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Diplomacia do atum vermelho entra em "ação" em Doha
A diplomacia do atum vermelho entrou em ação nos
corredores da conferência da Convenção sobre o Comércio
Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora
Silvestres (CITES) de Doha, antes da abertura das
discussões sobre a proposta monegasca de suspender as
exportações da espécie.
"Não há nada decidido. Há muita agitação", disse na
segunda-feira, à AFP, Patrick Van Klaveren, embaixador
do México na Convenção da CITES, que se pronunciará até
25 de março sobre a medida que atinge o atum vermelho do
Atlântico oriental e do Mediterrâneo.
"O que nós pedimos é que se deixe esta espécie em paz
durante cinco ou dez anos, para dar a ela uma chance de
evitar a catástrofe anunciada", afirmou o embaixador.
Mas o Japão, que consome aproximadamente 80% da pesca
mundial da espécie, ou a Turquia, um país pesqueiro, já
trabalham contra a proposta de Mônaco.
"A técnica de ''lobbying'' do Japão é temerária",
denunciou Van Klaveren. "Três ou quatro pessoas da
delegação percorrem permanentemente as salas de reunião,
dirigindo-se aos países em vias de desenvolvimento,
assustando-os a respeito do futuro de suas próprias
reservas, com comentários do tipo ''a vez de vocês vai
chegar''. As ilhas do Pacífico e da Ásia são bastante
sensíveis" a estes argumentos, explicou.
"São ameaçados", reforçou Sue Lieberman, diretora
política do Pew Environment Group.
No domingo, a delegação japonesa organizou um encontro
com países africanos. "Estamos acostumados", contou um
delegado africano. "Eles fazem o mesmo antes de cada
comissão baleeira. Na última vez, levaram inclusive dez
delegados da Guiné para o Chile, com todas as despesas
pagas", acrescentou.
No entanto, embora não tenha apresentado uma
contraproposta, o "Japão não é favorável a continuar com
a exploração no ritmo atual", reforçou Van Klaveren.
"Recebemos certos sinais da indústria japonesa, que está
muito preocupada com o risco de colapso das reservas",
acrescentou, citando uma empresa como a Mitsubishi, que
possui aproximadamente 60% das 55.000 toneladas de atum
vermelho congelado no Japão.
As ONGs alertaram Van Klaveren sobre "a atividade"
levada adiante pela Tunísia, país pescador de atum,
entre os membros da Liga Árabe (22 países) para
convencê-los a votarem contra o projeto de resolução de
Mônaco, o que foi confirmado por Wael Hmaidan, da
organização libanesa IndyAct, que na segunda-feira
tentou organizar uma reunião entre Van Klaveren e a
delegação tunisiana.
Esta se declarou "escandalizada" com tal suspeita.
"Todo mundo se mobiliza. Nós expressamos nossa posição,
sem fazer nada para que os outros a compartilhem",
assegurou Jaled Zahlá, que dirige a delegação tunisiana.
A Tunísia "se oporá a qualquer inscrição do atum na
CITES", disse, sustentando que "este não é um assunto da
CITES, mas da ICCAT", a Comissão Internacional para a
Conservação de Atuns do Atlântico.
Mônaco desejaria que a União Europeia se envolvesse mais
na defesa da sua posição, a qual apoia oficialmente,
embora com uma aplicação adiada até os próximos
trabalhos científicos da ICCAT, previstos para novembro.
Mas a UE é dirigida atualmente pela Espanha, um dos
principais pescadores de atum, ao lado de França e
Itália. E, de fato, segundo um de seus delegados, a UE
tem muitas dificuldades em chegar a um acordo sobre o
caso.
Até o momento, Mônaco conta com o apoio de Estados
Unidos, Noruega, Suíça, Colômbia, Costa Rica, Equador e
Sérvia. Mas, segundo fontes europeias, "Canadá,
Austrália e Brasil se absterão, e a África ocidental
ainda está indecisa".
Quanto à China, o país é, assim como o Japão, hostil a
que a CITES se intrometa na gestão das espécies marinhas
comerciais, afirmou Sue Lieberman.
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