|
Florestas são estratégia viável para sequestro de
carbono
As tecnologias de sequestro de carbono serão
fundamentais para que o mundo consiga reduzir ou pelo
menos estabilizar a quantidade de dióxido de
carbono(CO2) um dos gases que intensificam o efeito
estufa e aceleram o aquecimento global - na atmosfera.
De acordo com o professor do Instituto de Altos Estudos
da Universidade de São Paulo (USP) Luiz Gylvan Meira,
entre as tecnologias disponíveis atualmente, o
reflorestamento é a mais viável e de mais fácil
aplicação no curto prazo, o que coloca o Brasil em
vantagem no cenário internacional.

O pesquisador comparou a estabilização de carbono na
atmosfera a um grande tanque de água em que para manter
o nível constante é preciso fechar a torneira cortar as
emissões de gases estufa ou aumentar o ralo que seriam
os sumidouros de carbono.
"Não há uma maneira fácil de fazer isso, em que você
abra a lista telefônica e encontre empresas que façam o
sequestro", disse nesta quarta-feira durante conferência
na 61ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o
Progresso da Ciência (SBPC).
Meira apresentou as diversas possibilidades técnicas de
sequestro de carbono, a maioria ainda em processo de
pesquisa e desenvolvimento. A opção mais viável
atualmente, segundo o especialista, é a captura por
florestamento ou reflorestamento, aproveitando a
capacidade natural que as plantas têm de absorver
carbono, por meio da fotossíntese.
"A técnica que se sabe fazer melhor até agora é o
plantio de árvore. Há uma experiência boa. E o Brasil
tem grande potencial com ações de florestamento e
reflorestamento, de florestas comerciais e de nativas
também."
Outra possibilidade que já tem apresentado resultados
positivos em testes é o que a ciência chama de
"fertilização de oceanos". A ideia é espalhar ferro nos
oceanos para estimular o crescimento de algas e plantas
microscópicas o chamado fitoplâncton , que assim como a
vegetação da superfície também realiza fotossíntese e
retira carbono na atmosfera.
No entanto, segundo Gylvan Meira, ainda há dúvidas sobre
o destino do carbono dentro dos oceanos. "Faltam alguns
experimentos para ver se o carbono realmente afunda, o
que essencial". Caso contrário, todo o CO2 sequestrado
poderia voltar para a atmosfera por causa da
movimentação das correntes marítimas.
Um dos principais entraves para a implantação de
tecnologias de captura de carbono é o custo dos
projetos. Meira calcula que para retirar uma tonelada de
CO2 são necessários, em média, R$ 140, quase o dobro do
valor pago pela mesma quantidade no mercado de carbono.
Ou seja, como o custo é maior que o lucro que pode ser
obtido com a venda dos créditos de carbono, o sequestro
ainda não é um negócio lucrativo do ponto de vista
econômico.
"Para baixar o preço tem que ter escala grande. Precisa
de apoio do governo, alguém precisa pagar isso",
defendeu.
Opine pela inteligência (
"PLANTE UMA ÁRVORE
NATIVA")
|