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Universidades se unem para combater
pragas de forma natural
Um grupo formado por oito unidades de pesquisa de cinco
estados brasileiros se uniu para formar o Instituto
Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Controle
Biorracional de Insetos Pragas. O objetivo é encontrar
alternativas ecológicas para acabar com pragas e doenças
que afligem lavouras de todo o país.

Você sabia que um inseto é mais
importante ao planeta que todos os presidentes do mundo?
Sem os homens o planeta prospera, sem os insetos o
planeta morre.
Preocupados com os efeitos nocivos do uso de inseticidas
tradicionais, os pesquisadores criaram o conceito de
controle biorracional de pragas - uma maneira de
controlar o desenvolvimento de insetos sem exterminá-los
com o uso de produtos naturais e seus derivados,
procurando minimizar os impactos ambientais.
O grupo é composto pelas seguintes instituições:
Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); Escola
Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ-USP);
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita (UNESP)
e Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão
Preto (FFCLRP-USP), em São Paulo. Na Bahia, Comissão
Executiva de Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC) -
Estação Experimental Sosthenes de Miranda; no Pará,
Comissão Executiva de Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC)
- Superintendência da Amazônia Oriental; no Paraná,
Universidade Federal do Paraná (UFPR) e no Sergipe, a
Universidade Federal de Sergipe (UFS).
Preocupação ambiental
A aplicação de inseticidas tradicionais nas lavouras
pode trazes efeitos colaterais danosos para o meio
ambiente. A eliminação de um inseto, por exemplo, pode
alterar toda a cadeia alimentar ligada a ele, bem como
afetar a reprodução de espécies vegetais que dependem de
sua ação para a polinização. Outro dano comum é a
contaminação dos alimentos, bem como dos lençóis
freáticos, rios e outros corpos d'água por resquícios
dos químicos empregados e que acabam aderindo à planta.
Por isso, um dos objetivos dos pesquisadores é criar
compostos naturais para serem utilizados nos insetos.
"A probabilidade de uma substância natural apresentar
toxicidade a um inseto é pequena. Ela pode inibir o
desenvolvimento de um determinado inseto, por exemplo, e
isso poupa de produtos tóxicos o animal, o meio ambiente
e o próprio ser humano, que consumirá alimentos vindos
daquela planta", disse à Agência FAPESP a coordenadora
do INCT, Maria de Fátima das Graças Fernandes da Silva.
Ela explicou ainda que, por serem mais familiares ao
organismo, as substâncias naturais são metabolizadas
mais facilmente, enquanto os produtos sintéticos podem
acabar se acumulando. Assim, plantas, fungos e bactérias
poderão ser utilizadas pelo grupo para a criação de
inseticidas naturais.
"Ao entender a interação química entre bactéria e
planta, podemos desenvolver um metabólito que iniba a
proliferação do patógeno no vegetal ou ainda buscar uma
substância que controle a proliferação do inseto vetor",
explicou Maria de Fátima. O controle dos insetos é
ambientalmente mais interessante do que a sua eliminação
completa, de acordo com a pesquisadora, pois ele pode
ser o vetor de uma doença para uma determinada planta e
ao mesmo tempo o polinizador de outra. Portanto,
eliminá-lo resultaria em perdas ambientais maiores na
região em que o inseto desaparecesse.
Resistência dos produtores
Apesar de ser ambientalmente mais saudável, o controle
biorracional de pragas ainda enfrenta um grande
obstáculo para sua aplicação em larga escala: a
resistência dos produtores rurais. "Esse é o maior
obstáculo, não apenas no Brasil, mas em diversos outros
países", afirmou Maria de Fátima. "Muitos produtores
consideram mais fácil a aplicação de inseticidas e a
eliminação completa do inseto causador do problema,
ainda que ele seja importante para outras plantas e
culturas", lamentou.
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UMA ÁRVORE NATIVA")
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