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Artistas criam em prol da proteção
ambiental
A luta contra a destruição do meio ambiente tornou-se
assunto frequente na sociedade. Artistas de vários
países também estão engajados e fazem de sua obra uma
maneira de chamar atenção para os problemas climáticos.
Enquanto carros e pessoas transitam freneticamente por
Wall Street, uma mulher se senta, coloca uma máscara de
oxigênio e respira fundo dentro de um pequeno carro
provido de dois assentos e um guarda-sol. Este era o
Fresh Air Cart (Carro de Ar Fresco), aparato criado pelo
artista americano Gordon Matta-Clark, em 1972, para
oferecer ar limpo aos transeuntes de uma das ruas mais
movimentadas de Nova York.
Documentada em vídeo, a performance de Matta-Clark é uma
das obras da exposição "Fantasias morais. Posições
atuais da arte contemporânea no contexto do aquecimento
global", aberta ao público até 26 de abril, no Castelo
Morsbroich em Leverkusen, perto de Colônia. Com Fresh
Air Cart, Matta-Clark se consagrou como pioneiro da arte
engajada pelo meio ambiente.
Comércio climático
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der
Bildunterschrift: Instalação de Christoph Keller
retrata o fim do planeta azul
Em uma época em que companhias aéreas fazem propagandas
de viagens que seriam neutras para o clima, jovens
artistas também se ocupam de problemas ambientais.
A artista suíça Anna Meyer, por exemplo, levanta
exatamente essa questão em sua pintura. Na exposição,
ela faz um trocadilho com as palavras em alemão
klimawandel (mudança climática) e klimahandel (comércio
climático).
A primeira palavra aparece escrita em uma
película de plástico pendurada no teto. Logo depois, um
avião passa e cobre o céu azul com fumaça marrom,
transformando o "W" de klimawandel no "H" de klimahandel.
Com isso, Meyer coloca o dedo na ferida e questiona a
prática que se tornou comum de fazer comércio com o
clima. Afinal, a pergunta que não quer calar é se seria
justo que, ao pagar alguns euros por um estilo de vida
desrespeitoso, viajantes possam comprar uma consciência
limpa.
Analisando bem, essa compensação financeira só desvia a
atenção do verdadeiro problema. Pois camuflar as
emissões de carbono com créditos de emissão não ajudará
em nada a prevenir do derretimento dos icebergs no Pólo
Norte.
Vídeos e fotos reforçam protesto artístico
A instalação The Whole Earth (A Terra Inteira), do
alemão Christoph Keller, também aponta para o fim do
chamado planeta azul. A obra consiste em um balão
meteorológico, sobre o qual se projetam nuvens brancas.
Aviões barulhentos voam pela tela e acabam com a ilusão
de que ainda poderia existir uma natureza intacta.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der
Bildunterschrift: Olaf Nicolai: ovelhas pastam no meio
de uma construção da Antiguidade
Já o dinamarquês Olafur Eliasson mostra, na série de
fotos 360º Crystal Palace (360º do Palácio de Cristal),
um frágil iceberg ao encontro de sua destruição.
O alemão Olaf Nicolai também utilizou a fotografia como
protesto, mostrando um rebanho de ovelhas pastando no
meio de construções da Antiguidade. Um paraíso enganoso,
pois os animais se encontram em um parque no centro de
Roma.
Em um filme da suíça Ursula Biemann, exibido na
exposição, camponeses contam como foram foçados a vender
suas terras para que o oleoduto do Mar Cáspio pudesse
ser construído.
Arte para proteção ambiental
Os artistas não querem deixar o problema ambiental
somente nas mãos de multinacionais e de estrategistas de
marketing. Com suas obras, eles só podem prestar uma
pequena colaboração, mas que não deve ser subestimada.
"Less oil more courage" (Menos petróleo, mais coragem)
foi o slogan criado por Rikrit Tiravanija, artista
nascido na Argentina e crescido na Tailândia. Estampada
em uma camiseta, a mensagem é um apelo pessoal, a fim de
que as pessoas contribuam mais ativamente para a
proteção ambiental. Afinal de contas, só uma mudança de
comportamento pode salvar a natureza.
A exposição de Leverkusen faz parte de um movimento
maior. Cada vez mais produções artísticas e culturais
tratam dos problemas climáticos. Atualmente, há até uma
cooperação entre o Temporäre Kunsthalle Berlin (Pavilhão
Temporário de Artes de Berlim) e o Ministério alemão do
Meio Ambiente.
O próprio ministro Sigmar Gabriel é patrono da exposição
"Under Lime" (Sob a Tília), do artista conceitual
britânico Simon Starling, a ser vista até 18 de março no
pavilhão. Com três instalações,
Starling explora possibilidades de utilizar novas fontes
de energia.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der
Bildunterschrift: 'Menos petróleo, mais coragem' é a
mensagem do argentino Rikrit Tiravanija
Mudança climática através da cultura
Além da criação de obras de arte como forma de protesto,
outros artistas cooperam com organizações ambientais. O
fotógrafo americano Spencer Tunick, por exemplo,
colaborou com o Greenpeace em um projeto, no qual
centenas de pessoas posam nuas nas geleiras Aletsch na
Suíça.
A iniciativa tinha como objetivo chamar a atenção da
sociedade para o aquecimento global. Com as esculturas
vivas, Tunick e o Greenpeace queriam simbolizar "a
relação dos homens com a vulnerabilidade das geleiras em
derretimento", explicou a organização.
O projeto Climate Art também está envolvido na proteção
do meio ambiente. Para incentivar projetos ambientais em
países emergentes, o público pode adotar uma escultura.
Embora não passe de um esclarecimento sobre os sintomas
de destruição já conhecidos pela sociedade, o
engajamento dos artistas é certamente honroso.
Uma arte para conscientizar não prejudica ninguém.
Talvez sirva até para confirmar a esperança das
organizações ambientais de que cultura também pode gerar
consciência climática.
Sabine Oelze (jbn)
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