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Desmatamento reduzirá Cerrado à metade até 2050
O ritmo de desmatamento do
Cerrado poderá elevar de 39% para 47% o percentual
devastado do bioma até 2050, de acordo com projeções do
Laboratório de Processamento de Imagens e
Geoprocessamento (Lapig) da Universidade Federal de
Goiás. E a situação pode ser ainda pior, de acordo com o
professor Nilson Clementino Ferreira, uma vez que as
previsões consideram apenas o desmatamento absoluto.
"Se for pensar em áreas degradadas, o número pode chegar
a 70% ou 80%", calcula. A abertura de áreas para
pastagens e agricultura e principalmente o avanço da
cana-de-açúcar, impulsionado pela demanda de
biocombustíveis, deverão ser os vilões do Cerrado, de
acordo com o estudo apresentado nesta quarta-feira.

A maior parte dos desmatamentos na região até agora,
segundo o pesquisador, está próxima a áreas de pastagem
e no chamado Arco do Desmatamento da Amazônia Legal, no
cerrado mato-grossense. A baixa produtividade da
pecuária na região que chega a destinar mais de um
hectare para cada boi e a situação fundiária
"vergonhosa", na avaliação de Ferreira, também
contribuem para a previsão desanimadora para a área.
As lavouras de cana, que atualmente ocupam 31 mil km²,
devem chegar a uma área pelo menos quatro vezes maior
até 2050, com 145 mil km² plantados. "E a expansão deve
seguir o eixo da rodovia BR-153, muitos municípios serão
100% ocupados pela cana", prevê.
O zoneamento da cana prometido pelo governo há anos, mas
ainda não apresentado não deverá ser suficiente para
conter o avanço da produção sobre áreas remanescentes de
vegetação nativa. "O governo anunciou que a cana vai ter
que expandir sobre áreas degradadas mas não avisou isso
aos usineiros. A cana vai onde a terra estiver
preparada, geralmente em áreas de agricultura", apontou.
Com a chegada da cana, a tendência é que os produtores
ocupem novas áreas "mais ao norte", levando as fazendas
para a Amazônia.
Segundo Ferreira, a destruição do Cerrado coloca em
risco a disponibilidade de recursos hídricos para outros
biomas, inclusive a Amazônia. "Não se pode dissociar os
biomas. E há a falácia de achar que ocupar o cerrado é
proteger a Floresta Amazônica e o Pantanal, é uma falsa
blindagem ecológica", afirmou.
O estudo foi apresentado hoje durante fórum
internacional, paralelo à programação cultural do 11°
Festival Internacional de Cinema Ambiental (Fica).
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