Vítima de tornados em SC foi atirada a 50 m, conta
vizinho
Em Guaraciaba (SC), imediatamente após o tornado que
aconteceu entre a noite de segunda-feira e a madrugada
de terça-feira, começou um mutirão de ajuda entre os
vizinhos. Neivor Silveira contabilizou a perda do
telhado e de 20 porcos, mas como a família estava em
segurança, foi um dos que organizou o grupo de
voluntários para ajudar a vizinhança. Ele contou que uma
das vítimas foi arremessada a 50 m pelo vento.

"Quanto mais andava, a situação que eu via piorava.
Tentamos resgatar a menina Ana Paula Terci (9 anos), que
morreu, mas já tinham retirado o corpo dela", disse ele,
que se prontificou a cuidar do que restou da casa de
outro vizinho, levado para um hospital da região.
"Depois, fomos em busca da avó Judite Lazzari (86 anos)
e, quando chegamos lá, já estava morta, atirada pelo
vento a 50 m da casa."
Pelas estradas do município, veículos do Corpo de
Bombeiros, da polícia e caminhões do Exército circulam
de um lado para outro, levando ajuda para os
desabrigados.
Um grupo de motoqueiros acostumados a fazer trilhas pela
região presta ajuda, levando informações para as equipes
de socorro. "Nós decidimos não abrir a loja e partimos
para o interior do município, pois conhecemos bem as
estradas. Tinha muita árvore caída e havia gente que nem
sabia direito o que tinha acontecido", contou o jovem
Willian Perondi, 18 anos, que pratica trilha e trabalha
como técnico de informática em uma loja do centro.
Enquanto uns lutam contra a desordem, outros se dispõem
a acolher os desabrigados, como a professora de ensino
infantil Marilene Land. Como a escola onde ela leciona
também foi atingida e as aulas estão suspensas, ela
decidiu se juntar aos voluntários no trabalho de ajuda a
quem perdeu tudo.
"Não tendo o meu local de trabalho, eu me desloquei para
cá para dar força e coragem às pessoas. É cansativo",
disse Marilene, que passa 14 horas por dia tentando
ajudar as famílias, organizando o abrigo montado na
Igreja do Caravaggio.