|
São Paulo: mostra que capital abriga onças e 85 novas
aves
A prefeitura de São Paulo realizou uma listagem de todas
as espécies silvestres presentes dentro do perímetro da
metrópole e divulga este estudo no próximo sábado. De
acordo com o levantamento, a cidade ainda abriga a
onça-parda e a jaguatirica, um cachorro-do-mato e ganhou
85 novas espécies de aves em suas áreas verdes.

O estudo será divulgado oficialmente no dia
Internacional da Biodiversidade, 22 de maio, às 15h30 no
Museu de Arte Moderna - MAM (Parque Ibirapuera). A
listagem é ponto de partida para a elaboração de planos
de manejo e de conservação de áreas verdes, sendo
importante ferramenta para o monitoramento ambiental. O
Inventariamento Faunístico em Áreas Verdes do Município
de São Paulo é realizado pela Divisão de Fauna da
Secretaria desde 1993.
Dentre os novos registros estão aves florestais com
habitat restrito (furnarídeos, tamnofilídeos, tiranídeos
e traupídeos), aves de ambientes aquáticos e brejos
(saracuras, maçaricos, patos silvestres e o
flamingo-chileno), e uma espécie de campo e áreas
abertas, o inhambu-chororó. Entre as espécies ameaçadas
de extinção destacamos o apuim-de-costas-pretas Touit
melanonotus, a sabiá-cica Triclaria malachitacea, a
maria-leque Onychorhynchus swainsoni, o pixoxó
Sporophila frontalis e a cigarra-verdadeira Sporophila
falcirostris, espécies registradas na APA Capivari-Monos,
uma das áreas municipais de maior importância para a
conservação da ornitofauna paulistana.
As regiões estudadas englobam 81 áreas dentro do
Município de São Paulo, incluindo as APAs Capivari-Monos
e Bororé-Colônia, Parques Municipais e Estaduais,
Parques Lineares e outras áreas verdes de interesse.
Foram computadas ao todo 700 espécies, uma riqueza
surpreendente para a cidade mais populosa da América do
Sul, condição em que justamente o oposto seria o
esperado. As espécies estão distribuídas em três grupos
de invertebrados e cinco grupos de vertebrados.
Dentre os invertebrados estão presentes 137 espécies. Os
vertebrados estão representados por 563 espécies; 23
peixes, 45 anfíbios, 40 répteis, 372 aves e 83
mamíferos. Cento e vinte sete espécies de vertebrados
são endêmicas da Mata Atlântica, ou seja, são
encontrados somente neste bioma. Este número corresponde
a 22% do total de vertebrados.
Considerando as espécies ameaçadas no Estado de São
Paulo (Decreto Estadual n° 53.494 de 2008), 30 espécies
da fauna da cidade estão ameaçadas de extinção, 22 estão
quase ameaçadas e 13 apresentam dados insuficientes. Das
23 espécies de peixes, 17 (74%) são nativas e seis (26%)
são espécies exóticas introduzidas no Brasil. No grupo
dos anfíbios ocorrem 45 espécies, destas 27 (60%) são
endêmicas da Mata Atlântica, e uma exótica introduzida.
Foram adicionadas 85 espécies novas ao grupo das aves, o
mais estudado em São Paulo, totalizando 372 espécies no
município. Destas, 24,5% são endêmicas da Mata
Atlântica, 11% constam em algum nível de ameaça das
listas estadual, nacional e global e três são exóticas.
Trinta espécies são rapinantes (gaviões, falcões e
corujas), exímios predadores de da cadeia trófica,
19 são beija-flores e 25 são saíras e sanhaços, que
figuram entre as aves mais coloridas e belas do
neotrópico. A família dos papa-moscas (tiranídeos)
possui o maior número de representantes, com 51
espécies. Algumas aves são migratórias, visitantes dos
hemisférios norte ou sul, como o falcão-peregrino, a
águia-pescadora, os maçaricos (Tringa spp.) e o verão (Pyrocephalus
rubinus).
Entre os mamíferos estão presentes 12 espécies de
marsupiais, conhecidos popularmente como gambás e
cuícas, uma preguiça, três tatus, cinco macacos nativos
e dois introduzidos, 32 morcegos, quatro felinos, entre
eles a onça-parda e a jaguatirica, um cachorro-do-mato,
três espécies de mustelídeos (irara, furão e lontra),
duas espécies de procionídeos, conhecidos como
mão-pelada e quati, uma anta, um porco-do-mato, um
veado, um coelho, um esquilo, dois ratos exóticos e seis
silvestres, um ouriço, um preá, uma paca, uma capivara e
um ratão-do-banhado. Dentre as novas espécies
observadas, destacamos o primeiro registro para o
município do muriqui-do-sul ou mono-carvoeiro,
Brachyteles arachnoides, o maior e um dos mais ameaçados
primatas das Américas, que empresta seu nome à APA
Capivari-Monos. Este importante registro, juntamente com
os do sagui-da-serra-escuro, Callithrix aurita, e o sauá,
Callicebus nigrifrons, aumenta a relevância da APA
Capivari-Monos como área para a conservação da
biodiversidade.
No dia 21 será aberta a exposição "A Cidade de São Paulo
e a Biodiversidade" que fica até domingo, 23, na
Marquise do Ibirapuera, próximo ao Museu Afro. A
exposição conta com 21 painéis com imagens de animais
silvestres do inventário faunístico, plantas, unidades
de conservação e informações da biodiversidade na Cidade
de São Paulo.
Opine pela inteligência (
"PLANTE
UMA ÁRVORE NATIVA")
|