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Pesquisadores estudam rara anta da Malásia
Nas florestas tropicais da Malásia e de Sumatra, as
antas são raramente vistas. Pesadas e poderosas
herbívoras, com cerca de 295 kg, as antas possuem uma
face de tamanduá, com um focinho móvel que funga
incessantemente. Em florestas tropicais escuras, o
olfato e a audição são sentidos importantes.
A anta rara da Malásia possui uma camuflagem preta e
branca

Os animais possuem uma camuflagem preta e branca e fazem
um barulho de assobio que parece mais com o som de um
pássaro do que com o de um mamífero. A anta malaia, a
maior espécie de anta do mundo, permaneceu amplamente
invisível para a ciência até recentemente. As outras
três espécies desse animal estranho e amável vivem na
América do Sul.
Houve apenas um estudo científico nos anos 1970 sobre a
anta malaia. Posteriormente, em 2002, o Projeto de
Conservação da Anta Malaia foi criado, apoiado em grande
parte pelo zoológico de Copenhague, e biólogos de campo
começaram a preencher outra página em branco da
zoologia. Grandes parcelas da floresta tropical na
Malásia e em Sumatra foram destruídas por plantações de
palmeira para produção de azeite e pela extração de
madeira ilegal, e cientistas começaram a temer que a
anta poderia silenciosamente entrar em extinção.
Um centro de conservação foi estabelecido dentro da
Reserva Florestal Sungai Dusun, a uma hora de carro de
Kuala Lumpur, e pesquisadores como Carl Traeholt, um
biólogo malaio-dinamarquês, começaram a reunir dados
sobre o número de antas e animais do local por conta
própria.
Traeholt é o coordenador malaio para as antas do grupo
internacional Tapir Specialist Group , que se preocupa
com todas as quatro espécies de anta. Nos últimos cinco
anos, ele usou câmeras com sensores de movimento para
fotografar antas se movendo pela floresta à noite, se
alimentando de frutas, folhas e galhos. Um importante
avanço inicial foi a descoberta de que os padrões das
rugas no pescoço da anta podem identificar indivíduos.
As fotografias mostravam que as antas normalmente
circulam por uma área limitada de seu habitat, mas
viajam até 4,8 km por noite para alcançar depósitos de
minerais salgados, presumidamente com o intuito de
consumir minerais como cálcio e ferro. Um dos locais
estudados foi a Reserva Florestal Krau, ao norte de
Kuala Lumpur. "Em alguns desses depósitos de sal de
Krau, as antas são os animais mais comuns a aparecer
para as câmeras, mas são sempre os mesmos indivíduos que
retornam", disse Traeholt.
Os resultados mostraram que estimativas de uma população
de 800 a mil indivíduos para uma área do tamanho de Krau
e de 15 a 20 mil em toda a Malásia eram demasiadamente
otimistas. "Isso estava muito longe da realidade. Do
contrário, teríamos um congestionamento de antas em
Krau", Traeholt disse.
Na verdade, havia apenas cerca de 40 indivíduos em Krau,
o que significaria cerca de 1,5 mil a 2 mil na Malásia,
ele disse. Talvez existam 300 antas na Tailândia, uma
população desconhecida e não estudada na Birmânia e um
número desconhecido e em declínio em Sumatra. Um palpite
melhor, disse ele, é que existam 4 mil indivíduos no
sudeste da Ásia, um número similar ao de tigres
selvagens.
No ano passado, a equipe de pesquisa malaia colocou um
novo tipo de rádio-colar em uma anta em Krau. Metade da
reserva tem a cobertura de uma torre telefônica local e,
dentro de seu alcance, o colar pode transmitir seus
dados através de um sinal de telefone para o computador
da equipe que estuda as antas. As antas estão
irregularmente distribuídas no que parece ser uma
floresta homogênea. E os cientistas desejam saber o
motivo. A coleta de dados do colar, que ocorre a cada
cinco minutos, deverá ajudar a responder às suas
perguntas.
Traeholt recentemente se juntou a Boyd Simpson,
ecologista comportamental com experiência em projetos de
conservação na Austrália e na Ásia, que está conduzindo
uma pesquisa sobre a anta malaia para seu doutorado. Os
dois biólogos se conheceram enquanto trabalhavam no
Camboja. Simpson deverá comandar uma nova fase da
pesquisa sobre antas em Taman Negara, o maior parque
nacional da Malásia.
Ela é uma extensão da pesquisa em Krau e uma comparação
das descobertas nos dois locais deverá ser proveitosa.
"Se as observações forem as mesmas nas duas áreas,
poderemos extrapolá-las para todo o país", Traeholt
disse. "Mas se elas forem diferentes, teremos que ir de
área em área para descobrir a densidade da população".
Simpson disse que a grande diferença da pesquisa do
parque "é que estamos planejando a reintrodução de
animais de cativeiro de Sungai Dusun". Antes de qualquer
reintrodução, a equipe irá checar se existe algum animal
estabelecido no local que poderia "expulsar os
recém-chegados", afirmou ele.
Apesar de não serem agressivas, as antas defendem seu
habitat e possuem grandes dentes caninos, algo estranho
para animais que se alimentam de plantas. A prova de que
as antas usam tais dentes está nos cortes e cicatrizes
em suas orelhas. Acredita-se que elas sejam mais
combativas durante a época de acasalamento,
provavelmente em abril e maio, disse Traeholt, porque
existem mais fotos de duas antas adultas juntas durante
esses meses.
Simpson está ansioso para descobrir o que faz as antas
se irritarem. "Elas são criaturas de aparência
engraçada, muito intrigantes", ele disse.
A necessidade fisiológica de minerais é especialmente
interessante. Ele planeja observar a composição química
dos depósitos de sal e tentar descobrir o motivo de
alguns depósitos serem preferidos a outros. Talvez seja
pelo fato das antas consumirem muitas toxinas de plantas
e, portanto, precisarem de argila de cor branca para
absorver as toxinas. Não se sabe se as antas bebem água,
lambem as pedras ou comem o solo ao redor dos depósitos,
mas câmeras infravermelhas deverão ser instaladas para
gravar seu comportamento.
Simpson havia acabado de trabalhar em Taman Negara
quando se juntou à equipe para uma excursão a Keniam,
uma estação de campo localizada a 90 minutos de viagem
rio acima em uma canoa motorizada, a partir da sede do
parque. A estação é controlada em parceria com a
Universidade de Tecnologia da Malásia e o Departamento
de Fauna e Parques Nacionais.
Taman Negara possui a mais antiga floresta tropical do
mundo e se estende por mais de 434.082 hectares; o local
faz parte de um complexo florestal ainda maior e contém
quase todos os grandes mamíferos da Ásia, inclusive
ursos-malaios, gauros, tigres, elefantes e antas.
Com seu oficial de campo local, Mohamed Sanusi bin
Mohamed, o grupo de pesquisa caminhou pela floresta para
checar armadilhas de câmera e colocar novos aparelhos
nas trilhas das antas. Traeholt, perito em localizar
pegadas de antas na selva, explicou que as trilhas e
rastros eram sinais importantes, mas que fezes de anta
quase nunca eram encontradas. Elas defecam na água,
possivelmente com o intuito de evitar deixar rastros
para os predadores, geralmente vivem perto da água e
sabem nadar.
Embora as antas malaias sejam consideradas espécies sob
risco de extinção, Traeholt tem confiança de que seu
habitat na Malásia e na Tailândia seja estável. Ele
reconheceu que populações reduzidas de antas em alguns
locais as deixam vulneráveis. Mesmo em Krau, a caça
ilegal de animais poderia acabar com a viabilidade de
toda a população com a remoção de apenas 20 a 25
animais.
O hábito de lamber sal poderia ser o calcanhar de
Aquiles do animal: isso torna as antas previsíveis e
vulneráveis à caça ilegal. Apenas um filhote - gracioso,
com listras brancas - nasce após uma gestação de 13
meses, por isso, populações reduzidas de antas se
recuperariam lentamente.
Não se sabe se esse animal é apenas uma espécie da anta
malaia ou uma subespécie diferente, como no caso dos
tigres. A análise genética com o uso de amostras de
tecido da Tailândia, Malásia e de Sumatra acabou de
começar. Traeholt disse acreditar que pequenas
populações fragmentadas em partes da Tailândia poderiam
ser controladas e envigoradas com a introdução de novos
animais, mas que seria importante reconhecer as
variações genéticas e identificar quaisquer subespécies
antes de misturar animais de diferentes áreas.
O doutor Bengt Holst, diretor científico do Zoológico de
Copenhague, que tem uma história de colaboração com
autoridades da fauna malaia, disse que os pesquisadores
planejavam desenvolver prioridades de conservação para a
anta malaia através da descoberta das necessidades de
seu habitat, estruturas sociais e comportamento.
Ao transformar o animal em uma importante espécie de
pesquisa, ele espera que pesquisadores sejam atraídos
para a Malásia e que as espécies sejam descritas sob
todos os ângulos - fisiologia, comportamento, genética e
ecologia. A preservação da anta também colocaria muitas
espécies desconhecidas sob um guarda-chuva de proteção.
Por enquanto, Traeholt espera criar um plano de
preservação apoiado pela ecologia. Deste modo, esse
animal único irá evitar se tornar esquecido ou extinto.
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