|
Estudo relaciona populações de animais à qualidade
ambiental
A Mata Atlântica é habitat de muitas espécies de
mamíferos, isso todo mundo sabe. O que não se sabia era
como calcular a população de cada espécie em determinada
área ou reserva de proteção. Mas este problema já foi
resolvido. Um grupo de biólogos da Universidade Estadual
Paulista (Unesp) criou um método para quantificar a
fauna deste importante ecossistema brasileiro. Trata-se
do que é considerado o mais preciso censo de mamíferos
da Mata Atlântica. O estudo foi publicado na revista
Biological Conservation.

"Nosso objetivo foi fazer um diagnóstico da população de
mamíferos na Mata Atlântica. A ideia que se tinha era
que há uma população muito grande de mamíferos por causa
da abundância de reservas florestais, especialmente em
São Paulo. Mas estas espécies sofrem com a degradação
ambiental e com a caça clandestina", diz Mauro Galetti,
coordenador da pesquisa e professor do departamento de
Ecologia da Unesp.
A pesquisa contou com trabalho de campo de doutorandos e
mestrandos da Unesp. Foram selecionadas 12 reservas
florestais de São Paulo para o levantamento. Os
pesquisadores percorriam trilhas na floresta registrando
os animais que apareciam. Com base no percurso feito e
no número de animais observados, usavam uma fórmula para
calcular a população de cada espécie.
Foram levantadas populações de 38 espécies de mamíferos
brasileiros, como o mono-carvoeiro, o bugio, a capivara,
o cachorro do mato, a queixada, entre outros.
"Fizemos este trabalho para saber quais áreas são
prioritárias para conservação de mamíferos. Precisamos
identificá-las para saber, por exemplo, onde se deve
investir para se proteger a diversidade e a quantidade
de mamíferos", ressalta o pesquisador.
Além disso, diz o estudioso, a quantidade de animais
numa reserva é o melhor indicador da qualidade e da
própria saúde da floresta.
"A presença de animais, tanto em quantidade, como em
diversidade, é o melhor indício da riqueza ambiental dos
trechos remanescentes da Mata Atlântica", diz Galetti.
De acordo com Galetti, outro aspecto importante na
pesquisa é o papel de cada espécie animal na manutenção
da floresta.
"O mono-carvoeiro, por exemplo, é o único mamífero das
38 espécies estudadas que dispersa sementes de árvores
grandes, como o Umbu. É uma relação direta. Daí, a
importância de protegê-lo", comenta o pesquisador.
Nesta linha de pesquisa, fundamental, diz Galetti, é
estudar se as espécies vegetais, como o exemplo do Umbu,
estão se regenerando ou aumentando sua população em
áreas com mamíferos.
"A grande vantagem do estudo não é saber se temos
florestas, mas sim se elas estão saudáveis, sadias.
Então, a gente procura ver a quantidade de mamíferos de
cada área e saber se esta população animal é suficiente
para manter a diversidade original da mata. Afinal,
parodiando um ditado popular, uma anta só não faz
verão", comenta o ecologista.
O censo da Unesp apontou outros dados interessantes. A
queixada, uma espécie de porco selvagem, é o animal mais
comum na Mata Atlântica, dentre os que têm hábitos
diurnos.
O próximo passo da pesquisa será fazer o censo de
animais de hábitos noturnos, como a onça-pintada, a
suçuarana (onça-parda), o gambá, dentre outros. Neste
caso, a medição não será por observação. Será empregado
outro método, que consiste em recolher fezes de animais
para fazer testes de DNA e assim identificar as
espécies. Outros sinais, como pegadas, também servirão
de base para o estudo.
Segundo o pesquisador, um dos fatores que tem limitado a
população de mamíferos é a caça, que é proibida.
"Durante nossas incursões na floresta, nos deparamos com
muito caçadores", diz o pesquisador.
Eles aproveitaram estes encontros para quantificar o
estrago que estes caçadores provocam nas populações.
Sete caçadores foram entrevistados e revelaram números
assustadores.
"Cada caçador mata 50 mamíferos por ano", comenta.
Segundo Galetti, até então, a maioria dos censos na Mata
Atlântica enfocava apenas fragmentos pequenos, ignorando
áreas contínuas do litoral. O projeto fez um diagnóstico
das populações de grandes mamíferos em áreas de
conservação não fragmentadas.
Opine pela inteligência (
"PLANTE UMA ÁRVORE
NATIVA")
|