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Desmatamento aumenta em 60%, causa avanço da malária no
Brasil
A devastação da Amazônia contribui com a proliferação de
mosquitos e pode fazer com que aumente a incidência de
malária, disseram pesquisadores dos Estados Unidos nesta
quarta-feira.
Eles descobriram um aumento de 48 por cento nos casos de
malária em um município brasileiro que havia perdido 4,2
por cento da sua cobertura vegetal nativa.

Essas conclusões, publicadas na revista Emerging
Infectious Diseases, mostra uma correlação entre a
derrubada de árvores, a proliferação dos mosquitos e a
maior incidência de infecções em humanos.
"Parece que o desmatamento é um dos fatores ecológicos
iniciais que podem desencadear uma epidemia de malária",
disse Sarah Olson, da Universidade de Wisconsin, que
participou do estudo.
Por telefone, o professor Jonathan Patz, coordenador do
estudo, disse que "a política de conservação e a
política de saúde pública são uma mesma coisa." "A forma
como gerimos nossa paisagem e, nesse caso, a floresta
tropical tem implicações para a saúde pública."
A malária, doença causada por um parasita transmitido
por mosquitos, mata cerca de 860 mil pessoas por ano no
planeta, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O
Brasil tem cerca de 500 mil casos anuais, em geral
transmitidos pelo mosquito anófeles.
A equipe de Patz tem monitorado as alterações na
população de mosquitos com relação à derrubada da
floresta no Brasil e no Peru. O grupo examinou imagens
de satélite indicando o desmatamento em um município
amazônico, e correlacionou os dados a prontuários
médicos com diagnósticos de malária. Mais de 15 mil
casos detalhados foram documentados em 2006, às vezes
com uso de GPS para apontar o local de residência do
paciente.
As conclusões foram claras.
"Mostramos que uma mudança de 4,2 por cento no
desmatamento, entre agosto de 1997 até agosto de 2001,
está associada a um aumento de 48 por cento na
incidência de malária", escreveram os pesquisadores.
"Paisagens alteradas pelos humanos fornecem um meio de
habitats adequados para larvas dos mosquitos anófeles, o
que inclui valas em estradas, represas, garimpos,
galerias pluviais, sulcos (de pneus) de veículos, e
áreas de desmatamento incompleto", disseram.
Outro possível fator é que alguns moradores montaram
pesqueiros na região que, segundo Patz, não estão
visíveis nas imagens por satélites, mas também podem
servir como criadouros de mosquitos.
"Nossas conclusões são provavelmente generalizáveis para
muitas partes da Amazônia, e avançam sobre nossos
estudos entomológicos do passado na Amazônia peruana",
acrescentou o cientista.
"Este estudo de epidemiologia ambiental mostra ainda
mais que a política de conservação deveria ser um
componente importante para qualquer esforço de controle
da malária na região."
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