu filho mais velho, William Erasmus Darwin.Em 29
de janeiro de 1839, Darwin casou com sua prima Emma Wedgwood em Maer.
Depois de primeiro morar em Gower Street, Londres, o casal mudou para
Down House em Downe em 17 de setembro de 1842. Os Darwin tiveram dez
filhos, três dos quais morreram prematuramente. Muitos deles e de seus
netos alcançaram notabilidade.
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Darwin em 1842 com o seu
filho mais velho, William Erasmus Darwin. |
William Erasmus Darwin (27 de dezembro de 1839–1914)
Anne Elizabeth Darwin (2 de março de 1841 – 22 de abril de 1851)
Mary Eleanor Darwin (23 de setembro de 1842 – 16 de outubro de 1842)
Henrietta Emma "Etty" Darwin (25 de setembro de 1843–1929)
George Howard Darwin (9 de julho de 1845 – 7 de dezembro de 1912)
Elizabeth "Bessy" Darwin (8 de julho de 1847–1926)
Francis Darwin (16 de agosto de 1848 – 19 de setembro de 1925)
Leonard Darwin (15 de janeiro de 1850 – 26 de março de 1943)
Horace Darwin (13 de maio de 1851 – 29 de setembro de 1928)
Charles Waring Darwin (6 de dezembro de 1856 – 28 de junho de 1858)
Muitos dos seus filhos sofreram de doenças ou fraquezas e o temor de
Darwin de que isto se devesse ao fato de que ele e Emma eram primos foi
expresso em seus textos sobre os efeitos do acasalamento entre
indivíduos de linhagens mais próximas (inbreeding) ou mais distantes (crossing).
Evolução por seleção natural
Temendo tanto as críticas científicas quanto as religiosas, Darwin
passou décadas desenvolvendo as suas teorias evolutivas quase sempre em
segredo.Darwin era agora um eminente geólogo no meio científico formado
por clérigos naturalistas, com uma renda segura e trabalhando
secretamente em sua teoria. Ele tinha muito a fazer, escrevendo sobre
todos os seus achados e supervisionando a preparação dos vários volumes
da "Zoologia" que deveriam descrever as suas coleções.
Ele estava convencido da ocorrência da evolução mas, desde muito tempo,
sempre esteve consciente de que a ideia de transmutação de espécies era
vista como uma blasfêmia, bem como era associada com agitadores
democráticos radicais na Inglaterra; portanto, a publicação de suas
ideias poderia significar a demolição de sua reputação e,
consequentemente, a sua ruína.
Assim, ele fazia experimentos minuciosos com plantas e consultava
frequentemente muitos criadores de animais, incluindo criadores de
pombos e porcos, na tentativa de encontrar respostas convincentes para
todos os contra-argumentos que ele conseguia antever.
Quando FitzRoy publicou seu livro sobre a viagem do Beagle em maio de
1839, o diário e comentários de Darwin foram um grande sucesso. Mais
tarde naquele ano, o diário foi publicado isoladamente em um livro que
se tornou um sucesso de vendas hoje conhecido como "A Viagem do Beagle"
(The Voyage of the Beagle). Em Dezembro de 1839, durante a primeira
gravidez de Emma, a saúde de Darwin voltou a ficar comprometida e ele
conseguiu avançar muito pouco em seus trabalhos no ano seguinte.
Darwin tentou explicar sua teoria para amigos mais próximos, mas eles
demoraram a mostrar interesse e pensavam que uma selecção exige um
seleccionador divino. Em 1842 a família se moveu para a sua casa no
campo (Down House) para escapar da pressão de Londres. Ali, Darwin
escreveu um pequeno texto esboçando a sua teoria que, em 1844, seria
expandido para um documento de 240 páginas intitulado "Ensaio". Darwin
completou seu terceiro livro sobre geologia em 1846.
Auxiliado por um amigo, o jovem botânico Joseph Dalton Hooker, ele
iniciou um estudo aprofundado sobre cracas. Em 1847, Hooker leu o
"Ensaio" e fez comentários que forneceram a Darwin a opinião externa que
ele precisava.
Darwin temia publicar a teoria de forma incompleta considerando o fato
de que as suas ideias sobre evolução poderiam ser altamente controversas
se, de fato, alguma atenção fosse dada a elas. Outras ideias sobre
evolução - especialmente o trabalho de Jean-Baptiste Lamarck - tinham
sido consistentemente rejeitadas pela comunidade científica britânica e
foram associadas à noção de radicalismo político.
A publicação anónima de "Vestígios da História Natural da Criação" (Vestiges
of the Natural History of Creation) em 1844 gerou outra controvérsia
sobre radicalismo e evolução e foi severamente atacada pelos amigos de
Darwin, o que assegurava que nenhum cientista de reputação iria querer
estar associado com tais ideias.
Para tentar tratar a sua doença, Darwin foi a um spa em Malvern em 1849
e, para a sua surpresa, verificou que os dois meses de tratamento com
água o ajudaram. Em seu estudo sobre cracas ele descobriu "homologias"
que suportavam a sua teoria por mostrar que partes de um corpo levemente
modificadas poderiam servir a funções diferentes em novos contextos. Foi
então que a sua querida filha Annie adoeceu despertando novamente os
seus temores de que sua doença pudesse ser hereditária. Após um longo
sofrimento, ela morreu e Darwin perdeu toda a sua fé em um Deus
benevolente.
Nesta época, ele conheceu o jovem naturalista, e livre pensador, Thomas
Huxley que se tornaria um amigo próximo e grande aliado. O trabalho de
Darwin sobre cracas (Cirripedia) lhe valeu a medalha real da Royal
Society em 1853, estabelecendo definitivamente a sua reputação como
biólogo. Ele completou este estudo em 1854 e voltou a sua atenção para a
sua teoria de transmutação de espécies.
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A morte da filha de Darwin,
Annie, em 1851 foi o evento que minou
definitivamente a crença de Darwin em um Deus
benevolente |
Darwin, Mendel e a genética
Gregor Mendel foi o primeiro cientista a
explicar os mecanismos da hereditariedade em um experimento sobre
cruzamento de ervilhas publicado em 1866 [31]. Com os seus estudos,
Mendel comprovou que as características eram determinadas por pares de
elementos, herdados de cada um dos genitores e que passavam de uma
geração a outra de forma particulada, ou seja, esses elementos
permaneciam intactos.
Apesar de sua grande relevância, esse trabalho teve pouco impacto na
época e passou desapercebido aos estudiosos da evolução por quase meio
século, incluindo o próprio Darwin. Com a redescoberta dos trabalhos de
Mendel no início do século 20, os elementos envolvidos na herança foram
denominados genes e a disciplina que estuda a hereditariedade passou a
ser chamar genética.
Os primeiros geneticistas, no entanto, não acreditavam na eficácia da
seleção natural como mecanismo evolutivo, mas sim da mutação, que era
mais compatível com a herança mendeliana na época
.
Com isso, no início do século 20, a genética mendeliana e a evolução
darwiniana eram incompatíveis, contribuindo para o "eclipse do
darwinismo"[34]. Enquanto as ideias de Darwin se baseavam em fundamentos
erróneos e não testados sobre hereditariedade, como a herança por
mistura ou de caracteres adquiridos, as conclusões de Mendel eram
fundadas em experimentação cuidadosa. Os trabalhos de Mendel e Darwin só
puderam ser reconciliados nos anos de 1930 e 1940 com a chamada Síntese
Moderna [35], que se baseou nos fundamentos da genética de populações
desenvolvidos nas décadas anteriores.
A Origem das Espécies e Evolução
Darwin encontrou uma resposta para o problema de como gêneros divergem
ao fazer uma analogia com as ideias de divisão de trabalho na indústria.
Variedades especializadas de um gênero, ao encontrarem nichos nos quais
sua especialização é mais útil, forçariam a diversificação em espécies.
Ele experimentou com sementes, testando a sua habilidade de sobreviver à
água salgada, para determinar se uma espécie poderia se transferir para
uma ilha isolada pelo mar. Ele também passou a criar pombos para testar
a sua hipótese de que a seleção natural era comparável à "seleção
artificial" usada por criadores de pombos.
Capa do livro A Origem das Espécies, de 1859Foi então que, na primavera
de 1856, Lyell leu um artigo sobre a introdução de espécies escrito por
Alfred Russel Wallace, um naturalista trabalhando no Bornéo. Ciente da
similaridade entre este trabalho e o de Darwin, Lyell pressionou Darwin
para que publicasse o quanto antes a sua teoria, de forma a estabelecer
precedência. Apesar de sua doença, Darwin iniciou o livro de três
volumes intitulado "Seleção Natural" ("Natural Selection"), obtendo
espécimes e informações de naturalistas como Asa Gray e o próprio
Wallace.
Em dezembro de 1857, quando trabalhava em seu livro, Darwin recebeu uma
carta de Wallace perguntando se ele se aprofundaria na questão das
origens do homem. Ciente dos temores de Lyell, Darwin respondeu: "Eu
acho que irei evitar completamente este assunto, uma vez que ele é
rodeado de preconceitos, embora eu admita que este é o maior e mais
interessante problema para um naturalista".
Ele então encorajou Wallace a teorizar sobre o tema, dizendo "não há
observações boas e originais sem especulação". Quando o seu manuscrito
já alcançava 250 mil palavras, em junho de 1858, Darwin recebeu de
Wallace o artigo em que aquele descrevera o mecanismo evolutivo que
concebera. Wallace também solicitara a Darwin que o enviasse a Lyell.
Darwin assim o fez, embora estivesse chocado que ele tivesse sido
"prevenido" do fato. Embora Wallace não tivesse solicitado a publicação,
Darwin se ofereceu para enviar o artigo a qualquer revista que ele
desejasse. Ele descreveu o que se passava para Lyell e Hooker.
Estes concordaram em uma apresentação conjunta na Lynnean Society, em 1
de julho, do artigo intitulado "Sobre a Tendência das Espécies de
formarem Variedades; e sobre a Perpetuação das Variedades e Espécies por
Meios Naturais de Seleção" (On the Tendency of Species to form Varieties;
and on the Perpetuation of Varieties and Species by Natural Means of
Selection). Infelizmente, o filho caçula de Darwin faleceu e ele não
pôde comparecer à apresentação.
O anúncio inicial da teoria atraiu pouca atenção. Ela foi mencionada
brevemente em algumas resenhas, mas para a maioria dos revisores era
apenas mais uma entre muitas variações de pensamento evolutivo. Nos
treze meses seguintes Darwin sofreu com sua saúde precária e fez um
enorme esforço para escrever um resumo de seu "grande livro sobre
espécies". Recebendo constante encorajamento de seus amigos cientistas,
ele finalmente terminou o texto e Lyell cuidou para que o mesmo fosse
publicado por John Murray.
O livro recebeu o título "Sobre a origem das espécies por meio de
seleção natural" (On the Origin of Species by Means of Natural Selection)
e, quando foi colocado à venda em 22 de novembro de 1859, esgotou o
estoque de 1250 cópias rapidamente. Naquela época, o termo
"evolucionismo" implicava criação sem intervenção divina e, por isso,
Darwin evitou usar as palavras "evolução" ou "evoluir", embora o livro
terminasse anunciando que "um número incontável das mais belas e
maravilhosas formas evoluíram e estão evoluindo". O livro só mencionava
brevemente a ideia de que seres humanos também deveriam evoluir tal qual
outros organismos. Darwin escreveu de forma propositadamente atenuada
que "luz será lançada no tocante à origem do homem e sua história".
Efeito social da teoria evolutiva e Controvérsia da criação vs. evolução
Caricatura publicada na revista Hornet, onde Darwin é retratado como um
macaco.O livro de Darwin iniciou uma controvérsia pública que ele
acompanhou atentamente, obtendo cortes de jornais de milhares de
resenhas, críticas, artigos, sátiras, paródias e caricaturas. Críticos
foram rápidos em apontar as implicações não discutidas no livro de que
"homens fossem descendentes de macacos" ("men from monkeys").
Entretanto, houve resenhas favoráveis, entre elas, uma publicada no The
Times escrita por Huxley que incluía críticas a Richard Owen, um
expoente do meio científico que Huxley estava tentando "destronar". Owen
pareceu inicialmente neutro mas então escreveu um artigo condenando o
livro.
O corpo científico da Igreja da Inglaterra, incluindo os antigos tutores
de Darwin em Cambridge, Sedgwick e Henslow, reagiu contra o livro,
embora ele tenha sido bem recebido por uma nova geração de jovens
naturalistas. Foi quando sete ensaios e resenhas feitas por sete
teólogos anglicanos liberais declararam que milagres eram irracionais e
atraíram a atenção para si, desviando-a de Darwin.
O confronto mais famoso ocorreu em um encontro da Associação Britânica
para o Avanço da Ciência em Oxford. O professor John William Draper fez
uma longa apresentação sobre Darwin e progresso social e, então, Samuel
Wilberforce, o bispo de Oxford, atacou as ideias de Darwin. Em um
acalorado debate, Joseph Hooker defendeu Darwin com tenacidade e Thomas
Huxley se estabeleceu como o "bulldog de Darwin" – o mais veemente
defensor da teoria evolutiva no palco Vitoriano.
Conta-se que tendo sido questionado por Wilberforce se ele descendia de
macacos por parte de pai ou de mãe, Huxley murmurou: "O Senhor o deixou
em minhas mãos" e respondeu que "preferia ser descendente de um macaco
que de um homem educado que usava sua cultura e eloquência a serviço do
preconceito e da mentira" (isto é contestado, veja Wilberforce and
Huxley: A Legendary Encounter). Logo se espalhou pelo país a história de
que Huxley teria dito que preferia ser um macaco a um bispo.
Muitas pessoas sentiam que a visão de Darwin da natureza acabava com a
importante distinção entre homem e animais. O próprio Darwin não
defendia suas ideias em público, embora ele lesse avidamente tudo sobre
o debate. Ele se encontrava frequentemente doente e apenas fazia
comentários através de cartas e correspondência. Seu círculo central de
amigos cientistas – Huxley, Hooker, Charles Lyell e Asa Gray –
ativamente colocavam seu trabalho em discussão nos palcos científico e
público, defendendo-o de seus muitos críticos e ajudando-o a ganhar o
respeito que lhe valeu a medalha Copley da Royal Society em 1864.
A teoria de Darwin também foi usada como base para vários movimentos da
época e tornou-se parte da cultura popular. O livro foi traduzido para
muitos idiomas e teve numerosas re-impressões. Tornou-se um texto
científico acessível tanto para aos novos e curiosos cidadãos da classe
média quanto para os trabalhadores e foi aclamado como o mais
controverso e discutido livro científico de todos os tempos.
Últimos anos de vida
Em 1881, Darwin foi uma figura eminente, ainda trabalhando em suas
contribuições ao pensamento evolutivo que teve um efeito enorme em
muitos campos da ciência.Apesar dos sucessivos problemas de saúde que
acometeram Darwin nos seus últimos vinte e dois anos de vida, ele
continuou trabalhando avidamente, passando a se dedicar aos aspectos
mais controversos do seu "grande livro" que ainda estavam por ser
completados:
a evolução da espécie humana a partir de animais mais primitivos, o
mecanismo de seleção sexual que poderia explicar características de não
tão óbvia utilidade além de mera beleza decorativa, bem como sugestões
para as possíveis causas subjacentes ao desenvolvimento da sociedade e
das habilidades mentais humanas. Seus experimentos, pesquisa e escrita
continuaram.
Quando a filha de Darwin adoeceu, ele deixou de lado o seu trabalho e
experimentos com sementes e animais para acompanhá-la em seu tratamento
no campo. Ali, ele iniciaria o seu interesse por orquídeas selvagens que
se desenvolveria em um estudo inovador sobre como as flores serviam para
controlar a polinização feita pelos insetos e garantir a fertilização
cruzada.
Como já observara com as cracas, partes homólogas serviam a diferentes
funções em diferentes espécies. De volta ao lar, ele adoeceu novamente
em um quarto repleto de experimentos e plantas trepadeiras. Ainda assim,
continuou o seu trabalho no livro "Variação" (Variation), que cresceu
até ocupar dois volumes, o que o forçou a deixar de lado "A descendência
do Homem e Seleção em relação ao Patologia". Uma vez impresso, o livro foi
muito procurado.
A questão da evolução humana tinha sido amplamente discutida pelos seus
simpatizantes (e críticos) logo depois da publicação da "Origem das
Espécies" mas a contribuição do próprio Darwin para o tema só veio uma
década mais tarde com os dois volumes de "A descendência do Homem e
Seleção em relação ao Patologia" em 1871.
No segundo volume, Darwin introduziu por completo o seu conceito de
seleção sexual e explicou a evolução da cultura humana, as diferenças
entre os Patologias, a diferenciação entre raças bem como a bela plumagem dos
pássaros. Um ano mais tarde, Darwin publicou seu último grande trabalho,
"The Expression of the Emotions in Man and Animals", que era focado na
evolução da psicologia humana e sua continuidade com o comportamento
animal.
Ele desenvolveu a sua ideia de que a mente humana e culturas foram
desenvolvidas por meio de seleção natural e sexual, uma abordagem que
foi revivida com a emergência da psicologia evolutiva. Como ele concluiu
em a "Descendência do Homem", Darwin achava que apesar de todas as
"qualidades nobres" e "capacidades sublimes" da humanidade:
O homem ainda traz em sua estrutura fisica a marca indelével de sua
origem primitiva.
— Darwin
Seus experimentos relacionados à evolução culminaram em cinco livros
sobre plantas, e então seu último livro voltou à discussão sobre o
efeito que minhocas tinham sobre o solo.
Darwin morreu em Downe, Kent, Inglaterra, em 19 de abril de 1882. Ele
deveria ter sido enterrado no jardim da igreja de St Mary em Downe, mas
atendendo ao pedido de seus colegas cientistas, William Spottiswoode
(Presidente da Royal Society) cuidou para que ele tivesse um funeral de
estado e Darwin foi enterrado na abadia de Westminster próximo a Charles
Lyell, William Herschel e Isaac Newton.
Visão religiosa
Embora vários membros da família de Darwin fossem pensadores livres,
abertamente lhes faltando crenças religiosas convencionais, ele
inicialmente não duvidava da verdade literal da Bíblia. Ele frequentava
uma escola da igreja da Inglaterra e, mais tarde, em Cambridge, estudou
teologia Anglicana. Nesta época, ele estava plenamente convencido do
argumento de William Paley de que o projeto perfeito da natureza era uma
prova inequívoca da existência de Deus.
Contudo, as suas crenças começaram a mudar durante a sua viagem no
Beagle. Para ele, a visão de uma vespa paralisando uma larva de
borboleta para que esta servisse de alimento vivo para seus ovos parecia
contradizer a visão de Paley de projeto benevolente ou harmonioso da
natureza. Enquanto a bordo do Beagle, Darwin era bastante ortodoxo e
poderia citar a Bíblia como uma autoridade moral. Apesar disso, ele via
as histórias no velho testamento como falsas e improváveis.
A morte da filha de Darwin, Annie, em 1851 foi o evento que minou
definitivamente a crença de Darwin em um Deus benevolenteAo retornar,
ele investigou a questão de transmutação de espécies. Ele sabia que seus
amigos naturalistas e clérigos pensavam em transmutação como uma heresia
que enfraquecia as justificativas morais para a ordem social e sabiam
que tais ideias revolucionárias eram especialmente perigosas em uma
época em que a posição estabelecida da igreja da Inglaterra estava sob
constante ataque de dissidentes radicais e ateus. Enquanto desenvolvia
secretamente a sua teoria de Seleção Natural, Darwin chegou mesmo a
escrever sobre a religião como uma estratégia tribal de sobrevivência,
embora ele ainda acreditasse que Deus fosse o legislador supremo.
 |
Estátua de Charles Darwin no
Museu de História Natural de Londres. |
Sua crença continuou diminuindo com o passar do tempo e, com a morte de
sua filha Annie em 1851, Darwin finalmente perdeu toda a sua fé no
cristianismo. Ele continuou a ajudar a igreja local e colaborar com o
trabalho comunitário associado à igreja, mas, aos domingos, ia caminhar
enquanto sua família ia para o culto. Em seus últimos anos de vida,
quando perguntado sobre a visão que tinha a respeito da religião, ele
escreveu que nunca tinha sido um ateu no sentido de negar a existência
de Deus e, portanto, se descreveria mais corretamente como um agnóstico.
Charles Darwin contou em sua biografia que eram falsas as afirmações de
que seu avô Erasmus Darwin teria clamado por Jesus em seu leito de
morte. Darwin concluiu dizendo que "Era tal o estado de sentimento
cristão neste país [em 1802].... Nós podemos apenas esperar que nada
deste tipo prevaleça hoje". Apesar desta crença, histórias muito
parecidas circularam logo após a morte de Darwin, em particular, uma que
afirmava que ele havia se convertido logo antes de morrer. Estas
histórias foram disseminadas por alguns grupos cristãos até ao ponto de
se tornarem lendas urbanas, embora as afirmações tenham sido refutadas
pelos filhos de Darwin e sejam consideradas falsas por historiadores.
LegadoA teoria de Darwin de que evolução ocorreu por meio de seleção
natural mudou a forma de pensar em inúmeros campos de estudo da Biologia
à Antropologia. Seu trabalho estabeleceu que a "evolução" havia
ocorrido: não necessariamente por meio das seleções natural e sexual
(isto, em particular, só foi comumente reconhecido após a redescoberta
do trabalho de Gregor Mendel no início do século XX e o desenvolvimento
da Síntese Moderna).
Outros antes dele já haviam esboçado a ideia de seleção natural: em sua
vida, Darwin reconheceu como tal os trabalhos de William Charles Wells e
Patrick Matthew que ele (e praticamente todos os outros naturalistas da
época) desconheciam quando ele publicou a sua teoria. Contudo, é
claramente reconhecido que Darwin foi o primeiro a desenvolver e
publicar uma teoria científica de Seleção Natural e que trabalhos
anteriores ao seu não contribuíram para o desenvolvimento ou sucesso da
Seleção Natural como uma teoria testável.
Apesar da grande controvérsia que marcou a publicação do trabalho de
Darwin, a evolução por seleção natural provou ser um argumento poderoso
contrário às noções de criação divina e projeto inteligente comuns na
ciência do século XIX. A ideia de que não mais havia uma clara separação
entre homens e animais faria com que Darwin fosse lembrado como aquele
que removeu o homem da posição privilegiada que ocupava no universo.
Para alguns de seus críticos, entretanto, ele continuou sendo visto como
o "homem macaco" frequentemente desenhado com um corpo de macaco.
Reconhecimento
Estátua de Charles Darwin no Museu de História Natural de Londres.Ainda
durante a vida de Darwin, muitas espécies de seres vivos e elementos
geográficos foram batizados em sua homenagem, entre eles, o Monte
Darwin, nos Andes, em celebração ao seu vigésimo quinto aniversário. A
capital do Northern Territory na Austrália também foi batizada com o seu
nome em comemoração à passagem do Beagle por ali, em 1839. No mesmo
território, foram batizados com o seu nome uma universidade e um parque
nacional.
As 14 espécies de tentilhões que ele estudou em Galápagos são chamadas "tentilhões
de Darwin" em honra ao seu legado. Em 1964, foi inaugurado em Carmbridge
o Darwin College em honra à sua família e, parcialmente, porque os
Darwin eram os donos do terreno usado. Em 1992, Darwin foi posicionado
em décimo sexto lugar na As 100 maiores personalidades da História,
compilada pelo historiador Michael H. Hart. Darwin também figura na nota
de dez libras introduzida pelo banco da Inglaterra em 2000 em
substituição a Charles Dickens. Sua barba impressionante e difícil de
ser copiada foi apontada como um dos fatores que contribuíram para a
escolha. Darwin também aparece em quarto lugar na 100 Greatest Britons,
uma lista compilada por meio de voto popular pela BBC.
[editar] EugeniaSeguindo a publicação da "Origem das Espécies", o primo
de Darwin, Francis Galton, aplicou as ideias de Darwin à sociedade, de
forma a promover o conceito de "melhorias hereditárias". Ele iniciou
este trabalho em 1865, completando-o em 1869. Em "The Descent of Man",
Darwin concordou que Galton tivesse demonstrado que "talento" e
"genialidade" em humanos eram provavelmente herdados mas acreditava que
as mudanças sociais que ele propunha eram muito utópicas. Nem Galton nem
Darwin concordavam que o Estado devesse interferir nestas questões.
Acreditavam que, no máximo, a hereditariedade deveria ser considerada na
escolha de cônjuges. Em 1883, depois da morte de Darwin, Galton começou
a chamar a sua filosofia social de Eugenia. No século XX, movimentos de
eugenia ganharam popularidade em vários países e foram associados a
programas de controle de reprodução tais como leis de esterilização
compulsória. Tais movimentos acabaram sendo estigmatizados após serem
usados na retórica da Alemanha Nazista em suas metas de alcançar
"pureza" racial.
[editar] Darwinismo SocialVer artigo principal: Darwinismo social
Em 1944 o historiador americano Richard Hofstadter aplicou o termo
"Darwinismo Social" para descrever o pensamento desenvolvido durante os
séculos XIX e XX a partir das ideias de Thomas Malthus e Herbert
Spencer, que aplicaram as noções de evolução e sobrevivência do mais
apto às sociedades e nações. Estas ideias caíram em descrédito após
serem associadas ao racismo e ao imperialismo. Note que na época de
Darwin a diferença entre o que mais tarde seria chamado de "darwinismo
social" e simplesmente "darwinismo" não era clara. Contudo, Darwin não
acreditava que sua teoria científica implicasse qualquer teoria
particular de governo ou ordem social.
O uso do termo "Darwinismo Social" para descrever as ideias de Malthus
não é muito adequado, uma vez que Malthus morreu em 1834, portanto antes
que a teoria de Darwin tivesse sido concebida. Além disso, de fato, a
teoria de Darwin é que foi inspirada em um ensaio de Malthus de 1838,
Princípio da População. O "progressivismo" evolutivo de Spencer e suas
ideias políticas e sociais também foram muito influenciados pelas ideias
de Malthus e seus livros sobre economia (de 1851) e evolução (de 1855)
são ambos anteriores à publicação da "Origem das Espécies" (de 1859).
Trabalhos publicados (em inglês)1836: A LETTER, Containing Remarks on
the Moral State of TAHITI, NEW ZEALAND, &c. – BY CAPT. R. FITZROY AND C.
DARWIN, ESQ. OF H.M.S. 'Beagle.'
1839: Journal and Remarks (The Voyage of the Beagle)
Zoology of the Voyage of H.M.S. Beagle: publicado entre 1839 e 1843 em
cinco volumes por vários autores, editado e supervisionado por Charles
Darwin:
1842: The Structure and Distribution of Coral Reefs
1844: Geological Observations of Volcanic Islands, (versão em francês)
1846: Geological Observations on South America
1849: Geology from A Manual of scientific enquiry; prepared for the use
of Her Majesty's Navy: and adapted for travellers in general., John F.W.
Herschel ed.
1851: A Monograph of the Sub-class Cirripedia, with Figures of all the
Species. The Lepadidae; or, Pedunculated Cirripedes.
1851: A Monograph on the Fossil Lepadidae; or, Pedunculated Cirripedes
of Great Britain
1854: A Monograph of the Sub-class Cirripedia, with Figures of all the
Species. The Balanidae (or Sessile Cirripedes); the Verrucidae, etc.
1854: A Monograph on the Fossil Balanidæ and Verrucidæ of Great Britain
1858: On the Perpetuation of Varieties and Species by Natural Means of
Selection
1859: On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the
Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life
1862: On the various contrivances by which British and foreign orchids
are fertilised by insects
1868: Variation of Plants and Animals Under Domestication (PDF format),
Vol. 1, Vol. 2
1871: The Descent of Man and Selection in Relation to Sex
1872: The Expression of the Emotions in Man and Animals
1875: Movement and Habits of Climbing Plants
1875: Insectivorous Plants
1876: The Effects of Cross and Self-Fertilisation in the Vegetable
Kingdom
1877: The Different Forms of Flowers on Plants of the Same Species [17]
1879: "Preface and 'a preliminary notice'" em Erasmus Darwin de Ernst
Krause
1880: The Power of Movement in Plants
1881: The Formation of Vegetable Mould Through the Action of Worms
1887: Autobiography of Charles Darwin (editado por seu filho Francis
Darwin)
[editar] Cartas (em inglês)1887: Life and Letters of Charles Darwin,
(ed. Francis Darwin). Volume I, Volume II
1903: More Letters of Charles Darwin, (ed. Francis Darwin and A.C.
Seward). Volume I, Volume II
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19. van Wyhe 2008b, p. 18–21
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23. Browne 1995, p. 223–235
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Desmond & Moore 1991, p. 210
24. Darwin 1845, pp. 205–208
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26. Darwin 1958, pp. 73–74
27. Darwin 1835, editorial introduction
28. Sulloway 1982, pp. 20–23
29. Desmond & Moore 1991, p. 207–210
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30. Faria, F.Felipe de A.. Darwin e as estradas paralelas de Glen Roy:
Geologia, Biogeografia, Evolução- disponível em http://www.scientiaestudia.org.br/associac/felipefaria/Darwin%20e%20as%20Estradas%20Paralelas%20de%20Glen%20Roy.pdf.
[S.l.: s.n.].
31. Mendel, J.G. (1866). Versuche über Pflanzenhybriden Verhandlungen
des naturforschenden Vereines in Brünn, Bd. IV für das Jahr, 1865
Abhandlungen:3–47.
32. Barton, N.H., Briggs, D.E.G., Eisen, J.A., Goldstein, D.B., Patel,
N.H. (2007) Evolution. Cold Spring Harbor Laboratory Press. http://www.evolution-textbook.org
33. Ridley, M. (2006) Evolução. 3a. ed. ArtMed Editora, Porto Alegre.
34. Bowler, P.J. (1992) The eclipse of Darwinism: anti-Darwinian
evolution theories in the decades around 1900. Johns Hopkins University
Press, Baltimore.
35. Huxley, J. (1942) Evolution: the modern synthesis. Allen & Unwin.
Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em inglês,
cujo título é «Charles Darwin».
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