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Ambientalistas alertam centros da
indústria têxtil sobre contaminação
As cidades de Xintang e Gurao, que concentram boa parte
das fábricas de jeans e roupa íntima chinesas, sofrem
com graves vazamentos tóxicos destas indústrias,
incluindo altas concentrações de metais pesados, revelou
um relatório publicado nesta terça-feira pela ONG
ambientalista Greenpeace.

Ambas as cidades ficam na província de Cantão e,
enquanto Xintang fabrica 60% das calças jeans do país
(exportando 40% aos Estados Unidos e Europa), Gurao
produz 200 milhões de peças de roupa íntima ao ano.
"Xintang e Gurao são símbolos do êxito do modelo
exportador da economia nacional, mas a degradação
ambiental que vimos ao visitá-las nos horrorizou",
relata a chefe de campanha contra vazamentos tóxicos do
Greenpeace na China, Mariah Zhao.
A análise da água e dos sedimentos das duas cidades
mostrou altos níveis de metais que podem ser
prejudiciais à saúde, como cobre, cádmio e chumbo, em
algumas ocasiões em níveis até 128 vezes maiores dos
limites considerados saudáveis.
De acordo com o Greenpeace, entre os processos
industriais que oferecem mais riscos estão a lavagem e o
tingimento de calças, já que necessitam de grande
quantidade de água e produtos químicos. Além disso, os
resíduos destes processos são despejados sem controle em
rios da região, até o ponto que, segundo os moradores da
área, algumas correntes fluviais "mudam de cor a cada
dia" pelas tinturas e outros produtos químicos.
Mariah ressaltou que o problema se estende aos mais de
130 centros de produção têxtil da China, que concentra
boa parte das exportações mundiais no setor, e pediu às
autoridades locais maior responsabilidade com o meio
ambiente e a saúde dos cidadãos. "Também esperamos que
os consumidores se unam a nós para pressionar por uma
mudança no Governo e nas indústrias. Seria trágico se a
moda e a economia custassem à China seus recursos
hídricos"
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