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Espécies de algas que teriam 1 bilhão
de anos são analisadas
Cientistas que estudavam duas espécies de algas que
crescem em regiões profundas dos oceanos concluíram que
elas podem ter surgido a cerca de 1 bilhão de anos e
seriam verdadeiros "fósseis vivos". A descoberta, feita
por uma equipe de pesquisadores nos Estados Unidos e da
Bélgica, pode transformar as teorias sobre quais plantas
seriam as precursoras de todas as plantas verdes
existentes hoje.

Os estudiosos recolheram amostras de algas que já eram
conhecidas e pertenciam a dois gêneros, Palmophyllum e
Verdigellas. Elas foram encontradas a cerca de 200 m no
fundo do mar e, segundo os estudiosos, possuem pigmentos
especiais que permitem aproveitar a luz que chega a essa
profundidade para fazer a fotossíntese.
Os cientistas foram os primeiros a analisar o genoma dos
dois organismos. E foi esta análise que revelou a
impressionante origem dessas algas. As conclusões da
equipe foram publicadas na revista científica Journal of
Phycology.
Diferentes
As plantas verdes até hoje foram classificadas em dois
grandes grupos, ou clados - grupos de espécies com um
ancestral comum. Um deles inclui todas as plantas
terrestres e as algas verdes com estruturas mais
complexas, conhecidas como carófitas. O outro clado, o
das clorófitas, abrange todas as algas verdes restantes.
A maioria dos estudos feitos anteriormente tentou
determinar quais plantas antigas deram origem às
carófitas, mas houve poucas pesquisas sobre a origem das
outras algas verdes. O cientista Frederick Zechman, da
California State University, em Fresno, e sua equipe
coletaram e estudaram amostras de Palmophyllum
encontradas na região da Nova Zelândia (Oceano
Pacífico), e Verdigellas da região oeste do Atlântico.
Elas são bastante peculiares, porque embora sejam
multicelulares, cada uma de suas células não parece
interagir com as outras de forma significativa. Cada
célula está acomodada sobre uma base gelatinosa que pode
dar origem a formas complexas, como caules.
Os cientistas analisaram o DNA nas células das algas e
concluíram que, em vez de pertencer ao clado das
clorófitas, as duas espécies pertenceriam, na verdade, a
um grupo novo e distinto de plantas verdes, que é
incrivelmente antigo.
Algas analisadas têm estrutura celular diferente de
outras. Os cientistas acham que elas são tão diferentes,
que deveriam ser classificadas em uma ordem própria.
"Ao compararmos essas sequências genéticas aos mesmos
genes em outras plantas verdes, descobrimos que essas
algas verdes estão entre as primeiras plantas verdes
divergentes, ou seriam talvez a primeira linhagem
divergente de plantas verdes", disse Zechman à BBC.
Se este for o caso, segundo o cientista, essas algas
poderiam ter surgido há 1 bilhão de anos.
Progenitoras das Plantas
Para ele, a descoberta poderia "transformar" nossa visão
sobre que planta verde foi o ancestral de todas as que
existem hoje. Até o presente, os cientistas acreditavam
que a progenitora das plantas verdes seria uma planta
unicelular com uma estrutura em forma de cauda chamada
flagelo, que permitia que a planta se movesse na água.
Mas a equipe de Zechman não encontrou flagelos nas algas
observadas, o que pode ser uma indicação de que as
plantas verdes mais antigas do planeta podem não ter
tido flagelos.
Zechman disse que as algas estudadas por sua equipe
podem ser qualificadas como "fósseis vivos", embora não
se tenha conhecimento da existência de fósseis reais
dessas algas. Sua habilidade de utilizar luz de
intensidade baixa permite que cresçam em águas profundas
- o que pode ser a chave de sua impressionante
longevidade.
Em profundezas como essas, as plantas sofrem menos
perturbações provocadas por ondas, variações de
temperatura e por predadores herbívoros que poderiam se
alimentar delas.
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