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Evolução dos mamíferos é mais rápida em regiões quentes
Um estudo realizado na Nova Zelândia sugere que a
evolução molecular dos mamíferos é mais acelerada em
regiões de climas mais quentes. Os pesquisadores da
Universidade de Tecnologia de Auckland analisaram pares
de mamíferos da mesma espécie e descobriram que o DNA
dos que vivem em climas quentes muda com mais rapidez.
Essas mudanças em que uma parte do código genético é
substituída por outra - são conhecidas como
"microevoluções" e representam o primeiro passo em
direção à evolução. Segundo os pesquisadores, o estudo
ajudaria a explicar a riqueza da biodiversidade dos
trópicos, já que a taxa de evolução seria maior nessas
regiões mais quentes.
Diferenças
A pesquisa, publicada na revista científica Proceedings
of the Royal Academy B, comparou o DNA de 130 pares de
mamíferos - um de cada par morava em altitude e latitude
diferentes - de "espécies irmãs", que possuem
similaridades genéticas. Os pesquisadores observaram
então as mudanças de um gene que codifica uma proteína
conhecida como citocromo b, comparando o mesmo gene a um
outro de "referência" em um ancestral em comum entre
cada par de mamíferos.
Observando mutações desse gene no código de DNA - quando
cada ponto de uma tabela do código genético era
substituída por outra, os pesquisadores foram capazes de
ver qual dos dois mamíferos tinha desenvolvido as
"microevoluções" com maior rapidez. Os resultados
indicam que animais que habitam locais onde o clima é
mais quente faziam uma vez e meia mais essas
substituições genéticas do que aqueles que vivem em
regiões mais frias.
Len Gillman, que coordenou o estudo, afirma que em
latitudes mais altas, onde os ambientes são mais frios e
menos produtivos, animais frequentemente conservam suas
energias, hibernando ou descansando, para reduzir suas
atividades metabólicas. "Em climas mais quentes, a
atividade metabólica anual é geralmente maior, o que os
condicionará a um total maior de divisão de células por
ano na linha germinativa", disse o pesquisador.
Inesperado
A ideia de que microevoluções ocorram com maior rapidez
em ambientes mais quentes não é nova. Mas essa é a
primeira vez que o efeito dessas mudanças pôde ser
mostrado em mamíferos, animais que regulam a temperatura
do próprio corpo. "Nós já tínhamos encontrado um
resultado parecido em espécies de plantas e, outros
pesquisadores, em animais marinhos. Mas já que esses
animais são ectotérmicos - ou seja, a temperatura de
seus corpos é controlada diretamente pelo ambiente -
todos assumiram que o efeito era causado pela condição
climática, alterando, assim, a taxa de metabolismo
desses animais."
Cientistas acreditam que essa ligação entre a
temperatura e a taxa de metabolismo faz com que, em
climas mais quentes, as células germinativas - que
eventualmente desenvolvem-se em esperma e óvulos - se
dividam com mais frequência. "Ao passar do tempo, o
aumento da divisão de células proporciona mais
oportunidades para mutações ocorrerem em populações da
mesma espécie. Isso aumenta a probabilidade de mutações
favoráveis serem selecionadas de dentro de populações da
mesma espécie", afirmou o pesquisador.
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