|
"The Guardian" questiona compra de florestas
para preservação
O diário britânico "The Guardian" traz em
sua edição desta quarta-feira (13) uma
reportagem sobre a compra de florestas
promovida por indivíduos, ONGs e até
bilionários em nome da proteção do meio
ambiente.
O título estampado na capa do caderno de
cultura e sociedade do jornal --"Os
conservacionistas deveriam poder comprar o
planeta?", indica o tom do artigo, que
questiona as conseqüências da iniciativa
--chamada, pelo "Guardian", de "a grande
apropriação verde de terras".
"Salvar os lugares mais bonitos e
ecologicamente importantes do mundo ficou
muito mais fácil e mais barato. Centenas de
websites administrados por ONGs, fundações e
indivíduos agora convidam pessoas a comprar
florestas, campos e montanhas para salvá-los
de destruição e mudanças climáticas com o
click de um mouse", afirma a reportagem.
O jornal cita o milionário sueco John
Eliasch, que comprou 400 mil acres da
floresta amazônica em 2006 e agora pede
ajuda para que sua ONG, a Cool Earth, possa
comprar mais terra na fronteira entre o
Brasil e o Equador, provocando críticas do
governo brasileiro.
Para o "Guardian", Eliasch e os tantos
websites oferecendo terras para conservação
são uma nova tendência mundial. "A
propriedade particular é agora a maneira
favorecida para salvar o meio ambiente que
está sendo arruinado por investidores, pela
indústria ou por negligência. Está ocorrendo
em todo o mundo."
Entretanto, nos países pobres e em
desenvolvimento, essa movimentação de sites
e indivíduos comprando terras em nome do
ambiente é freqüentemente recebida "com medo
e hostilidade".
Não é surpresa, afirma o "Guardian", já que
conservacionistas estrangeiros supostamente
têm um histórico péssimo em países em
desenvolvimento.
Processo
"Primeiro os colonizadores assumiram
controle dos países e comunidades para
expropriar seus recursos, depois os
conservacionistas vieram e fizeram
exatamente a mesma coisa --desta vez, em
nome da salvação do ambiente. Dezenas de
milhares de pessoas foram expulsas para a
criação de parques naturais e outras áreas
de proteção nos países em desenvolvimento.
Muitas pessoas foram proibidas de caçar,
cortar árvores, explorar pedreiras,
introduzir novas plantas ou, de alguma
maneira, ameaçar os animais ou o
ecossistema. A terra em que eles viveram por
séculos é, de repente, retomada como um
santuário idílico de vida selvagem, com
nenhum cuidado com a realidade das vidas de
quem vive lá", afirma a publicação
O jornal cita casos de compra de terras em
países africanos e na América do Sul, por
ONGs, milionários e até celebridades, e
destaca problemas, como o enfrentado pelo
empresário americano Ted Turner, que é hoje
dono de 2 milhões de acres na Patagônia,
sendo o maior proprietário de terras na
Argentina.
Posse
Segundo o jornal, as terras de Turner se
encontram sobre um dos maiores reservatórios
subterrâneos de água do mundo, e ele é
acusado pela imprensa argentina de tentar
obter o controle do suprimento de água e
prejudicar os fazendeiros argentinos, o que
ele nega.
Por fim, a reportagem comenta o projeto de
compra de emissões de carbono, em que países
ricos pagariam aos países em desenvolvimento
para manter suas florestas e reservas, em
troca de créditos de carbonos.
Pelo método, os países ricos poderiam
continuar poluindo e os países em
desenvolvimento, ou comunidades, receberiam
dinheiro para manter as reservas naturais.
Mas o jornal afirma que esta fórmula também
deve causar problemas, principalmente no
campo legal.
"Parece bom para mudanças climáticas e
comunidades, mas a realidade em campo pode
ser desastrosa."
Segundo a reportagem, este comércio gera uma
questão sobre quem é o verdadeiro
proprietário das florestas e poderia trazer
ainda mais problemas para a conservação,
além de gerar mais corrupção, especulação,
tomada de terras e conflitos.
Opine pela inteligência (
"PLANTE UMA ÁRVORE
NATIVA")
|
Conheça
o
Ache
Tudo e Região o portal de todos
Brasileiros.
Coloque este portal nos seus favoritos. Cultive
o hábito de ler, temos diversidade de informações úteis
ao seu dispor. Seja bem vindo
, gostamos de suas críticas e sugestões, elas nos ajudam a
melhorar a cada ano.
|