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A cana-de-açúcar é uma planta que pertence ao gênero
Saccharum L.. Há pelo menos seis espécies do gênero, sendo a
cana-de-açúcar cultivada um híbrido multiespecífico, recebendo a
designação Saccharum spp. As espécies de cana-de-açúcar são
provenientes do Sudeste Asiático. A planta é a principal matéria-prima
para a fabricação do açúcar e álcool (etanol).
É uma planta da família Poaceae, representada pelo milho, sorgo,
arroz e muitas outras gramas. As principais características dessa
família são a forma da inflorescência (espiga), o crescimento do
caule em colmos, e as folhas com lâminas de sílica em suas bordas e
bainha aberta.

É uma das culturas agrícolas mais importantes do mundo tropical,
gerando centenas de milhares de empregos diretos. É uma importante
fonte de renda e desenvolvimento. O interior paulista, principal
produtor mundial de cana-de-açúcar, é uma das regiões mais
desenvolvidas do Brasil, com elevados índices de desenvolvimento
urbano e renda per capita muito acima da média nacional. Embora o
sobredito desenvolvimento não se deva exclusivamente ao cultivo
dessa gramínea, sendo resultado de uma conjunção histórica de
interesses de capitais privados. Por outro lado, o estabelecimento
dessa monocultura em regiões do litoral nordestino brasileiro, desde
o século XVI, não garantiu o mesmo desenvolvimento observado para
algumas regiões do estado de São Paulo.
A principal característica da indústria canavieira é a expansão
através do latifúndio, resultado da alta concentração de terras nas
mãos de poucos proprietários, mormente conseguida através da
incorporação de pequenas propriedades, gerando por sua vez êxodo
rural. Geralmente, as plantações ocupam vastas áreas contíguas,
isolando e/ou suprimindo as poucas reservas de matas restantes,
estando muitas vezes ligadas ao desmatamento de nascentes ou sobre
áreas de mananciais. Os problemas com as queimadas, praticadas
anteriormente ao corte para a retirada das folhas secas, são uma
constante nas reclamações de problemas respiratórios nas cidades
circundadas por essa monocultura. Ademais, o retorno social da
agroindústria como um todo, é mais pernicioso que benéfico para a
maioria da população.
O setor sucroalcooleiro brasileiro despertou o interesse de diversos
países, principalmente pelo baixo custo de produção de açúcar e
álcool. Este último tem sido cada vez mais importado por nações de
primeiro mundo, que visam reduzir a emissão de poluentes na
atmosfera e a dependência de combustíveis fósseis. Todavia, o baixo
custo é conseguido, por vezes, pelo emprego de mão-de-obra
assalariada de baixíssima remuneração e em alguns casos há até seu
uso com características de escravidão por dívida.
No Brasil, a agroindústria da cana-de-açúcar tem adotado políticas
de preservação ambiental que são exemplos mundiais na agricultura,
embora nessas políticas não estejam contemplados os problemas
decorrentes da expansão acelerada sobre vastas regiões e o prejuízo
decorrente da substituição da agricultura variada de pequenas
propriedades pela monocultura. Já existem diversas usinas
brasileiras que comercializam crédito de carbono, dada a eficiência
ambiental. Diga-se também que na época atual,as plantações de cana,
principalmente no estado de São Paulo,obedecem a rigorosos padrões
de preservação do solo com uso das práticas conservacionistas mais
modernas.Observe-se também que em época de renovação do cultivo, a
cada quatro ou cinco anos, são efetuados plantios de
leguminosas(soja) que recuperam o solo pela fixação de
nitrogênio.Quanto aos problemas advindos da queima controlada na
época do corte,existe já um movimento em direção à mecanização da
colheita que aumenta de ano para ano,além de rigorosos protocolos
que prevem o fim da queima até o ano de 2014.
Processamento da cana
A cana colhida é processada com a retirada do colmo (caule), que é
esmagado, liberando o caldo que é concentrado por fervura,
resultando no mel, a partir do qual o açúcar é cristalizado, tendo
como subproduto o melaço ou mel final. O colmo é às vezes consumido
in natura (mastigado), ou então usado para fazer caldo de cana e
rapadura. O caldo também pode ser utilizado na produção de etanol,
através de processo fermentativo, além de bebidas como cachaça ou
rum e outras bebidas alcoólicas, enquanto as fibras, principais
componentes do bagaço, podem ser usadas como matéria prima para
produção de energia elétrica, através de queima e produção de vapor
em caldeiras que tocam turbinas, e etanol, através de hidrólise
enzimática ou por outros processos que transformam a celulose em
açucares fermentáveis. Vide Etanol Celulósico).
Praticamente todos os resíduos da agroindústria canavieira são
reaproveitados. A torta de filtro, formada pelo lodo advindo da
clarificação do caldo e bagacilho, é muito rica em fósforo e é
utilizada como adubo para a lavoura de cana-de-açúcar. A vinhaça,
que é o subproduto da produção de álcool, contém elevados teores de
potássio, água e outros nutrientes, sendo utilizada para irrigar e
fertilizar o campo.
Economia e história
Corte de madeira em área florestal para o plantio de
cana-de-açúcar.Foi a base da economia do nordeste brasileiro, na
época dos engenhos. A principal força de trabalho empregada foi a da
mão-de-obra escravizada, primeiramente indígena e em seguida
majoritariamente de origem africana. Os regimes de trabalho eram
muito forçados em que esses trabalhadores, na ocasião da colheita,
chegavam a trabalhar até 18 horas diárias, sendo utilizada até o
final do século XIX. Com a mudança da economia brasileira para a
monocultura do café, esses trabalhadores foram deslocados
gradativamente dos engenhos para as grandes fazendas cafeeiras. Com
o tempo, a economia dos engenhos entrou em decadência, sendo
praticamente substituído pelas usinas (ver José Lins do Rego). O
termo engenho hoje em dia é usado para as propriedades que plantam
cana-de-açúcar e a vendem, para ser processada nas usinas e
transformada em produtos derivados.
O Brasil é hoje o principal produtor de cana-de-açúcar do mundo.
Seus produtos são largamente utilizados na produção de açúcar,
álcool combustível e mais recentemente, bio-diesel.
A cana-de-açúcar foi a base econômica de Cuba, quando tinha toda a
sua produção com venda garantida para a União Soviética, a preços
artificialmente altos. Com o colapso do regime socialista soviético,
a produção de cana cubana tornou-se inviável.
A cana-de-açúcar também é o principal produto de exportação em
países do Caribe como a Jamaica, Barbados, etc. Com a suspensão de
preferências européias à cana caribenha em 2008, espera-se um
colapso semelhante na indústria canavieira caribenha.
Vários países da África austral, principalmente a África do Sul,
Moçambique e a ilha Maurício, são igualmente importantes produtores
de açúcar.
Uma tonelada de cana-de-açúcar produz 80 litros de etanol sendo que
um hectare de terra produz 88 toneladas de cana-de-açúcar, no total
são produzidos 7040 litros de etanol por hectare.
Produção de Cana-de-Açúcar no Brasil
Típico trabalhador empregado no corte da cana-de-açúcar, no interior
de São Paulo.Em 1993, a mecanização da produção dos canaviais não
atingia 0,5% do total da produção. Em 2003, aproximadamente 35% da
produção brasileira já era mecanizada. A intensa mecanização dos
canaviais tem gerado algum atrito político e social. Tem havido
grande perda de empregos no setor, que usa mão-de-obra intensiva e
que a princípio não requer nenhuma qualificação formal: os chamados
bóias-frias. Essa ainda é a única ocupação disponível para
populações inteiras no interior do Brasil, mesmo diante dos baixos
salários e das péssimas condições de trabalho.
Abaixo, os dados de produção por região, de 1995 a 2000, em milhões
de toneladas (fonte: MB Associados). A vida útil dos trabalhadores
que atuam na colheita da cana é por vezes inferior à dos escravos
que atuaram no período colonial e imperial do Brasil. Nas décadas de
1980 e 1990, o tempo em que o trabalhador do setor ficava na
atividade era de 15 anos, enquanto a partir de 2000, já estará por
volta de 12 anos".
Estados 1995 1996 1997 1998 1999 2000 Var % a.a
Paraná 19,4 21 23 24,5 26 28 7,7
São Paulo 174 180 185 190 195 200 2,8
Minas Gerais 16,7 17 18 19 19,5 20 3,6
Centro-oeste 19,3 21 24 27,5 31 34 12,0
Alagoas/Pernambuco 42,3 35 36 37,5 39 40 - 1,1
Outros 49 50 52 53,5 55 56,5 2,9
Total Brasil 321 324 338 352 366 379 3,4
Sinonímia do gênero
Erianthus Michx.
Lasiorhachis (Hack.) Stapf
Narenga Bor
Ripidium Trin.
Saccharifera Stokes
Classificação do gênero
Sistema Classificação Referência
Linné Classe Triandria, ordem Digynia Species plantarum (1753)
Na classificação taxonômica de Jussieu (1789), Saccharum é o nome de
um gênero botânico, ordem Gramineae, classe Monocotyledones com
estames hipogínicos.
Polêmica: A cana-de-açucar é quase 100% de água, e necessita de
imensas áreas para sua cultura, gerando degradação e empobrecimento
do solo além de assorear os rios, secar nascentes levando a extinção
de milhares de espécie vegetal e animal no país.
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