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Não
existem mistérios acerca da poluição dos mares. O pior problema,
atualmente, é o enorme despejo de esgoto (não tratado) e de efluentes
industriais, sem qualquer preocupação com as possíveis consequências.
Isso foi
dito por Stjepan Kecknes, diretor do Centro de Programas de Atividades
Oceânicas e Costeiras do PNUMA - Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente -, cuja tarefa é auxiliar na limpeza dos mares do nosso planeta.
Oitenta e cinco por cento dos 20 bilhões de toneladas de material poluente
despejados anualmente nos oceanos provêm dos continentes. Noventa por
cento desse material permanece na área costeira, criando sérios problemas
ambientais e de saúde. Neste capítulo, veremos como os mares se tornam
poluídos e quais os prejuízos que isso acarreta.
Em todo o mundo, grande quantidade de
esgoto doméstico é despejada no mar, mas somente uma parte é previamente
tratada. O oxigênio e as bactérias do mar ajudam bastante a neutralizar o
esgoto, tornando-o inofensivo e permitindo que seja usado por animais e
plantas. Afinal de contas, o mar está repleto de animais que produzem
detritos durante todo o tempo. Contudo, a quantidade de resíduos que pode
ser despejada nele é limitada.
Resíduos de
fertilizantes fosfatados no Togo, oeste da África, são bombeados
diretamente no mar. É um método barato de se livrar deles, mas quanto
o mar poderá recebê-los antes de começar a sofrer danos?
O número de pessoas que vivem em cidades
litorâneas está crescendo em todo o nosso planeta, e mais esgoto é
produzido sem que o mar possa processá-lo. Tecnicamente, tratar os esgotos
antes de lançá-los no mar não é um problema, mas custa caro. As nações em
desenvolvimento, em particular, ressentem-se da falta de recursos
financeiros para construir estações de tratamento em número suficiente. No
Sudeste Asiático, onde essas estações são poucas, o problema é mais sério
ainda. Mesmo as nações ricas freqüentemente relutam em gastar dinheiro com
estações de tratamento e, assim, os esgotos acabam sendo lançados nas
praias, o que não é somente desagradável, mas constitui um grave risco
para a saúde.
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O gráfico mostra
como os resíduos agrícolas passam para os regatos e rios, seguindo o
seu caminho até o mar. |
Muitas cidades do mundo são densamente
povoadas e possuem indústrias pesadas. Uma grande quantidade de despejos
industriais é lançada diretamente no mar ou chega até ele através dos rios
nos quais é despejada. Enquanto o esgoto doméstico é orgânico e pode ser
reciclado pelo mar, grande parte do esgoto industrial é inorgânica, não se
decompondo facilmente e permanecendo inalterada. Gradualmente, esses dois
tipos de esgotos se somam, causando cada vez mais poluição. Mais de 100
mil produtos químicos diferentes têm como destino final o mar e, com
freqüência, ninguém sabe quais serão as conseqüências. A maior parte
permanece nas águas costeiras, porém, como o oceano é um vasto sistema
móvel, os compostos químicos vão lentamente se espalhando por ele. Ainda
não se sabe como esses produtos afetam a vida marinha.
Nem todos os resíduos originam-se
diretamente das indústrias. Muitos produtos químicos provêm das casas e
são despejados no sistema de esgoto. As chuvas carregam o óleo, a graxa e
outras sujeiras das estradas, veículos e construções para os rios e deles
para o mar. Além disso, a chuva que cai no mar está contaminada com
poluentes atmosféricos oriundos das chaminés das fábricas, das unidades de
aquecimento central e dos escapamentos dos veículos.
Quando o petróleo é derramado no oceano,
forma uma mancha perigosa para os animais que vêm à superfície, como
pássaros, focas e baleias. Os vazamentos de petróleo causam grande
devastação no litoral. Em 1980, 50 mil aves marinhas morreram no estreito
de Skaggerak, entre a Suécia e a Dinamarca, como resultado de um único
vazamento de petróleo: quando elas tentavam limpar suas penas com o bico
para remover o óleo, envenenavam-se. Poucas foram salvas e voltaram à sua
vida natural, Uma vez limpo o mar, as populações podem se reconstituir em
poucos anos, porém o sofrimento causado pela poluição é muito perturbador.
Lixo Radiativo:
O tratamento do
lixo radioativo necessita de uma atenção especial, porque a radioatividade
pode causar câncer e alterar o desenvolvimento dos seres vivos. Alguns
desses resíduos precisam ser guardados com segurança por muitos e muitos
anos.
Antigamente, o
mar era considerado o lugar ideal para se despejar um tipo de lixo, pois
se achava que ninguém poderia ser prejudicado. Hoje, porém, sabe-se que
não é assim.
O Mar da Irlanda
foi afetado de modo diferente: a água contendo pequenas quantidades de
material radioativo da usina de processamento nuclear de Sellafield está
sendo despejada por um tubo dentro desse mar, prática que o tornou o mais
radioativo do mundo. O governo irlandês está pressionando para que a usina
seja fechada, pois, segundo ele, o aumento dessa radiação no mar é a causa
da elevação, acima do normal, dos casos de câncer em algumas comunidades
costeiras. Mais recentemente, descobriu-se que grandes bolhas de ar que
vêm à superfície contêm plutônio oriundo de Sellafield. Esse elemento
passa do fundo do mar para a atmosfera, de onde pode ser impelido para a
terra.
Os bifenóis
policlorados (PCBs) são produtos químicos complexos usados na indústria
elétrica. Podem tornar-se extremamente perigosos se penetrarem na
atmosfera, por isso seu uso está sendo reduzido. Contudo, eles atingiram o
ambiente marinho e agora são encontrados no corpo de muitos animais. Cinco
toneladas e meia de PCBs, da aparelhagem elétrica da plataforma de
perfuração Piper Alpha, podem estar agora no Mar do Norte, depois do
terrível acidente ocorrido em julho de 1988, que a destruiu. Quando é
absorvido por um animal, o PCB não é eliminado de seu corpo, permanecendo
nele. A cada nível mais elevado na cadeia alimentar, este se torna mais
concentrado.
Esse produto
químico pode reduzir a resistência do corpo a doenças, diminuir a
capacidade de aprendizagem das crianças, danificar o sistema nervoso
central, causar câncer e afetar os fetos. O Estado de Nova Iorque tem
gasto 27 milhões de dólares para limpar 12 km que se estendem pelo Rio
Hudson, onde começa a contaminação pelos PCBs, devido aos riscos a que as
pessoas estão sujeitas. O
plâncton é a base de muitas cadeias alimentares. Se for atingido pela
poluição, os efeitos poderão estender-se até o último elo dessas cadeias.
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